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V (pronuncie Vi)

O Warner Channel tem um novo filé mignon na sua programação. Depois de perder várias oportunidades para os concorrentes, conseguiu os direitos para exibir na América Latina uma série que, apesar de imperfeita, tem potencial para se tornar amplamente cultuada. Trata-se de “V – Os Visitantes”, que entra na grade do canal a partir desta Terça, 6. “V” estreou nos Estados Unidos cercada de badalação, e conseguiu de imediato ótimos índices de audiência. O interesse se devia não só ao gênero – ficção científica, que tem um público muito específico e fiel -, mas também à série original honônima, transmitida nos anos 80 e fresca na memória de muita gente. Esta versão parte da mesma premissa, embora elabore o plot com maior cuidado e substitua os efeitos toscos e datados por outros mais bem acabados.

Na série, extraterrestres aportam em pontos estratégicos do planeta Terra. E vem com toda classe, em naves gigantescas e reluzentes, munidos da mais alta tecnologia. Mas não chegam com uma declaração de guerra, tampouco obstinados a extinguir a espécie humana por hecatombe, como vimos nos filmes mais apocalípticos sobre o assunto. Na verdade eles garantem que vieram em missão de paz, para compartilhar com os terráqueos seus conhecimentos avançados em áreas que só agora estamos começando a desvendar (possuem, por exemplo, a cura para muitas doenças ainda imbatíveis, e a promessa de medicina de ponta é tentadora demais para que os governos de todo o mundo – e mais especificamente o americano – a recusem).

É importante mencionar também que os ET’s – ou Visitantes, como eles mesmos se dominam – não correspondem ao estereótipo da vida alienígena. Não são todos iguais, cada qual com três pares de olhos, anteninhas e pele esverdeada. São praticamente idênticos aos humanos em aparência e comportamento. A maior diferença no ciclo de vida, de acordo com o que explicam no primeiro episódio, é que no planeta de onde vieram todos os povos vivem unidos, sem divisão entre países e nações.

Parece bom demais para ser verdade, não? Pois a heroína, uma oficial do FBI interpretada por Elizabeth Mitchell (a Juliet de “Lost”) chega à mesma conclusão, e vai descobrir – também no primeiro capítulo – que uma conspiração maior e muito mais tenebrosa está por trás da chegada destes novos inquilinos. Os desdobramentos desta trama servirão de base para a primeira temporada. Para completar, o filho adolescente dela está especialmente interessado pelos recém-chegados. Afinal, cada um dos Visitantes parece possuir algo de hipnótico a seu respeito, com sua beleza imaculada e a fala macia e pausada. Há ainda uma participação que deve fazer a alegria dos brasileiros: a atriz Morena Baccarin, que interpreta uma das principais representantes dos Vs, é natural daqui, e inclusive aparece falando português numa das cenas (quando uma das naves estaciona, convenientemente, no topo do Cristo Redentor)!

Dito isso, “V” não tem substância para se sustentar como um drama de qualidade. A idolatrada “Battlestar Galactica”, por exemplo, conseguia extrapolar o escopo da ficção científica ao se focar nos conflitos internos dos personagens. “Lost”, que tem sua própria cota de ficção, primeiro ganhou o público ao envolvê-los nas histórias pessoais das vítimas de um desastre de avião. É um artifício válido e até necessário, que não anula os elementos ficcionais e apenas expande a margem de audiência. Também dá uma razão de ser para personagens que poderemos acompanhar durante anos a fio, caso a série se prolongue de tal maneira.

Acontece que o primeiro encontro da humanidade com alienígenas deveria ser de uma magnitude imensurável – um choque tão grande para a população em geral quanto foi para os índios a chegada das caravelas portuguesas na costa do Brasil em 1500. “V” não tem profundidade – ou seria intenção? – para retratar este momento histórico, e logo está todo mundo acostumado com a ideia de que existe vida fora da Terra e que parte dela chegou para uma visita. O Piloto, que tem de resumir todo o ponto de partida em quarenta e tantos minutos, perde muito com isso. Grandes situações soam apressadas, e a impressão que fica no espectador é apenas mediana (enquanto um bom Piloto deveria deixá-lo desesperado pelo episódio seguinte). A ideia em si é boa, mas pelo menos a princípio, não é explorada em todo o seu potencial. A dica fica restrita mesmo aos fãs de longa data do gênero.

Categorias:TV
  1. 6 abril 2010 às 3:58 pm

    eu não me lembro exatamente dos episódios originais, mas nunca na vida esqueci a cena em que a alienígena reptilzona comia duma vez um ratão, ou coisa assim.
    eu assistia direto e quando soube que ia ter um remake fiquei empolgada (mesmo que na época deu a tristeza de saber que a Juliet ia deixar Lost por isso).
    eu vi as chamadas na Warner mas não sei que dias passa ou se já começou… dá vontade de ver só pela memória, porque sei lá… não me animo com ficção nunca.

