Início > Premiações > Oscar 2010: Comentário sobre Cerimônia e Premiados

Oscar 2010: Comentário sobre Cerimônia e Premiados

Enquanto o Oscar 2010 ainda está fresco na minha cabeça, vou comentar um pouco sobre a cerimônia e a distribuição das estatuetas:

Para começar, adorei a abertura, da aparição surpresa de Neil Patrick Harris com um número musical super oldschool à comicidade de Alec Baldwin e Steve Martin. Os dois se entrosaram com facilidade, servindo de escada para as piadas um do outro. Algumas dessas piadas foram manjadas, mas não sou o melhor para julgar: muito do humor que faz a alegria dos americanos não me apetece. E a plateia no Kodak Theatre foi muito receptiva. O que já é o bastante. Por outro lado, não funcionou a rotina de Ben Stiller fantasiado de Na’vi! A gag se estendeu mais do que o necessário, e foi à sua maneira tão sem-graça quanto a imitação de Joaquin Phoenix no ano anterior.

A festa me pareceu meio bagunçada aqui e ali. TV ao vivo é difícil de fazer, mas nunca antes tinha visto no Oscar – ou numa cerimônia de tamanha magnitude – vacilos tão evidentes. Viram só quantas vezes a câmera ficou flutuando? E quando cortavam para alguém na plateia, para complementar uma piada ou testemunhar um colega sendo premiado? Às vezes estava escuro demais e não dava para perceber quem estava sendo focado; às vezes captavam reações erradas (perdi a conta de quantas vezes vi George Clooney com cara de contrariado); às vezes mudavam para a câmera errada, que não mostrava coisa alguma, e corriam consertar o erro. O som também parecia defeituoso, como se o microfone dos apresentadores fizesse eco no auditório.

Não gostei da modificação que fizeram na apresentação do clipe In Memoriam, algo que já vem desde o ano passado: colocaram alguém cantando – no caso James Taylor – enquanto mostravam no telão membros da indústria que faleceram nesse ano que se passou (alguém fez uma colocação ótima no Twitter: “não é só o Rock in Rio que ressuscita o James Taylor a cada dez anos!”). Esse era um momento dos falecidos, e não de Mr. Taylor! A escolha dos que aparecem no clipe também pareceu totalmente arbitrária (sequer se lembraram da coitada da Farrah Fawcett, que teve a morte obscurecida pelo Michael Jackson).

Não entendi porque perderam tanto tempo com algumas categorias – como a de Trilha Sonora, que trouxe artistas de rua dançando de acordo com as melodias indicadas – e correram com outras – como a de Fotografia, que poderia ter deslumbrado com cenas dos filmes indicados e acabou mostrando nada. Achei ainda que algumas homenagens justas – como aos filmes de horror – ficaram manchadas por besteiras (encontraram “Lua Nova” lá no meio? Hollywood tem que parar de tentar encaixar “Crepúsculo” em tudo e qualquer coisa). Não saquei também porque fizeram uma homenagem individual ao John Hughes. Tá, ele era o máximo e dirigiu um dos meus filmes favoritos, “Clube dos Cinco” (o elenco chegou a se reunir, demais!). Mas tanta gente boa morre e não ganha mais do que cinco segundos no clipe mencionado acima. Enfim…

Repararam que quase tivemos uma repetição do Kanye West no MTV Movie Awards? Uma doida de roxo roubou o momento do diretor do Melhor Curta de Documentário! Enquanto ele discursava absorto, ela subiu no palco e o cortou sem cerimônias! A diferença é que também estava envolvida na produção e só queria uma chance de falar no microfone. Mas que ficou deselegante, ah ficou! Eu fiquei chocado. (Aliás, por não ter visto nenhum dos curtas, não posso julgar o merecimento dos prêmios, mas achei no YouTube o Melhor Curta de Animação, “Logorama”.)

A transmissão da TNT, que se orgulha de mostrar tudo na íntegra (a Globo perde os primeiros blocos para dar prioridade ao “Big Brother”), também teve problemas. A tradutora do canal é um entojo (não aguentava ela convidando pra ver o “mega filme” de Março, “O Amor Não Tira Férias”!), e Rubens Ewald Filho vive dando bolas foras. Sem mencionar que não exibem em HD, e passam tudo com um atraso de 15 segundos! Por vezes a imagem travou e, logo no comecinho, simplesmente saiu do ar, para botar um comercial em cima da cerimônia. Um fiasco.

