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Oscar 2010: Análise e Previsão dos Vencedores

É hoje! A premiação mais comentada do cinema mundial está há poucas horas de distância, numa apresentação conjunta de Steve Martin e Alec Baldwin! Como não poderia deixar de ser, solto minha lista de apostas, com comentários aprofundados sobre cada categoria! Sem mais delongas, vamos lá:

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FILME

Foi um erro terem estendido as vagas de cinco para dez, já que basta olhar para a categoria de Direção para separar os favoritos daqueles que só estão aí para fazer volume. No último caso, temos a belíssima animação “Up” (que deve vencer na sua categoria própria), os ótimos “Educação” e “Um Homem Sério”, o superestimado “Distrito 9” e o medíocre “Um Sonho Possível”. Dentre os que brigam com maiores chances estão o defeituoso “Preciosa” e o inteligente, mas irrelevante, “Amor Sem Escalas”. O prêmio, entretanto, deve ficar com um desses três: “Bastardos Inglórios “, do Tarantino, que tem o apoio da classe dos atores (maioria na Academia); “Avatar”, o (novo) fenômeno de James Cameron; e “Guerra ao Terror”, de Kathryn Bigelow, que teve um dos produtores envolvido numa polêmica (ele mandou e-mails para os votantes pedindo apoio e denegrindo o principal concorrente; quebrou uma regra direta da Academia e, como punição, foi impedido de comparecer à festa). Minha aposta: Guerra ao Terror.

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DIREÇÃO

Kathryn Bigelow, por “Guerra ao Terror”, deve ser a primeira mulher a vencer na categoria. Só outras três tinham sido indicadas antes dela: a italiana Lina Wertmüller (“Pasqualino Sete Belezas”, 1975), a neozelandesa Jane Campion (“O Piano”, 1993) e a americana Sofia Coppola (“Encontros e Desencontros”, 2003). Numa situação inédita, Bigelow disputa diretamente com o ex-marido James Cameron, o segundo na fila pelo prêmio (embora não creio que a Academia queira ouví-lo reprisar o grito de “Eu sou o rei do mundo!”, como fez ao receber a estatueta por “Titanic”). Quentin Tarantino, Jason Reitman e Lee Daniels completam os indicados.

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ATOR

Colin Firth merece e tem meu voto imaginário. Mas meu dinheiro (metafórico, é claro) fica com Jeff Bridges, que levará um prêmio sentimental por “Coração Louco” (onde não deixa de ter uma boa atuação, para todos os efeitos). Aplausos também para Jeremy Renner, que penava para conseguir trabalho (sua maior renda vinha de mansões antigas que ele comprava, reformava e revendia com lucro), e que a partir desse reconhecimento passou a ser muito requisitado. Foi um equívoco, porém, indicar Morgan Freeman por “Invictus”. George Clooney, se não merecia a indicação, ao menos está amadurecendo, interpretando variantes de sua persona com cada vez mais sucesso.

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ATRIZ

Ficou faltando ver Helen Mirren dentre as finalistas. Das quatro restantes, Carey Mulligan tem a melhor interpretação com folga, mas não aconteceu nas premiações americanas (e a vitória no BAFTA não deve bastar para revigorar suas chances). Gabby Sidibe também convence como a protagonista de “Preciosa”, mas não terá carreira longa, pelo tipo difícil de escalar. A disputa, ao que tudo indica, se fechou entre Meryl Streep, ótima em “Julie & Julia”, e Sandra Bullock, acima de sua média habitual em “Um Sonho Possível”. Toda minha torcida é da primeira – afinal, temos que ver esse bendito terceiro Oscar sair, e a interpretação em questão é boa o bastante para isso. Bullock lidera a bolsa de apostas, mas é com Meryl Streep que fico até o fim.

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ATOR COADJUVANTE

Ainda não vi Christopher Plummer. Dos restantes, votaria, sem pensar duas vezes, em Christoph Waltz, que deve mesmo ser o vencedor por “Bastardos Inglórios”. Desde o prêmio em Cannes no ano passado, ele tem ganhado tudo a que tem direito – no que poderia ser também uma briga na vaga de protagonista. As indicações de Matt Damon e Stanley Tucci são simplesmente injustificáveis: ambos tiveram performances melhores no ano, Damon em “O Desinformante” e Tucci em “Julie & Julia”, e acabaram lembrados por trabalhos nada mais que medianos. Mas Woody Harrelson por “O Mensageiro” foi uma boa opção, ainda que tenha me entretido mais em “Zumbilândia”.

