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Archive for abril \30\UTC 2010

Abril vai deixar saudades

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Categorias:Diversos

Housewives, Glee e Tara

Hora do nosso post esporádico com comentários sobre alguns episódios da semana:

– Houve um tempo em que “Desperate Housewives” era minha série favorita. Na época de sua estreia, a dramédia sobre quatro donas-de-casa suburbanas instigava com sua mistura de “Sex and the City” e “Beleza Americana”. Mas custou muito pouco para que os roteiristas desleixassem e o plot caísse na mesmice. De fato, assisto até os dias de hoje por inércia, em respeito às boas lembranças e em consideração à atriz Felicity Huffman, por quem tenho um carinho especial.

Essa sexta temporada está especialmente caótica. Apesar de um avanço de cinco anos no começo da temporada anterior, só temos visto as mesmas tramas recicladas. Quantas vezes, por exemplo, acompanhamos Susan e Gabrielle se desentendendo por causa dos filhos pequenos? E o mistério da vez, envolvendo a personagem da Drea de Matteo, não dá liga! Ela é uma boa atriz, como confirmamos em “The Sopranos”, mas não sabe fazer comédia muito bem, tampouco tem um texto a altura. Certamente percebendo que o suspense em questão era muito fraco, o criador Marc Cherry (que aliás está sendo processado por Nicolette Sheridan, que fez a Edie nas primeiras temporadas, mas isso é assunto pra outro post) inventou mais um psicopata para aquela rua. Nos economize, né? Quantos outros estorvos passarão por Wisteria Lane, dentre assassinos a sangue frio e pedófilos?

O segundo mistério – quem estrangulou a filha de Susan Mayer e outras garotas da vizinhança? – foi esclarecido no episódio deste Domingo, “Epiphany”.  Sem revelar sua identidade, afirmo que foi interessante afirmarem que as protagonistas ajudaram a criar esse “monstro”, estimulando com seu silêncio uma situação cabulosa. No entanto, caíram na burrada de usar pela enésima vez o formato batido de dar a cada housewife um bloco avulso, com flashbacks narrados pela Mary-Alice. E há poucos episódios do término da temporada, não poderia me importar menos com o desfecho de nenhuma delas.

– E “Glee”, hein? Depois que o episódio com as músicas da Madonna fez jus à badalação, tivemos outro ponto alto no capítulo dessa semana, “Home”, onde a pupila da Broadway Kristin Chenoweth retorna para uma nova aparição. Uma curiosidade é que sua colega de palco em “Wicked”, Idina Menzel, também é uma atriz convidada freqüente – e dizem as más línguas que as duas, que não se dão muito bem, requisitaram para não aparecer no mesmo episódio. Chenoweth é fantástica e irresistível, e tem nova chance de soltar a voz de taquara (que, acreditem, tem um alcance absurdo). A história de sua personagem, uma moça talentosa mas não-realizada, coube muito bem ao restante do enredo – que, com a trama de Mercedes entrando em aceitação com seu peso, e Finn e Kurt tendo que lidar com o namoro de seus pais e os problemas que tem com os mesmos – resultou no mais sério, emotivo e autêntico episódio de “Glee” até então. Um reforço de que a série incentiva não só o reconhecimento das diferenças, mas também sua celebração.

– Fiquei com a impressão de que o sexto episódio da segunda temporada de “United States of Tara” foi o melhor da série até então. Em “Torando” (um erro de grafia proposital com a palavra “Tornado”), tivemos mais indícios de que o problema psicológico de Tara foi causado por um trauma de infância, e de que a irmã caçula também foi afetada por isso (reparem como ela ficou desconfortável quando teve de entrar no porão para se proteger contra o furacão). Igualmente curioso está sendo esse novo alter da Tara, uma terapeuta que o subconsciente inventou para ajudá-la a resgatar lembranças escondidas. Não se espantem, aliás, se este for o episódio submetido por Collette no próximo Emmy (ela já foi premiada como Melhor Atriz em Comédia no ano anterior). Outro grande momento de uma atriz versátil e multifacetada.

Algo mais?