Dia Internacional da Ex-Mulher

Os prêmios em si foram normais. A maior surpresa talvez tenha sido o prêmio de Roteiro Adaptado para “Preciosa”, quando tudo indicava que “Amor Sem Escalas” era o favorito absoluto na categoria (o filme de Jason Reitman, aliás, saiu de mãos abanando). Roteiro Original para “Guerra ao Terror” acima de “Bastardos Inglórios” foi de doer, mas não uma surpresa. Afinal, suspeitava-se que o longa de Katherine Bigelow pudesse ser o grande vencedor da noite – e foi. Além dos dois prêmios máximos, Filme e Direção (Bigelow, a primeira mulher a vencer na categoria, foi ovacionada!), ganhou as duas de Som e Montagem – seis no total. O principal adversário, “Avatar”, terminou com a metade, três (Efeitos, Fotografia e Direção de Arte). “Bastardos Inglórios” ficou com Ator Coadjuvante (a barbada Christoph Waltz), e “Preciosa”, com Atriz Coadjuvante além de Roteiro (Mo’Nique foi aplaudida de pé, mas esbanjou arrogância no discurso, agradecendo a Academia por votar pela performance e não pela política – ou seja, dizendo que acha seu trabalho superior ao das concorrentes). Um momento de orgulho pessoal foi a aposta (correta) em “O Segredo de Seus Olhos”, o argentino que venceu Filme Estrangeiro (o segundo Oscar para o país – acorda, Brasil!).

Rainha!

Para apresentar Melhor Ator e Atriz, resgataram aquele esquema do ano passado, trazer “padrinhos” para fazer elogios aos indicados. Não curto a ideia; parece tudo ensaiado demais e autêntico de menos (dito isso, foi bonito ver Oprah louvando Gabby Sidibe, e adorei ver Julianne Moore e Michelle Pfeiffer lado a lado, para falar de Colin Firth e Jeff Bridges, respectivamente). Bridges ganhou, é claro, e já não era sem tempo. Atriz era mais imprevisível – Sandra Bullock era a franca favorita, mas pelo menos outras três indicadas (todas com exceção de Helen Mirren) tinham chances reais de vitória. Ganha Sandra, que tinha sido eleita a Pior Atriz pelo Framboesa no dia anterior (com espírito esportivo, ela compareceu para aceitar o troféu). Não mereceu o Oscar, mas aquele discurso, hein? Arrasou, Sandra. Muito mesmo. Precisamos de mais pessoas como ela na indústria.

Com isso, me despeço. Oscar só ano que vem, mas as previsões seguintes nem demoram tanto para chegar. Fiquem de olho.

P.S.: Por que será que voltaram a usar a frase “And the winner is…” no lugar de “And the Oscar goes to…”? Já tinha acostumado do outro jeito. A impressão que eu tenho é que a Academia tá desesperada para resgatar o glamour da velha Hollywood, com cerimônias que remetem cada vez mais ao passado. Só que esse mundo não existe mais, e saudosismo não rola. É pra frente que se anda, meu povo!

Categorias:Premiações
  1. Breno Adegas
    8 março 2010 às 5:12 am

    Adorei o discurso da Bullock também, apesar de concordar que a vitoria de Meryl era mais merecida… e, sem paciencia,apelei pra tecla sap da metade da cerimonia pra frente. =D

  2. Francisco
    8 março 2010 às 5:13 am

    “O Dia Internacional da Ex-Mulher”

    Ri demais com essa hauhauahauahauahuahau

  3. 8 março 2010 às 5:18 am

    quanta coisa errada nessa transmissão, affe. vi na TNT num SAP eterno. sô nem louca de ouvir Rubens falando merda.
    no fim fiquei feliz com Guerra ao Terror. não é meu predileto mas ainda assim achei bacana. Bigelow passando mal foi lindo de ver, a cinta tava apertada, né? nem respirava direito a moça.
    sinto por Bastardos, que saiu sem quase nada. pelo menos Waltz, tão lindo de barba!!!
    tb fiquei chocada com a mulher de roxo. que medo daquilo. e com a engasgada da Twilight lá, hahaha. ri litros.
    e Sandra Bullock, que emoção. pulei mais que no Globo de Ouro. ela só devia ter começado a falar com ‘então que ontem eu ganhei o framboesa…’.
    achei fofíssima a Preciosa sendo apresentada pela Oprah. eu, diferente de vc, adoro esse esquema de padrinho. acho fofo de verdade, mesmo com texto ensaiado.
    e que terror o final. Tom Hanks entra correndo, fala, ninguém nem vê e acaba! maravilha de organização!

    =**

    • 8 março 2010 às 3:19 pm

      Breno, seu sortudo! Não consegui botar o SAP aqui. Até desisti de rever Magnólia, que começou no TNT depois da cerimônia, porque não ia pro áudio original…

      Francisco, e não é? huahuahuahua!