  2. markhewes
    6 abril 2010 às 4:25 pm

    Não fui com a cara de V. Vi o trailer uma vez e achei um pouco interessante, mas nunca fiquei com vontade de assistir. Tipo parece uma série bem fraca e eu nunca julgo sem ter uma boa noção do que penso a respeito. Até Buffy eu sabia que iria gostar (ok, nem tanto assim, mas já fazia idéia de que não era uma série ruim e não é). E tem séries que sei que são boas também, mas que não iria me agradar.

    • 7 abril 2010 às 12:13 am

      Quéroul, clássico do trash, é isso? Vi uns vídeos do original no YouTube e achei genial em toda a tosquice e podridão! huahuahua… Esse remake nem se quisesse conseguiria possuir o mesmo charme!

      Mark, eu te entendo, tb tem muita série que eu não vi e não gostei. Mas até tinha me interessado por essa. Gosto da temática e apostei alto. Me frustrei, é claro!😦 Agora Buffy é vida, não canso de repetir! o/

  3. 7 abril 2010 às 1:11 am

    Esse é justamente o tipo de série que não me agrada! Eu quero mais é que o Warner Channel volte a passar “Gossip Girl”!!! Beijo!

  4. 7 abril 2010 às 2:24 am

    e no fim das contas, eu vi. coloquei despertador e marcador na TV pra não esquecer.
    e achei, como vc disse, mediano. é realmente apressado, com aqueles moleques insuportáveis, e o cara do Party of Five A CARA do Michael J. Fox.
    e sou mais a Elizabeth Mitchell de Juliet; achei ela um tanto quanto canastra e com um cabelinho horripilante. hahaha.

    mas sabe que no final eu fiquei meio com vontade de continuar? do tipo falar pro Namorado ‘não vou mais na sua casa na semana que vem pq vc não tem mais Warner Channel’. aloka.
    qualquer coisa, eu baixo. deu vontade de ver… ah, a memória. vou lá youtubar cenas do original…😉

    • 7 abril 2010 às 6:00 am

      Ka, acho que o canal bobeou em dispensar Gossip, que mesmo não estando tão boa, tem uma legião de seguidores! Beijo.

      Quéroul, viu Vi? huahuahua (trocadilho infame). E ficou tão encantada assim? Já que tem coragem pra insistir, me avisa se melhora ou se mantém esse nível. E concordo contigo: a Juliet tá muuuito canastrona. Como o elenco todo, aliás. Texto não dá oportunidade alguma pra eles! Tsc tsc…

  5. 7 abril 2010 às 1:46 pm

    não encantada, curiosa.
    quero ver é se vai ter a cena do ratão!🙂

  6. pedro lopes
    11 abril 2010 às 12:48 am

    Eu sempre venho aqui, amoooooooo seus textos mto bem elaborados e seu gosto normalmente bate com o meu – buffy melhor serie sempre- mas eu devo ressaltar q apesar de nao haver esse choque, eles dizem no episodio 4 q ja se passaram 3 meses desde q eles chegaram e assim nao haveria mais esse choque.Concordo q mesmo assim tinha q ser mais explorado, afinal aposto q mta gente estaria se suicidando, e a igreja e etc…eu vejo a serie desde q estreiou em novembro, e depois teve um iatus de 4 meses

    • 11 abril 2010 às 4:03 am

      Pedro, fico feliz por você gostar do blog e de saber que tb é fã de Buffy! Espero te ver comentando com maior frequência!🙂 Quanto a V, o Piloto não me empolgou para ver os próximos e esse longo hiato que você mencionou serviu para varrê-la ainda mais da minha memória. Me lembrei só por causa da estreia na Warner, se não teria passado batido!

  7. pedro lopes
    12 abril 2010 às 4:02 am

    eu ja vi ate o quarto episodio, a verdade é q a serie nao empolga mesmo nao, oq é refletido na audiencia…Entretanto estao falando q a temporada melhorou sensivelmente a partir do quinto episodio…Apesar de nao ser uma serie ruim, meu padrão de qualidade nao consegue enquadra-la como boa…consigo – porém – coloca-la como uma serie SERIE, do tipow q assisto por assistir, assim como gossip girl(apesar que depois do hiatus melhorou sensivelmente e agora no episodio 17 me lembrou a primeira temporada), one tree hill, smallville e outros shows…As unicas series q realmente tenho assistido com prazer é glee(hiatus maldito quase acabando), friends(vendo pela primeira vez, ja to na setima)e vampire diaries.E tem aquelas q eu desisti: FLASH FORWARD e Mercy(que so comecei a assistir pela atriz michelle trachtenberg, q é a minha atriz do faavorita, depois da Alyson Hannigan (apaixonado pela willow para sempre).

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