Categorias:TV

#FicaDespertar

A tarefa do leitor do “Letters from Louis”, quer tenha ou não assistido ao musical “O Despertar da Primavera”, é twittar a taghash que dá título a esse post. A campanha #FicaDespertar quer estimular a produção da peça a mantê-la em cartaz em São Paulo. Com todos os problemas que rondaram a estreia do musical na capital paulista, sendo a falta de patrocínio o mais grave deles, é realmente lindo ver o quanto cresceram com o tempo, a ponto de estarem deixando o teatro cheio (ou até mesmo abarrotado, a ponto de pessoas voltarem pra casa por não terem conseguido ingresso). Sinal de que a equipe está se empenhando e o resultado agradando muito. O boca a boca funcionou, e o espetáculo conquistou fãs fervorosos (entre os quais me incluo), que retornaram em várias ocasiões levando mais e mais gente. E certamente manteria esse nível de público caso retornasse no final de Maio, como estava previsto a princípio. Sei que patrocínio é essencial – só me pergunto se a bilheteria e a venda de programas, CDs e camisetas não bastam para manter O Despertar e ainda converter em lucro para a produção. Tenho uma porção de amigos de outros Estados que ficaram loucos pelo musical, com base nas minhas insistências e nos vídeos da montagem brasileira e estrangeira, e que não poderão vê-lo nesse curto prazo. Por todo canto vejo testemunhos parecidos, de gente que ainda não teve uma chance de assistir, e que provavelmente nunca terá. Mesmo que o término tenha sido agendado para o dia 02 há algumas semanas, os fãs não desistiram, continuaram apoiando e divulgando por conta própria (inclusive elaborando aquele flash mob na Avenida Paulista). Também houve a presença de algumas escolas com recepção incrível pelos alunos, que devem engrossar o boca a boca e a empolgação. Finalmente o público-alvo está descobrindo O Despertar. Mesmo com a casa de quase 900 lugares ocupados, e a tendência a melhorar cada vez mais, não há chance alguma de prorrogar? Nem possibilidade? Eu acredito! #FicaDespertar

P.S.: Deixe incentivos no site Moeller Botelho.

Categorias:Teatro

Damages, um adeus?

“Damages” chegou perto de ser a série perfeita. Com o encerramento da terceira e possivelmente última temporada, o drama jurídico pode se orgulhar de ter dado à Glenn Close, talvez a melhor atriz americana de sua geração, uma das personagens mais consistentes de toda a carreira. Na trama, ela interpreta a fria e calculista Patty Hewes, uma advogada ambiciosa que se envolve de modo nada ético com os casos que aceita. Para solucioná-los de acordo com os seus interesses, a própria Patty vai recorrer à ilegalidade – se os processados quebram a lei, ela lhes dá o troco em espécie.

A figura da pupila Ellen Parsons (a eficiente Rose Byrne) vai se opor simetricamente à esse monstro: de início, ela se junta à firma de advocacia sem saber o que lhe espera, mas vai perdendo a ingenuidade, moldando seu caráter e aprendendo as regras do jogo (ou sendo forçada a isso por sacrifícios pessoais). Essa evolução é convincente e contínua, ao ponto de, na segunda temporada, termos visto a aluna passar a perna na mestra. Neste terceiro ano, as co-protagonistas não tiveram a mesma interação doentia. Na verdade, para fins de roteiro, foram deixadas de lado em mais de uma ocasião. Enquanto isso, o sócio Tom Shayes (Tate Donovan) foi ganhando mais importância, e novas peças foram adicionadas a esse tabuleiro de xadrez – mais especificamente, uma família que cometeu uma das maiores fraudes já vistas no país (a mãe é interpretada por Lily Tomlin, e o filho por Campbell Scott) e o advogado que ajuda a encobrir as falcatruas (papel de Martin Short, que se desvencilhou por completo da imagem de comediante).

Não é em qualquer lugar que se vê um elenco desse naipe sendo tão bem aproveitado. A conversão em estatuetas é sintomática: Close já ganhou um Globo de Ouro e dois Emmys pela personagem; Zeljko Ivanek, que participou da primeira temporada como regular, também levou prêmio de Coadjuvante. Ted Danson, que de certa maneira esteve presente nesses três anos de “Damages”, teve aqui seu melhor momento em tempos. Os oscarizados William Hurt e Marcia Gay Harden foram convidados de luxo da temporada anterior. Todos trabalhando com um texto nada menos que fantástico. A narrativa fragmentada é de difícil estruturação: em todo início de temporada, somos apresentados a algum evento bombástico que acontecerá alguns meses à frente. Tudo o que vemos na leva de episódios que se segue conduz a esse ponto crítico. Na temporada inicial, esse ápice era o assassinato do noivo de Ellen; na seguinte, um embate entre Ellen e Patty que terminava com a primeira disparando um revólver. Nessa terceira, foi algo ainda mais tenso e inacreditável. Mas não se desespere: todas as pontas serão retomadas e explicadas.

Caso “Damages” não ganhe uma sobrevida em outro canal (seu lar inicial, o FX, dispensou a série porque as despesas com a produção não compensavam os lucros), estaremos nos despedindo de um dos programas mais assombrosos da década passada. Poucas vezes vimos na TV uma trama tão enganosa, cheia de ramificações e reviravoltas bem orquestradas. E nunca antes um seriado tinha retratado a cidade de Nova York de maneira tão magistral. Em “Damages”, os edifícios pontiagudos, os parques gélidos e as superfícies reluzentes fazem parte de uma arquitetura deslumbrante. Um palco onde nada é o que parece ser – um espetáculo encenado com brilhantismo, para ser aplaudido de pé durante os créditos finais.

Categorias:TV

Caçador de Recompensas

Durante as últimas temporadas de “Friends”, Jennifer Aniston foi uma das componentes do elenco que mais deu trabalho com as negocições de contrato. Ainda que ganhasse um salário estratosférico pelos episódio filmados, Jennifer tinha ambições maiores que a TV – e o casamento com Brad Pitt, mais a badalação que rondava o casal, bastou para estimular seu sonho de se tornar uma estrela de cinema de primeira grandeza. A boa recepção de seu trabalho no filme independente “Por Um Sentido na Vida” foi o incentivo que faltava. E é realmente uma pena que, mesmo tendo beleza e potencial, Jennifer tenha se estagnado num nicho exclusivo – o das comédias românticas -, e empacado sua trajetória em fitas cada vez mais apáticas. Sua controversa vida pessoal também não ajudou: Brad a trocou por Angelina Jolie, e daí em diante Jennifer não se acertou, colecionando namorados famosos por onde quer que passasse. Seu mais novo par parece ser Gerard Butler, com quem ela contracenou neste fraquíssimo “Caçador de Recompensas”, em cartaz nos cinemas brasileiros. No filme, eles interpretam um casal divorciado que se vê às voltas num esquema criminoso: ele é um ex-policial, exonerado da Força por mau comportamento, que se torna caçador de recompensas (basicamente levando à Justiça pessoas que tiveram ordem de prisão emitida, mas que não compareceram à cadeia); ela é uma jornalista investigativa que, depois de faltar à uma audiência disciplinar, passa a ser um alvo fácil do ex. E, claro, este reencontro incomum os fará redescobrir o amor, enquanto uma trama de corrupção simplesmente ridícula (a história que a jornalista investiga também a torna alvo dos bandidos) corre ao fundo. Como cinema o resultado é nulo. Como parte da vida pessoal e profissional da atriz, porém, pode ser relevante: Jennifer pode chegar a conclusão de que está se desperdiçando com projetos babacas e dar uma guinada na carreira; ou pode ainda ter finalmente encontrado em Gerard Butler a tampa de sua panela. E devo reconhecer: os dois tem química!

.:. Caçador de Recompensas (The Bounty Hunter, 2010, dirigido por Andy Tennant). Cotação: D+

Categorias:Cinema

Preguiça de Tim Burton

Para minha imensa surpresa, descobri que estou acima do tititi mundano que rodeia a estreia de “Alice no País das Maravilhas” nos cinemas brasileiros. Dispensei a oportunidade de assistir ao longa em seu lançamento oficial no IMAX de São Paulo – uma maratona que se iniciou à meia-noite de Quarta-feira (21) e se estendeu por toda a madrugada. Soube que alguns fãs do diretor Tim Burton compraram ingressos para todas as sessões seguidas!

Meu desinteresse, se é que se pode chamar assim, foi gradual. Assim que as primeiras imagens de “Alice” caíram na internet, fiquei entusiasmado (as postei aqui no blog, inclusive), esperando por coisa boa. Afinal, mesmo não suportando os livros de Lewis Carroll e considerando a animação original da Disney bem chatinha, confiava – e confio! – no bom gosto do diretor e na subversão que ele prometeu fazer em cima do conto original. Mas o teaser que seguiu essas imagens foi um balde de água fria. Primeiro porque a identidade visual do filme, que deveria ser seu ponto forte, não ficou bem destacada, e em seguida porque a Alice era tratada como uma mera coadjuvante frente à presença do Chapeleiro, interpretado pelo parceiro habitual de Burton, Johnny Depp. E olha que a menina que conquistou a personagem-título é bem talentosa – chama-se Mia Wasikowska, e mostrou serviço na série da HBO “In Treatment”.

Essa parceria constante de Burton e Depp rendeu algumas obras inesquecíveis, outras nem tanto. Ultimamente estão me dando certa preguiça. Erraram com a refilmagem de “A Fantástica Fábrica de Chocolates” e com o musical “Sweeney Todd”, e por algum motivo, “Alice” parecia estar mais próximo desses lapsos que dos acertos. A estreia internacional só reforçou a má impressão. A crítica recebeu com frieza e mesmo o público não pareceu ludibriado (embora tenha comparecido em massa aos cinemas, contribuindo para uma bilheteria polpuda). Seja como for, o fato é que os filmes de Tim Burton, com seus visuais mirabolantes e fantasiosos, já exerceram um fascínio muito maior em mim.

Ele merece aplausos por ser um dos poucos diretores do mundo a conseguir criar um mundo próprio, um universo particular com elementos idiossincráticos que volta e meia resgata. Por outro lado, são pertinentes as críticas de que não tem fluência na narrativa, ou de que parte de suas obras caem no esquema “muita forma para pouco conteúdo”. Espero estar enganado e, quando finalmente conferir “Alice”, me emocionar com a mesma facilidade com que fui tocado por “Edward Mãos-de-Tesoura” e “Ed Wood”.

Categorias:Gente

Too little, too late

Lembram-se de quando Michael Moore levou o Oscar por “Tiros em Columbine” e foi vaiado ao mencionar em seu discurso que os Estados Unidos tinham invadido o Iraque por razões fictícias? Pois é. A esmagadora maioria dos americanos custou a acreditar neste fato que o restante do mundo – o Brasil inclusive – já desconfiava e até divulgava como verdade. Acreditavam invés disso no conto de carochinha disseminado pelo governo: de que estavam numa luta contra o Terror, libertando um povo sofrido do líder tirano e buscando armas de destruição em massa. O pivô da Guerra no Iraque, como já estamos carecas de saber, foi o petróleo abundante no solo do país – e toda a jornada do personagem de Matt Damon em “Zona Verde” para chegar a essa mesma conclusão soa quase risível para o espectador.

Também não fica muito claro como devemos encarar este novo longa de Paul Greengrass, que se reúne com Damon depois de conduzí-lo nos dois últimos capítulos da bem-sucedida trilogia “Bourne”. Foi vendido como uma fita de ação, para curtir sem compromisso, tal qual as aventuras de Jason Bourne. Mas vira e mexe se posiciona como um thriller político de pretensa seriedade, e muito menos nobre do que o marcante “Vôo United 93”, que Greengrass realizou em 2006 e por qual ganhou uma infinidade de prêmios. Isso não significa que “Zona Verde” seja ruim. Pelo contrário – tem um elenco legal (além de Damon, que dá um bom protagonista, estão em papeis secundários Greg Kinnear, Amy Ryan, o inglês Brendan Gleeson e o ótimo escocês Khalid Abdalla, visto em “O Caçador de Pipas”) e uma montagem competente dando liga à trama, que não carece de boas intenções. Só parece ter chegado tarde demais, reforçando um fato amplamente assimilado e sendo brando com o governo e mesmo com os soldados (será mesmo que ninguém ali além dos mais altos superiores tinha noção dos verdadeiros propósitos da missão?).

Ter seguido o unânime “Guerra ao Terror”, tido por muitos como o filme definitivo sobre o conflito, também não deve ter ajudado (“Zona Verde” desapontou em termos de crítica e de público). E não são apenas hipotéticas as comparações deste aqui com a obra de Kathryn Bigelow. Eles tem, por exemplo, o mesmo diretor de fotografia, Barry Ackroyd – e não é de se estranhar opções como a de manter a câmera na mão, seguindo os personagens por todo canto, a ponto de dificultar a compreensão do público. Quando bem utilizado, esse artifício pode se tornar o trunfo de um projeto, em especial quando a força das atuações conduz a narrativa (dessa maneira, os atores ficam mais vulneráveis, sem saber de que ângulo estarão sendo observados). Mas “Zona Verde” não é um filme de grandes papeis, visto que os esquemas dramáticos são nada além de superficiais. Logo essa opção se torna um capricho meramente estético, e é fácil identificar uma cena cuidadosamente fora de foco ou um zoom exagerado, mas proposital. Ou seja, sobra técnica e falta emoção. Falta também a reflexão política que o filme tanto promete e não corresponde.

.:. Zona Verde (Green Zone, 2010, dirigido por Paul Greengrass). Cotação: B-

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