      Quéroul, adoro seus comentários de uma perspectiva feminina!🙂 Nem reparei que Bigelow tava de cinta apertada! LOL. Mas me lembro de ter achado que a Sarah Jessica Parker ia engasgar com aquele negócio quase na garganta. A tradução simultânea (blergh!) não me deixou ouvir o pigarro da Kristin Stewart, mas ri muito com o povo comentando no Twitter e depois vou procurar em vídeo. Quanto à mulher de roxo, li no ONTD que ela estava processando o diretor do curta, e por isso subiu na cara dura! Oo Bullock arrasou MUITO no discurso, mas ganhou o prêmio não pela atuação e sim pela sua persona (o que, dependendo de como as pessoas encaram a premiação, é até mais digno). Não curto os padrinhos, mas Oprah louvando Gabourey foi um dos momentos mais emocionantes da festa. Sobre o Tom Hanks, li um comentário hilário: “O barro que ele queria soltar estava na porta!!!” HUAHUAHUAHUA. Beijo! o/

  4. 8 março 2010 às 3:21 pm

    A edição foi fraca … sim … mas os vencedores … bem … até o momento de melhor atriz tava tudo indo no script … porém os dois ultimos … ainda não tá passando no gogó … mas fazer o que? depois o povo se lembra que premiou o filme errado … e que muitos do que foram indicados ganham a eternidade.

    E sim, extremamente feliz com as vitórias de Up e o Segredo dos Seus Olhos.

    • 8 março 2010 às 3:24 pm

      JP, preferia Avatar, mas não abomino The Hurt Locker. Acho um filme bem bom, e aceito todas as vitórias, com exceção de Roteiro Original. E acho que o filme vai envelhecer bem. Assim como você, as vitórias de Up e do filme argentino foram muito comemoradas por mim!😉

  5. Paulo
    8 março 2010 às 3:26 pm

    Para mim, o ponto alto da noite foi realmente ver Michelle Pfeiffer e Julianne Moore,lado a lado, tão lindas aos cinquenta e poucos anos. Agora, deixar a Farrah Fawcett de fora do vídeo em memorium foi o ponto mais baixo.

  6. 8 março 2010 às 3:29 pm

    Mas já sabia que o filme vinha forte desde … setembro … epic win for meeee
    eheheheh

    • 8 março 2010 às 3:51 pm

      Paulo, e ainda não desisti de verem as duas sendo premiadas com o Oscar qualquer dia!🙂 E todo mundo comentou da esnobada à Farrah, ficou feio!

      JP, I give you that, mas lembre-se que o filme tb foi minha aposta final! huahuahua

  7. 8 março 2010 às 10:26 pm

    Eu achei um show muito monótono – o do ano passado foi melhor anos luz que esse. Senti falta das canções indicadas, não gostei da dinâmica entre Alec Baldwin e Steve Martin. Os prêmios foram para os esperados, exceto em Roteiro Adaptado e Fotografia. Espero que a AMPAS faça melhor em 2011! Beijo!

  8. Rafaella Sousa
    9 março 2010 às 1:02 am

    Nunca ganham os meus favoritos… Mas é a vida né! Como você bem comentou, desorganização pouca é bobagem hein! Adorei o número de abertura, porque eu amo o Neil Patrick Harris e tô de-ses-pe-ra-da pelo episódio de Glee em que ele vai aparecer, então, pensei “Esse Oscar vai ser bom hein!”. Que nada! O do ano passado foi bem melhor. Pô, um Oscar produzido pelo Adam Shankman tinha que ser, no mínimo, mais musical e mais dançante né? Porque ninguém merece ver aqueles dançarinos numa coreografia sem graça ao som da trilha sonora quase inexistente de Guerra ao Terror né? E ainda tiraram as músicas! Imagina o número foda que eles poderiam ter feito com as músicas da Disney? Tipo, apresentar as duas juntas num mesmo número como fizeram com as músicas de Dream Girls, sabe? Bem, fora isso, quase joguei meu monitor pela janela quando o Tarantino não levou o de Roteiro Original. Achei no mínimo deselegante terem escolhido algumas pessoas pro In Memoriam. E a Farrah Fawcett coitada? E, apesar de ter adorado ver Ferris e o Clube dos Cinco, essa homenagem pro John Hughes também me pareceu estranha. Ri litros quando aparece uma cena de Lua Nova no clip de filmes de horror! E chorei oceanos quando a Julianne Moore falou do Colin Firth, porque eu amo os dois e queria absurdamente que ele ganhasse. Sandra ganhou, não merecia muito, mas tudo bem. E o discurso dela foi mesmo foda! Enfim, como eu disse no Twitter, não sei quem produziu o Oscar do ano passado, mas tragam de volta pro ano que vem, pelo amor de Deus!