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ATRIZ COADJUVANTE

Com exceção de Penélope Cruz, que nada fez em “Nine”, as demais indicadas estão muito, mas muito bem mesmo. Não é segredo para ninguém que este prêmio já é de Mo’Nique, que levou tudo no caminho pelo retrato de uma mãe abusiva em “Preciosa”. As restantes podem ficar satisfeitas com a menção – Anna Kendrick é promissora, Vera Farmiga é estonteante, e Maggie Gyllenhaal é das mais interessantes de sua geração.

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ROTEIRO ORIGINAL

O Sindicato dos Roteiristas não serviu como um grande indicativo este ano. Os profissionais que não são credenciados à instituição – como Tarantino, favorito ao prêmio por “Bastardos Inglórios” – sequer puderam ser indicados ali. Acabou vencendo o jornalista Mark Boal, pelo texto acadêmico e nem sempre impecável de “Guerra ao Terror”. Ele e Tarantino disputarão essa estatueta ombro a ombro. Minha aposta fica sendo “Bastardos Inglórios”. Gosto muito ainda de “Up” e “Um Homem Sério”, mas o quinto indicado, “O Mensageiro”, que tenta ser um estudo intimista do protagonista, nem é assim tão especial. Ficou faltando uma menção à “Avatar”.

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ROTEIRO ADAPTADO

Prêmio certo de Jason Reitman e Sheldon Turner por “Amor Sem Escalas” (aliás, deve ser a única vitória do filme). Como segunda opção, “Educação”, do escritor Nick Hornby. Quanto aos demais indicados, repito que “Distrito 9” é discutível, e “Preciosa” ainda mais irregular. Tentei correr atrás, mas não consegui ver a tempo o último indicado, “In the Loop”. É uma comédia inglesa muito bem recomendada.

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MONTAGEM

Uma das categorias mais co-relacionadas à principal. Dificilmente um filme ganha o prêmio máximo sem estar ao menos indicado aqui (e a não-indicação de “Amor Sem Escalas”, que perdeu a última vaga para “Preciosa”, foi o maior indicativo de que o filme de Jason Reitman não foi tão adorado quanto se esperava). Trata-se de outro embate fechado entre “Guerra ao Terror” e “Avatar” – e de acordo com as previsões acima, aposto no primeiro. Gosto ainda da edição de “Bastardos Inglórios” (reparem como ninguém fica fora de evidência naquela longa sequência da taverna) e, apesar dos pesares, de “Distrito 9”.

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FOTOGRAFIA

Vou com o vencedor do sindicato, o estrangeiro “A Fita Branca” – de fato, o mais merecedor dos indicados. “Guerra ao Terror” também seria uma opção viável (só pela saturação não oscilar já merece elogios), e “Avatar” não pode ser desconsiderado de nada. “Bastardos Inglórios” merece a menção, mas não deve convertê-la em estatueta. A maior surpresa da categoria foi a inclusão de “Harry Potter e o Enigma do Príncipe”: a fotografia ali foi essencial para firmar o clima sombrio e afastar a série do seu início colorido e solar.

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DIREÇÃO DE ARTE

Ainda que o visual deslumbrante da lua Pandora tenha sido criado por computação gráfica, o chamativo desenho de produção de “Avatar” deve ficar com a estatueta. Não vi “A Jovem Vitória”, mas me impressionei com a reconstituição de época de “Sherlock Holmes” (que talvez tivesse meu voto e que destaco como runner-up) e com o teatro ambulante de “O Mundo Imaginário do Dr. Parnassus”. Incompreensível é a lembrança à “Nine”, em vaga que poderia ter sido de “Bastardos Inglórios” ou de “Harry Potter”.

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FIGURINO

Quatro dos cinco indicados são filmes de época (a exceção é “Dr. Parnassus”). Irei com aquele que parece ter os figurinos mais espalhafatosos, “A Jovem Vitória”, considerando também as outras duas indicações que o filme recebeu. Novamente não carecia indicar “Nine”, mas “Brilho de Uma Paixão” e “Coco Antes de Chanel” tem guarda-roupas caprichados.

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MAQUIAGEM

Categoria difícil de prever na fase de indicações, mas menos complicada à essa altura. Afinal são apenas três indicados (e pelo sistema de votação diferenciado, pode ter apenas dois ou simplesmente nenhum, se os filmes não atingirem a nota de corte). Fizeram bem em lembrar do italiano “Il Divo”, mas o prêmio deve ir mesmo para “Star Trek”. Preciso ver “A Jovem Vitória” para completar o ciclo…

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EFEITOS VISUAIS

“Avatar”, é claro! Alguém duvida? Devo acrescentar, porém, que essa categoria faria bem em estender as vagas. São apenas três, e pelo menos cinco filmes do ano – mesmo que ruins no resultado final – tiveram efeitos sensacionais. “Avatar” está em outro nível, mas aplaudo os concorrentes “Star Trek” e “Distrito 9” pela competência.

