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O substituto de Harry Potter?

Chris Columbus é um cineasta de mediocridade confirmada – tanto que a razão para ele ter sido escolhido para comandar os dois primeiros filmes da série “Harry Potter” foi a sua passividade, ou seja, a capacidade de se submeter ao controle da autora. A saga do bruxinho só deslanchou a partir do terceiro capítulo, quando Columbus se afastou para dirigir o musical “Rent” (que não marcou) e entrou no seu lugar o mexicano Alfonso Cuarón (que fez uma adaptação que se sustentava, e não apenas comprimia as passagens dos livros numa narrativa episódica e truncada). Agora Columbus está à frente de outra franquia infanto-juvenil, igualmente baseada em best-sellers – e mais uma vez, deixa evidente suas limitações. Mas fica, também, a esperança de que seja substituído na função nas futuras continuações (são cinco livros no total, e é questão de tempo até que os outros quatro sejam filmados). Afinal, a coleção entitulada “Percy Jackson e os Olimpianos” parece ter potencial para se extrair algo de bom. Isso ainda não acontece aqui, mas fiquemos atentos…

Este primeiro volume, “O Ladrão de Raios”, como provavelmente os volumes posteriores também o fazem, suga elementos de uma fonte rica e interessante: a mitologia grega, da qual sou fã confesso. Só que trazem todos esses mitos para os Estados Unidos (lembre-se de que a série foi planejada por um americano, e que eles só olham para o próprio umbigo). Dessa forma, as famosas sandálias aladas se transformam em All Stars com asas, a porta de entrada para o Inferno fica nos letreiros de Hollywood, e a passagem para o Olimpo – onde se reúnem as divindades – é situada no topo do Empire State. Quem perambula por esses lugares e outros mais é o personagem-título, Percy (Logan Lerman, um garoto lindo que o filme não sabe aproveitar). Filho de Poseidon (Kevin McKidd) com uma mortal (Catherine Keener), ele é um semi-deus que cresce sem conhecer suas procedências – até que chega a hora de ser enviado a um centro de treinamento para jovens nessas mesmas condições. O que motiva a aventura é o roubo do raio de Zeus, o mais poderoso dos deuses: por algum motivo, suspeitam que o herói tenha cometido o furto, e os seres sobrenaturais que almejam a tal arma passam a perseguí-lo. Os aliados do protagonista são uma semi-deusa (Alexandra Daddario) e um meio-humano meio-cabra (Brandon T. Jackson, usado desajeitamente como alívio cômico).

Fiquei surpreso com os créditos iniciais, que anunciavam nomes conhecidos como Uma Thurman, Pierce Brosnan, Sean Bean, Rosario Dawson, Steve Coogan e Joe Pantoliano. Mas obviamente são todos mal aproveitados, com míseros minutos em cena. Adentrando na história, a metade inicial é simplesmente pavorosa, intragável, ridícula ou qualquer adjetivo do gênero. As explicações que eles tentam encontrar (para justificar porque a mãe de Percy é casada com um porco chauvinista, por exemplo) são patéticas e nada convincentes, e a voltagem dramática é inexistente (mesmo com uma morte relevante na primeira parte). Os acontecimentos são apressados e superficiais, como se estivessem, de fato, resumindo os capítulos da obra original sem se preocupar em condensar as ações. Depois de um tempo, porém, a gente acaba se envolvendo. Não a ponto de nos importarmos com os personagens, mas a ponto de quase (e ênfase nesse “quase”) nos divertirmos. As sequências que deveriam ser eletrizantes não chegam ao ponto, mas se aproximam do satisfatório (e são mais inspiradas que os ápices dos dois “Harry Potter” de Columbus, um feito a se considerar). E lá pelo final percebi que estava até brotando em mim a curiosidade de ler o livro! O público-alvo também não há de se frustrar. Nos cinemas em cópias dubladas e legendadas.

