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Filme B de bosta

Fiquei empolgado quando vi o trailer de “Vírus” numa sessão de cinema qualquer, mas fora essas exibições programadas, o filme foi pessimamente distribuído no Brasil. Tanto que eu nem fiquei sabendo que tinha entrado oficialmente em cartaz (se é que de fato entrou). Acontece que estava perambulando por aí e encontrei uma cópia passando numa sala de segunda mão. E como o curioso que sou, fui ver qual era a dele. Escrito e dirigido por dois irmãos espanhóis, uns tais de Àlex e David Pastor, foi rodado com poucos recursos, o que o deixou com o aspecto sujo de filme B, no sentido mais pejorativo do termo. A fotografia é pobre, a edição é mal feita e as interpretações são displicentes. Sem enrolações, o filme é calamitoso – e não de uma maneira charmosa, que possa despertar o interesse de um público específico (não tem fôlego para se tornar cult, enfim).

Apesar disso, gosto do ponto de partida. Na trama, um vírus incurável leva as pessoas que o contraíram à morte num curto período de tempo. Nesse ritmo, a raça humana chega à beira de extinção, e os protagonistas – dois irmãos e suas namoradas – são alguns dos únicos sobreviventes. Eles perambulam por uma América quase deserta, tentando se manter imunes e seguindo regras inflexíveis para preservar a segurança. Se está achando tudo familiar demais, tem razão: vimos plots similares nessa mesma temporada, no bonito “A Estrada” e no avacalhado “Zumbilândia”. Este aqui é mais puxado para a juvenilidade do segundo, mas almejando a carga dramática do primeiro. É fácil prever que não atingem densidade alguma, até porque o roteiro investe no thriller nas mesmas proporções, e os diretores não sabem dar molde às cenas de suspense. Nenhum personagem é capaz de despertar a empatia do público, e mudam de caráter e atitude sem justificativas prévias. Tentam aprofundá-los usando truques baratos, como intercalar – mal e porcamente – à narrativa filmagens caseiras dos irmãos ainda crianças, se divertindo numa praia muito antes do desespero do presente (essa praia, aliás, é para onde eles rumam, na esperança de encontrar um território neutro). Ainda que numa ou outra situação tenhamos uma vaga ideia da merda que aquilo deve estar sendo, o filme falha em lapidar as pontas, achar um centro e decidir qual história está querendo contar.

O elenco é constantemente sabotado pelo texto, mas tem rostos conhecidos, a quem possa interessar: o líder do grupo é o galã Chris Pine, alçado à condição de astro pelo novo “Star Trek”; sua namorada é Piper Perabo, que você deve conhecer como a filha mais velha da franquia “Doze É Demais”; o co-protagonista é Lou Taylor Pucci, daquele filme indie “Impulsividade”; a outra viajante é Emily VanCamp, a Rebecca de “Brothers & Sisters”; a menina que aparece contaminada no começo é a filha de Don Draper em “Mad Men”; o pai dela é Chris Meloni, de “Oz” e “Law and Order – SVU”; o médico que aparece de relance defendendo a eutanásia é Mark Moses, o Paul Young de “Desperate Housewives”. Se parece que entrego muito do enredo com a exposição dos personagens, não se engane: não fiz mais do que o próprio trailer, que divulga mais de dois terços do filme, editados para parecerem muito mais interessantes do que realmente são. Estava pré-disposto a gostar, mas simplesmente não consigo recomendá-lo a ninguém. Nem a quem se atrai por coisa ruim.

.:. Vírus (Carries, 2009, dirigido por Àlex e David Pastor). Cotação: D-

Categorias:Cinema
  1. markhewes
    11 março 2010 às 1:11 am

    A melhor coisa em ver um filme ruim é falar sobre ele.

  2. 11 março 2010 às 1:43 am

    ZERO interesse de ver este filme, Louis! Beijo!

  3. Fabio
    24 maio 2010 às 7:34 pm

    É, é um filme pouco indicado a quem é mais afeito a blockbusterzinhos com soluções fáceis

  4. 4 julho 2010 às 10:42 pm

    Só de ter a maravilhosa Emily VanCamp fico com vontade de ver esse filme. Ou será que ela só faz uma pontinha?

    • 5 julho 2010 às 5:28 am

      Fabio, acho que o filme é pouco indicado a qualquer pessoa com o mínimo de cérebro.

      Marcus Valério, não, Emily tem um papel bem ativo no filme!

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