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TRILHA SONORA

Impressão minha ou essa categoria está mais rica a cada ano? Gosto de todas as trilhas finalistas, até mesmo da de “Guerra ao Terror”, que não se esperava ver indicada. O francês Alexandre Desplat, indicado por “O Fantástico Sr. Raposo”, deve ser um dos profissionais mais ocupados da indústria, visto que também assinou as composições de seis outros filmes durante o ano (todas ótimas, até onde ouvi). James Horner, por “Avatar”, talvez seja meu favorito. Aposto, porém, em Michael Giacchino, que está sendo amplamente prestigiado pelas melodias de “Up” (o que não dá para dizer que seja desmerecido). Ficou faltando “Coraline” e “Harry Potter”.

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CANÇÃO

Ao contrário da categoria acima, esta tende a desapontar. Das cinco músicas indicadas, nenhuma chega a ser excepcional – nem mesmo a favorita “The Weary Kind”, de “Coração Louco”, que deve ser a vencedora (mas não se espantem: o filme é igualmente chocho). Gostei daquela em francês, saída do obscuro “Paris 36”, e considero “Almost There” a melhor da trilha de “A Princesa e o Sapo” (a outra indicada, “Down in New Orleans”, tem uma letra legal, mas não contagia). E “Take it All”, de “Nine”, é imemorável.

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EDIÇÃO & MIXAGEM DE SOM

As pessoas costumam confundir as duas categorias ou achar que são a mesma coisa. Não são. Edição de som é a concepção sonora, aqueles efeitos produzidos posteriormente para alcançar o resultado desejado (pesa-se aí as soluções criativas para criá-los, artificialmente ou não). Mixagem é o resultado final, uma combinação de trilha, diálogos, ruídos, silêncio, tudo que constitua o teor sonoro do filme. Mas não deixa de ser uma categoria relativa – depende muito, por exemplo, do nível da sala em que o votante assistiu ao filme. São “n” motivos que podem confundir a impressão. Talvez por isso, dizem as más línguas que essas categorias costumam premiar os filmes mais barulhentos (abrindo uma exceção ou outra para musicais, que são difíceis de editar). Fico dividido. Para Edição, aposto em “Avatar”. Para Mixagem, em “Guerra ao Terror”.

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ANIMAÇÃO

Aqui fizeram bem ao estender as vagas, das tradicionais três para cinco. Tivemos ótimas produções animadas em 2009, embora a melhor delas, a australiana “Mary and Max”, tenha ficado de fora por problemas de distribuição. Ganhará o igualmente lindo “Up”, outra obra-prima da Pixar. “O Fantástico Sr. Raposo” e “Coraline” estão no mesmo nível de excelência, o bem intencionado “A Princesa e o Sapo” fica um pouco abaixo, e “The Secret of Kells”, que ninguém consegue explicar de onde saiu, é o “lanterna”.

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DOCUMENTÁRIO

Não vi nenhum dos finalistas e me abstenho dos comentários aprofundados. Mas parece garantida a vitória de “The Cove”, o mais lembrado pelos precursores.

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FILME ESTRANGEIRO

Ótima seleção de finalistas! Talvez “A Fita Branca” leve a melhor, por estar também indicado em Fotografia. É de fato o meu favorito, dos mais superlativos que vejo em tempos recentes. Mas seu país, a Alemanha, faturou uma estatueta ainda bem recente com “A Vida dos Outros”, e o clima incômodo e auto-acusatório deste exemplar podem determinar o desligamento de alguns. Ousando muito, resolvi apostar no argentino “O Segredo dos Seus Olhos”. Afinal, esta categoria é propensa à choques, e o filme em questão tem sido bem recebido por todo lugar.

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Pela falta de parâmetros, me abstenho de prever as categorias de Curtas! Já sabem: o Oscar será transmitido neste Domingo, a partir das 22h, pela TNT, com comentários de Rubens Ewald Filho. Na Globo, os blocos iniciais serão cortados em função do “Big Brother” (quem não tem TV a Cabo, mas quer ver tudo na íntegra, deve procurar por links ao vivo na internet). Eu verei tudinho com o coração na mão, contando meus acertos, celebrando as eventuais vitórias dos meus preferidos e berrando indignado pelas injustiças que sempre tem. Comentários sobre a cerimônia em seguida!

Siga Louis Vidovix no Twitter para acompanhar comentários em tempo real sobre tapete vermelho, vencedores e perdedores!

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Categorias:Premiações
  1. 7 março 2010 às 12:55 am

    minha função nesse Oscar é torcer contra Avatar. não pergunte porque, mas é.
    também não sou a mais favorável à Bigelow, mas vamos lá nos BBB feelings: nenhuma mulher ganhou ainda, que ganhe. eu vou torcer pro Tarantas de qualquer maneira, já que mudei minha torcida de melhor filme de Bastardos pra Distrito 9.
    o austríaco é barbada já. tão espetacular que se não ganhar esse Oscar eu juro que começo a torcer pra Marcelo Dourado! (alokíssima).
    pra contrariar também, torço como nunca pra Sandra Bullock, embora né, eu tenha consciência e seja uma pessoa honesta e sincera e verdadeira: certamente deve haver atuações superiores, mas eu quero ver o oco.
    enfim, eu tô bem ruim com os filmes esse ano, vi tipo três. mas vou ficar dando meus pitacos e gritinhos e ‘uhhhh’ pra todo o resto mesmo sem saber. aliás, foram poucos Oscares que eu assisti sabendo exatamente pra quem torci e porque.

    agora deixa eu me preparar porque às 3h25, no Telecine, vai passar Half Nelson, e eu preciso acordar pra ver. 😉
    até o pós-Oscar, Louis.
    =*

  2. 7 março 2010 às 1:11 am

    Bons palpites, Louis! Mesmo nas nossas discordâncias, acho que elas podem acontecer e seus palpites (ou os meus) serem os vencedores. Então, um bom Oscar pra você. Beijo!

    • 7 março 2010 às 2:49 am

      Quéroul, nããão, temos que unir todos os nossos pensamentos positivos em favor de Avatar!! 🙂 É o meu favorito do ano, sem dúvidas. Mas não reclamo do prêmio pra Bigelow. A direção dela é ótima e será bacana ver uma mulher sendo finalmente premiada. Torço muito para A Fita Branca, em Fotografia e Filme Estrangeiro, mas acho que tem maiores chances na primeira opção (a Academia costuma surpreender nessa última). Sei bem que adoras a Sandra. Acho que ela faz um tipo simpaticíssimo, mas caso ganhe, será uma mancha na história do Oscar, visto que a interpretação não é boa o bastante. E conseguiu acordar pra Half Nelson? Filmão, com ótimas interpretações de Ryan Gosling e Shareeka Epps! Beijos e até depois! o/

      Ka, idem pra você! Vamos ver quem acerta mais palpites! 😉 Beijo.

  3. 7 março 2010 às 2:59 am

    Nossa, eu sou desligadão e nem percebi a vibe em cima de “Guerra ao Terror”. Sério que vai ganhar o Oscar? Até uma semana atrás era “Avatar”, mas… né.
    Avatar >>>>> Guerra ao Terror.

    E eu nem lembrava mais do filme alemão que ganhou Oscar, então meu favorito é “A Fita Branca” mesmo.

    Bom Oscar!!!

    (mas eu prefiro o Emmy)

  4. 7 março 2010 às 8:06 pm

    Louis, foi com a grande maioria. Apostei em AVATAR a melhor filme, mesmo querendo que o mesmo, não leve!

    • 7 março 2010 às 9:01 pm

      L. Vinícius, como assim?? Guerra ao Terror tá com uma vibe crescente há vários meses, mas tb prefiro Avatar, e não vou ficar surpreso nem desapontado se o filme de Cameron acabar levando a melhor! A Fita Branca tem minha preferência, mas acho que sua vitória não é garantido. Bom Oscar pra você tb (sim, eu prefiro o Oscar ao Emmy huahuahua).

      Jenson, Avatar é uma aposta super válida. Quero MUITO vê-lo ganhando. Blockbuster fantástico, como há anos não se via.

  5. 8 março 2010 às 5:04 am

    SANDRA BULLOCK \o/
    (dancinha da vitória).

    fuémfuémfuémfuééém Avatar! hihihi.

    • 8 março 2010 às 5:46 am

      Pois é hein, Quéroul! Adorei o discurso de Bullock, mas esse prêmio será visto como um dos mais desmerecidos com o passar dos anos. Aguarde! huahuahua

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