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Multimeios

Transpor uma série de TV bem-sucedida para os cinemas nem sempre é uma boa ideia. Ainda que financeiramente seja uma aposta segura para os estúdios, o resultado tende a desapontar ou a ficar restrito aos fãs do original. A esmagadora maioria dessas adaptações não tem a aparência de um filme, e sim de um episódio esticado, que os admiradores antigos acabam apreciando mais por saudosismo do que por qualquer outro motivo. Foi o que aconteceu com “Sex and the City” e “Arquivo X”, ou com “Os Normais” e “A Grande Família” aqui no Brasil.

Mesmas piadas em telas diferentes

Quando o seriado em questão parou de ser transmitido há muito tempo, mas ainda possui uma ampla legião de seguidores, inventam de repaginar a premissa, resgatando personagens em novos intérpretes, ou sugando só a ideia básica. Às vezes não dá em nada (vejam a bobagem que se revelou “As Panteras”, por exemplo), mas em geral tende a funcionar. “Miami Vice”, do Michael Mann, foi bacana; idem para “Agente 86”, com o Steve Carrell. Por aqui, “O Castelo Rá-Tim-Bum” se tornou com facilidade o melhor filme infantil gerado por nosso cinema. O diretor Cao Hamburger compreendeu as diferenças de uma tela para a outra, bolou mudanças pertinentes e as executou de maneira positiva.

Vira e mexe surgem boatos de que “Veronica Mars” e “Arrested Development”, que não foram muito bem compreendidos em suas passagens pela TV, possam ganhar uma sobrevida nos cinemas (ou mesmo num telefilme com o mesmo propósito). Os órfãos dessas duas preciosidades torcem para que os projetos saiam do papel. É arriscado, claro. Mas tem gente muito inteligente trabalhando por trás para impedir que erros fáceis sejam cometidos. Por outro lado, não sei se gostaria de ver “Friends” na telona. Em primeiro lugar, o elenco partiu pra outra, e quer a todo custo se desvencilhar dos personagens (o que quase ninguém conseguiu). De dinheiro eles não precisam: fizeram seu pé-de-meia nos dez anos em que a série ficou no ar, e ainda ganham bicas com as reprises e vendas de DVD. Por ser sitcom, “Friends” também nos acostumou com as risadas da plateia, e seria no mínimo estranho reencontrá-los “a seco”, sem claque.

O mais novo seriado disposto a fazer essa transição é o inglês “Skins”. Famoso por retratar a adolescência sem as caramelizações dos programas americanos, conseguiu ter duas temporadas interessantes, mas não resistiu à troca dos personagens principais e derrapou feio daí em diante. Como deixei de acompanhar, não sei se a série chegou a se levantar no restante da season 3, ou mesmo nessa 4. Também não sei o que esperar do filme, nem dos personagens que estarão inclusos. Da galera original, a maioria se mandou, procurando novos horizontes. E alguns até deram certo: Dev Patel foi o protagonista de “Quem Quer Ser Um Milionário?”, e Nicholas Hoult, que quando criança fez “Um Grande Garoto”, é o aluno que seduz Colin Firth em “Direito de Amar”.

A nova geração de Skins

Também há quem faça o caminho oposto: filmes cultuados que dão origem à séries de TV honônimas. É assim com a recente “Parenthood”, inspirada no longa de Ron Howard. Também é o caso de “Friday Night Lights” (baseado num filme inspirado num livro!), “Eastwick” e “10 Coisas Que Eu Odeio Em Você”, só pra citar algumas atuais. E não para por aí. “Ugly Betty” tomou o escopo da telenovela colombiana. “True Blood”, “Flashforward”, “Gossip Girl” e “The Vampire Diaries” vieram dos livros. “Californication” e “Life on Mars” foram desdobradas a partir do título de músicas conhecidas! “Battlestar Galactica” e “V” são refilmagens de outras séries de TV. “90210” e “Melrose Place” são sequências! Pois é, quando eu ia me convencendo de que a televisão americana está com tudo, começo a ponderar se existe, de fato, algo inteiramente fresco e original a partir dela. O que vocês acham?

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Categorias:Cinema, Diversos, TV
  1. Bárbara :)
    22 março 2010 às 11:43 am

    O filme Arquivo X para mim, que segui a série inteira foi uma decepção.

  2. 22 março 2010 às 6:59 pm

    Já diria Chacrinha: no mundo, nada se cria, tudo se copia…

    • 22 março 2010 às 11:47 pm

      Bárbara, nem tive tanto contato com a série, mas pelo filme não vi nada que justifique a badalação mesmo!

      L. Vinícius, até certo ponto concordo. Afinal, o que há pra se dizer que já não tenha sido dito?

  3. 23 março 2010 às 12:16 am

    Olha, Louis, acho que não se pode generalizar! A TV norte-americana tem grandes lampejos de criatividade, mas também requenta outras ideias que parecem mortas. Mas, eu acho que, no geral, a TV vive um grande momento. São muitos os bons programas de qualidade. E isso se reflete na nossa dificuldade em tentar equilibrar o ato de assistir a todos eles. Beijos!

    • 23 março 2010 às 4:06 am

      Ka, acho que a generalização cabe aqui sim, mas não sei se isso é necessariamente negativo, já que uma mídia costuma se apoiar na outra constantemente (não só a TV americana), com resultados benéficos para todos. Só implico quando nessas transposições mancham o original, ou quando tomam alguma decisão puramente comercial sem respeito aos fãs. Mas claro, o vício em séries é eterno! 🙂 Beijo.

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