.:. Percy Jackson e o Ladrão de Raios (Percy Jackson & the Olympians – The Lightning Thief, 2010, dirigido por Chris Columbus). Cotação: D+

Categorias:Cinema
  1. 18 fevereiro 2010 às 12:24 pm

    ahhhh, que eu queria muito esse – quinta que vem, certamente (hoje era pra ser Preciosa e a chuva não permitiu). na verdade, eu só quis porque vi a Uma de Medusa numa foto, e imediatamente precisei. imagino que seja meia bomba, já vi que a maioria dos cinemas passa cópia dublada, mas enfim. mexeu com Olimpo, mexeu comigo, e eu vou ter que ver, mesmo sabendo que deve ser um cu.
    nem sabia que era saga… que bom. eu imaginei uma coisa Harry Potter mesmo, quem sabe eu não olhe os livrinhos um dia… daqui a uns 8 anos, como aconteceu comigo e Réuri. (L)

  2. 18 fevereiro 2010 às 2:26 pm

    Louis, eu não consegui terminar de ver esse filme e sai do cinema no comecinho, muuuuito tosco.

  3. 18 fevereiro 2010 às 4:29 pm

    Olá Louis, tudo certo?
    acho que não vai ser o substituto de “Harry Potter”, mas vai ser mais uma daquelas aventurazinhas fracas que tentaram passar a perna no menino bruxo, tipo”Eragon”. Já estava desconfiado com o projeto, com a sua crítica, veio a confirmar… cilada, Bino! =)

    abraço!

    • 19 fevereiro 2010 às 12:02 am

      Quéroul, Uma de Medusa foi um dos meus principais incentivos para ver o filme tb! Não sei se vou ler os livros (provavelmente não), mas como Harry Potter está acabando e os estúdios estão desesperados para achar um substituto, essa é uma interessante (ainda que inferior) opção!🙂

      Mark, que pena! Se tivesse insistido mais um pouquinho talvez tivesse vindo a gostar… Mas é bem tosquinho sim! rsrsrs…

      Tom, tudo blz? Então, numa comparação, esse é bem melhor que Eragon, mas ainda inferior a HP. Mas não sei quanto aos próximos capítulos… Se afastarem Columbus, pode ser que deslanche! Abs!

  4. Arthur
    19 fevereiro 2010 às 12:14 am

    Olá Louis!!!Ha muito frequento seu blog, adorava as resenhas de G.A e fiquei muuuuuuuto insatisfeito quando você parou de assistir a série, não tinha mas nenhum blog de confiança. Continuei vindo aqui todo dia, e me surpreendi já que o blog continua atrativo mesmo sem G.A. E como vc me respondeu em um comentario, contiu trazendo assuntos interessantes, ai um exemplo, falar de Percy Jackson.
    Ok, falando do que interessa… quanto ao título “O substituto de Harry Potter?” não. Definitivamente não. Harry é insuperável, P.J é muito bacaninha, mas comparado com HP é absolutamente insignificante. Mas não se deixe influenciar pelo filme ja q não tem nada haver com os livros, que são até agradaveis de se ler. Termino por aqui, nao gosto de me prolongar e meu objetivo com esse comentario ja foi cumprido. Lhe parabenizar pelo otimo trabalho q vem fazendo. Parabens e obrigado!!!!

  5. 19 fevereiro 2010 às 12:28 am

    Não tenho a mínima vontade de conferir este filme, Louis! E olha que eu tenho boa vontade com Logan Lerman, desde a série “Jack & Bobby”. Beijo!

    • 19 fevereiro 2010 às 4:14 am

      Arthur, que lindo seu comentário rsrs… Obrigado pelos parabéns. Me esforço muito pra manter o blog constante e com assuntos que interessem aos leitores (aliás, devo à Grey’s Anatomy muitos dos meus leitores cativos; quem sabe não dê uma nova chance pra série mais adiante?). Quanto a Percy Jackson, duvido que os livros se igualem a Harry Potter (que teve muita importância na minha formação de leitor), mas como cinema parece promissor para, daqui um ou dois filmes, se tornar bacana! Abraço e volte sempre.

      Ka, lembra do menino em Jack & Bobby?? Adorava aquela série! Ele é promissor, torço para que faça sucesso. Beijo.

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