  9. 9 março 2010 às 2:06 am

    Cerimônia bastante chatinha e morna, sem sal.

    Visto que os filmes deste ano nem todos foram empolgantes, fato.
    Sandra Bullock melhor atriz? Era a mais fraquinha das indicadas, sinceramente. Até Carey Mulligan por Educação estava melhor que ela! Lamentável, como sempre as premiações são estranhas – lembra de Reese Whiterspoon ter tirado o Oscar de Felicity Huffman por Transamerica? Julia Roberts ter tirado o Oscar das mãos de Ellen Burtyn por Requiem para um sonho? como sempre, filmes comerciais imperam mais – vide as atuações. Fato!

    Guerra ao terror é bom, sim…mas, Bartados Iglorios que deveria imperar nas premiações…só levou o oscar de coadjuvante? Sem comentários.

    Jeff Bridges merecia há anos, esse sim valeu a pena! foi bonito de ver. Gostei das premiações técnicas de Avatar, mas merecia melhor som e mixagem também! Boa a premiação de filme estrangeiro, apesar do páreo duro este ano nessa categoria. Essa sim teve filmes densos e interessantes!

    Taylor Lautner e Kristen Stewart estavam agradáveis na apresentação dos filmes de terror – o que Lua nova também fazia nas cenas juntos com os filmes de terror? Achei estranho também, visto que o filme não é macabro, mas acho que o critério de seleção dos filmes era mais por ter elementos do horror(vampiros, lobisomens, etc). Vai entender mesmo, rs.

    Bela homenagem a John Hughes, momento ápice da Cerimônia e tenho dito!

    Eu acho que a trilha sonora deveria ter sido por James Horner, Avatar ou mesmo o de Hans Zimmer que fez um belo trabalho no Sherlock Holmes – mas, você vai me condenar, mas eu preferia mesmo é que a trilha de Alexandre Desplat por Lua Nova tivesse sido vencedora, já escutou? recomendo! Sério, o score é lindo e intenso.

    Bom, que venha o próximo Oscar!

    • 9 março 2010 às 9:29 am

      Ka, achei o show do ano passado bem mais descompassado. A cerimônia geralmente é monótona pela previsibilidade dos prêmios, mas eu fiquei bem ansioso com uma ou outra categoria em que imaginava que pudesse acontecer uma surpresa (Melhor Atriz, por exemplo)! Mas sim, tem muito o que melhorar pro ano que vem! Beijo.

      Rafaella, concordo com seus comentários em geral, só que ainda prefiro essa cerimônia à do ano passado. Achei uma pena terem cortado a apresentação das canções, mas pior foi a desculpa esfarrapada para isso: disseram que tomaria muito tempo da cerimônia! Mas fala sério, e o tanto de tempo que perderam com aquela dança na categoria de Trilha?? Também fiquei puto pela derrota de Bastardos em Roteiro Original, mas as escolhas acabaram sendo mais positivas que negativas no final das contas. Quem poderiam trazer do ano passado pro próximo Oscar é o Hugh Jackman!😉

      Cristiano, Carey Mulligan não estava só melhor que Sandra, mas também superior a todas as indicadas que já assisti (me falta ver Helen Mirren). O sucesso comercial do filme de Bullock ajudou, mas sua vitória, assim como a de Reese e Julia, se deve ao fato dela ser uma estrela de primeira grandeza, simpática e muito querida! “Avatar” tinha minha torcida para praticamente tudo (com exceção de Direção, que tinha que ser mesmo de Bigelow, e de Mixagem de Som, onde “Guerra ao Terror” também é excepcional), mas “Bastardos” tinha que ganhar Roteiro Original, sem sombra de dúvidas! Essa homenagem aos filmes de horror deixa a dúvida: será que a Academia sabe o que realmente constituí o gênero? Escolheram muitos dos filmes mais representativos, mas mancharam com cenas de Lua Nova, que não tem nada a ver! Montagens amadoras do YouTube fariam melhor. Hughes merecia uma homenagem, mas repito que não entendi porque ganhou um In Memoriam à parte, visto que sequer foi indicado ao Oscar em toda sua carreira! E não te condeno por gostar da Trilha de Lua Nova: é um trabalho super competente do Desplat, mais uma vez (só que acho que pelas novas regras da categoria ele não pode competir consigo mesmo, ou seja, concorrer por mais de um trabalho, e já constava na lista por Fantastic Mr. Fox); a trilha de Avatar era minha favorita, mas a vitória de Up não foi injusta. Até o próximo Oscar! o/

  1. No trackbacks yet.

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: