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A série que mais amo

Comentei timidamente sobre o quanto “Greek” estava crescendo no meu conceito naqueles posts semanais grandinhos sobre as várias séries que acompanho. Mas o desfecho da terceira temporada me causou uma impressão tão forte que resolvi que chegou a hora de “Greek” ganhar um post individual e caprichado. Produzida e exibida pela modesta ABC Family, a série é sobre as fraternidades das universidades americanas (não se tem algo parecido no Brasil; repúblicas estudantis seriam o nosso substituto aproximado). Começou como um entretenimento honesto, ainda que derivativo e formulaico. Era, no entanto, capaz de agradar e envolver, sempre com muita leveza, sem apelar para baixarias ou ofender, brincando no processo com os clichês do cinema e da TV (é o programa atual com maior número de referências à cultura pop, em especial outros seriados e filmes adolescentes clássicos dos anos 80).

O protagonista é o nerd Rusty, um calouro na faculdade (ou “bixo”, como chamam os paulistas), que resolve se alistar numa irmandade para fazer amigos, conhecer garotas, participar das melhores festas – ter, enfim, a diversão que lhe fora negada no colégio (todos conhecem o sistema de castas que rege a vida dos adolescentes americanos: os populares são os extrovertidos e bonitos por natureza, enquanto os tímidos, inseguros e de aparência comum enfrentam ostracismo). A irmã de Rusty, Casey, é ela mesma membro de uma dessas casas – sonha, inclusive, em ser a presidente interina do lugar, mas tem que brigar pelo posto com a cascavel Frannie. Casey tem uma fiel escudeira, a melhor amiga Ashleigh; e eventualmente Rebecca, a mimada filha de um deputado, também se torna simpática e partidária das duas. Do passado amoroso de Casey fazem parte Evan Chambers, um lobo em pele de cordeiro, riquinho e esnobe, e Cappie, um irresponsável e desleixado que só quer saber de curtir a vida. O problema é que eles são os presidentes de duas fraternidades rivais, a fresca e engomada Omega Chi, e a festeira Kappa Tau. Rusty se alista na segunda, e por isso entra em conflito com o amigo Calvin, que vai para a primeira (também ganha a antipatia de Chambers, então namorado de sua irmã). Completa os personagens fixos Dale, o colega de quarto gordinho e religioso de Rusty.

A primeira temporada foi focada nos trotes a que os candidatos das fraternidades são submetidos, e da segunda em diante, a tensão se voltou para a rixa entre as casas. A terceira, que se encerrou nesta Segunda nos Estados Unidos, foi sobre relacionamentos. Tivemos aqueles troca-troca de casais, e as combinações amorosas mais variadas entre o grupo de personagens fixos (todos os mencionados acima, com exceção de Frannie, que se despediu da série). Mas tudo foi feito com tanto desvelo e cuidado que o espectador sequer fica revirando os olhos com impaciência (como faço atualmente com “Gossip Girl” e os personagens-malas que namoram alguém diferente a cada semana). Sob essa superfície, constatamos uma evolução notável de personagens e situações, e com uma unidade incrível. Mesmo que soe infantilizada de vez em quando, “Greek” tem a ver com amadurecimento – e ao final da season 3, testemunhamos muitos deles (que a essa altura já se tornaram amigos do peito) contestando os estereótipos em que foram encaixados, fazendo escolhas surpreendentes e se obrigando a crescer. A despedida definitiva de alguns deles da faculdade – e das pessoas especiais que conheceram lá – me fez lembrar de todos os amigos com que perdi contato. Nostalgia total!

Não é fácil botar um ponto final numa fase importante da nossa vida. Sair da nossa zona de conforto e assimilar o que a vida será a partir daí é uma das experiências mais assustadoras por que passamos. Claramente isso me toca num nível bastante pessoal – e mesmo que batido, dramaturgicamente falando, me emociono com “Greek”. Sinto mais com uma série simples e sem requintes do que com outra mais sofisticada e pretensiosa. E isso basta para que eu a recomende com entusiasmo, ou mesmo para que a considere a minha série favorita no ar. Faço um elogio extra à Amber Stevens, atriz novata que dá um verdadeiro show como Ashleigh – sem dúvidas, a personagem mais encantadora e apaixonante da TV. Ash, quero guardar você num potinho! Aos fãs, uma notícia excelente: a ABC Family, que não costuma ter séries muito duradouras, confirmou que a quarta temporada de “Greek” sairá do papel! Quem nunca viu pode correr atrás sem medo de ficar desamparado depois que viciar.

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Categorias:TV
  1. markhewes
    31 março 2010 às 3:49 am

    Ah não, a que você ama mais é Buffy, não ouse traí-la, huashuashua.

    • 31 março 2010 às 3:51 am

      Nunca, Mark! huahua… Buffy é a série da minha vida, a melhor ever. Greek é a minha favorita DENTRE as que estão no ar!

  2. markhewes
    31 março 2010 às 3:52 am

    Olha eu empolgado com o seu blog, comento já quando leio o post e agora que vi que é sua favorita no ar, haha. A minha favorita no ar é Glee e a de sempre é Nip/Tuck. Ryan Murphy ia me adorar, huhusauasuash. Mas Buffy já entrou pro meu top. Anyway, preciso ver Greek um dia.

    • 31 março 2010 às 3:55 am

      Ah, agora sim! 🙂 E como Glee não tá no ar há uns meses, por causa desse hiato gigantesco, preenchi seu espaço com Greek! Glee é mais contagiante, mas Greek me faz sentir. Buffy é top da vida!!!

  3. Tiago
    31 março 2010 às 11:31 am

    As vezes eu pego uns episódios soltos na tv por assinatura e acho super bacana, vou pensar seriamento em baixar os episódios ainda mais com esse feriadão fica mais tentador ainda… xD

  4. Caroline®
    31 março 2010 às 1:46 pm

    Vi que vc deu cotação A+ pro último episódio de Gossip Girl. Foi bom assim mesmo? Porque o anterior, sobre a virgindade da Jenny, foi uma chatice só. E ver o Chuck ser passado pra trás outra vez pelo tio Jack me irritou litros….

  5. markhewes
    31 março 2010 às 2:34 pm

    Louis, falando de séries que mais amamos, queria saber se a sua é Buffy mesmo ou Six Feet Under.

    • 31 março 2010 às 3:12 pm

      Tiago, sim, faça isso! Não há de se arrepender! 🙂

      Caroline, foi surpreendentemente bom. Bem mais sagaz do que o anterior. Mas bom para os padrões de Gossip Girl, ou seja, com bastante picuinha e uma estrutura que remete ao bom ano da série. Teve muita besteira tb (a história da mãe do Chuck é ridícula!!!), mas o saldo foi positivo e quase me deixou esperançoso por uma série que eu dava como perdida. Por isso o A+!

      Mark, costumava ser SFU, mas Buffy roubou o posto! o/

  6. 31 março 2010 às 11:56 pm

    Posso pular a 2ª temporada? Tá um tédio!

  7. 1 abril 2010 às 12:12 am

    Nunca assisti! Aliás, estou em falta com as séries de TV! Beijo!

    • 1 abril 2010 às 5:13 am

      L. Vinícius, a season 2 é normal; não é muito boa, nem muito ruim. Mas se vc já não curte nem um pouquinho, acho que a série não é pra você!

      Ka, com a correria nossa de cada dia, não posso culpá-la! Beijo.

  8. Clarissa
    6 abril 2010 às 4:42 pm

    Parabéns pelo excelente blog, Louis. Há muito tempo o acompanho, mas só agora resolvi comentar 🙂

    Greek é uma das séries mais agradáveis de assistir, até quando um episódio não é lá grande coisa ainda consegue ser um bom passatempo.
    É sem dúvida minha série teen preferida (junto com Glee e 10 coisas que odeio em você) e umas das séries que mais fico aguardando sair o episódio.
    Concordo com o que você falou sobre a Ashleigh que é realmente a personagem mais apaixonante da TV e que contribui muito na minha admiração por Greek.
    Agora o negócio é esperar até começar a 4ª temporada.

    Quanto a Gossip Girl, parei de assistir após o season finale da 1ª temporada e não me fez falta alguma.

    • 7 abril 2010 às 5:54 am

      Clarissa, obrigado pelo elogio, pelo comentário e pelas visitas! Quero vê-la sempre por aqui! 🙂 Concordo com suas impressões sobre Greek. É a melhor das séries teen no ar, embora Glee seja mais irresistível e divida este posto no meu coração. A Ash de Greek é uma das minhas personagens favoritas dentre qualquer série no ar!! Esperando a season 4 como a vida! E entendo você ter largado Gossip Girl. Ainda curti a segunda temporada, mas o finale da primeira foi horrível! Beijo.

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