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Comédia da humilhação

Ainda que passe num canal americano obscuro e desconhecido – um tal de Starz, também responsável pelo comentado lançamento “Spartacus” -, “Party Down” é uma comédia engraçadíssima, feita por gente que entende do assunto. Não é daquelas que faz rir desbragadamente, apesar de ter momentos extremamente hilários. É mais um exemplar daquele tipo de humor meio triste, meio humilhante, como as crias de Ricky Gervais “Extras” e “The Office”. Os personagens se metem em situações constrangedoras, sempre paira aquele silêncio desconfortável quando algum deles se faz de tonto sem perceber, e do grupo de personagens fixos, nenhum tem um pingo de noção.

A trama gira em torno de garçons de uma catering company (firma de buffets) chamada Party Down – e por ser ambientada em Los Angeles, praticamente todos ali são funcionários temporários, tentando se sustentar enquanto não emplacam no showbiz. Tem atores fracassados, comediantes sem sucesso e aspirantes a roteiristas. Pessoas que vêem os sonhos serem despedaçados dia após dia, e que trabalham fazendo o que detestam na ânsia de realizá-los. Ou seja, dá até para pensar um pouquinho, nem que seja para se sentir culpado por gargalhar da merda em que todos ali se encontram. Sem dúvidas a indústria do entretenimento é perigosa – há muito pretendente para pouca vaga, gente sem talento se aparecendo às custas de baixarias e gente talentosa perdida nas intocas das agências, fadadas a nunca serem descobertas. E mesmo quando chegam ao topo, é uma vida cruel, de muita exposição, comentários maldosos e pressão para continuar por cima. Tá, eles ganham bastante dinheiro – mas cá entre nós, tem coisa que dinheiro não paga. Eu lá ia querer uma vida dessas pra mim? Não, obrigado.

Um charme extra da série são os atores convidados, muitos deles vindos da saudosa “Veronica Mars”, já que Rob Thomas, que concebeu o programa da adolescente detetive, é um dos criadores desta aqui. No elenco regular temos Adam Scott, Ken Marino, Ryan Hansen e a maravilhosa Jane Lynch, todos os quais tinham participado de “Veronica” – e entre as participações especiais tivemos, em episódios isolados, Enrico Colantoni (daddy Mars), Jason Dohring (Logan) e Kristen Bell (Veronica em pessoa). Aliás, já que mencionei Lynch, deixa eu dizer que essa mulher é uma das melhores atrizes em comédia da atualidade. Era a melhor coisa de “Party Down”, e só aceito a sua saída (não deve retornar para a segunda temporada, que estreia em Abril) porque foi por uma boa causa: ela entrou para “Glee”, onde arrasa ainda mais como a erva-venenosa Sue.

Outras curiosidades que podem te incentivar a assistir de uma vez: Fred Savage, o Kevin Arnold de “Anos Incríveis”, é um dos co-produtores e diretor de boa parte dos episódios (dirigiu também alguns de “It’s Always Sunny in Philadelphia”, outra comédia alheia ao grande público que leva o Selo Louis de qualidade); e o pitchulo Paul Rudd, ator de “Eu Te Amo, Cara”, faz parte do time de criadores. A quem quiser correr atrás, é muito fácil. A season 1 teve apenas 10 episódios, e cada qual dura cerca de meia hora. Numa tarde melancólica de Domingo, sem mais nada para fazer, que tal experimentar?

Categorias:TV
  1. 13 fevereiro 2010 às 8:22 pm

    Dica anotada, Louis! Até mesmo porque eu adorava “Veronica Mars”. Beijo!

    • 14 fevereiro 2010 às 5:18 pm

      Ka, não sabia que também era fã de Veronica!!!🙂 Era o máximo, né? Beijo!

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