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Enfim, Zumbilândia!

Dava para antever só pelo cartaz de “Zumbilândia” que o filme se tornaria um cult instantâneo. Por isso não se espante se ele for reassistido à exaustão num futuro próximo por uma ampla legião de fãs, já que essas comédias espertas envolvendo zumbis tem um público muito específico e consolidado. Quem mais as apreciam são aqueles que gostam de se sentir tão (ou mais) descolados quanto os personagens que motivam a história – e como era de se esperar, não faltam aqui diálogos bem bolados e tiradas de efeito, que levarão ao delírio a parcela mais estereotipada da plateia. Infelizmente, não souberam aproveitar o fenômeno aqui no Brasil. A estreia foi tardia e as cópias mal distribuídas – assistindo com algumas semanas de atraso, tive a sorte de encontrar em cartaz numa única sala de São Paulo, um Cinemark afastado.

Mas valeu a ida. “Zumbilândia” é bacanérrimo. É uma espécie de paródia que jamais descamba para o escracho, ainda que flerte perigosamente com o ridículo e o absurdo. As piadas são tão boas que esse tom de sátira quase se dilui, para que desfrutemos a trama sem culpa e peso na consciência (porque o filme não pretende ter estofo dramático, a ponto de deixar passar oportunidades onde caberiam momentos mais sérios). Só o que se sabe é que o mundo foi tomado por zumbis, e que o vírus começou a se disseminar através de um hambúrguer contaminado! A partir desse elemento-chave da cultura americana, todo o país foi ruindo, e o resto do mundo parece ter sucumbido no embalo – o que se nota pela panorâmica do planeta em chamas nos minutos iniciais. Não inventam novas regras: os zumbis daqui são idênticos aos que conhecemos de outros filmes, ou seja, mortos-vivos que se alimentam da carne humana e que transmitem para as vítimas a condição de canibais moribundos. Em questão de meses, os humanos já eram minoria. De fato, quando a história começa, o herói (interpretado pelo sempre interessante Jesse Eisenberg, de “A Lula e a Baleia” e “Roger Dodger”) está convencido de que é o último remanescente da espécie.

Ao longo do caminho, entretanto, vai encontrar pelo menos outros três sobreviventes: um desvairado agressivo e sem noção (Woody Harrelson, melhor aqui que no filme que lhe rendeu indicação ao Oscar), cuja maior ambição, além de exterminar zumbis, é saborear um bolinho Ana Maria pela última vez (já que obviamente pararam de fabricar!); e duas irmãs, uma já adulta que servirá de interesse romântico para o protagonista (Emma Stone), e uma pré-adolescente (Abigail Breslin). Ressabiados, uma vez que não sabem se podem confiar uns nos outros, os quatro seguem viagem juntos, fugindo dos zumbis por uma América destruída e procurando inutilmente por um porto seguro. Lembra, e muito, o enredo de “A Estrada”, com o Viggo Mortensen – mas como eu disse, este aqui foge das opções dramáticas como o diabo da cruz. O apocalipse não é definido por uma paleta de cores fechada. Pelo contrário: é pop, colorido e vibrante. Nessa atmosfera de MTV, são mais do que bem-vindas as jogadas visuais do diretor. Reparem, por exemplo, em como os letreiros que cruzam a tela enumerando as regras para sobrevivência parecem esbarrar nos personagens – literalmente!

A primeira metade é totalmente cômica, com zumbis relegados a flashbacks aleatórios (as cenas são puramente gore, similares às do recente “Arrasta-me Para o Inferno” no nível de asco); ao final eles aparecem em peso, numa eletrizante sequência num parque de diversões (que também não perde a hilaridade). Mas parece haver um consenso de que o ponto alto é uma certa participação do Bill Murray, que interpreta a si mesmo com bom humor e espírito esportivo. Resumo da ópera: fita divertidíssima e altamente desfrutável, que merecia recepção mais digna em território nacional.

.:. Zumbilândia (Zombieland, 2009, dirigido por Ruben Fleischer). Cotação: B+

Categorias:Cinema
  1. 16 fevereiro 2010 às 7:56 pm

    Todo mundo tem gostado desse filme. Espero que, quando eu tenha a oportunidade de vê-lo, goste também! Beijo!

    • 16 fevereiro 2010 às 8:19 pm

      Ka, dá para entender porque todos tem gostado. Tem um apelo muito forte e uma energia irresistível! Creio que você vai aprovar. Beijo!

  2. 16 fevereiro 2010 às 10:58 pm

    na primeira vez que vi o poster, não me interessei. aí vi que era com Woody Harrelson e já comecei a querer muito.
    assim como vampiros, zumbis estão no fim da minha lista de preferência. mas como eu amei Shaun of the dead (e nem vou falar de Fome Animal – amor verdadeiro, amor eterno), acho que Zombieland tem altas chances de me conquistar só por ser cômico.
    dvd certamente!

  3. 16 fevereiro 2010 às 11:21 pm

    O trailer não me impressionou suficiente!

    • 17 fevereiro 2010 às 2:10 am

      Quéroul, Woody super tem minha confiança também! Tenho certeza absoluta que você vai cair de amores por este aqui. Reserve desde já na locadora!😉

      Jack, mesmo assim, se algum dia se deparar com o filme, vale a conferida.

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