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Revisitando os filmes do Oscar

Vou te contar, às vezes essas nossas distribuidoras dão cada bola fora… Vejam vocês que “Guerra ao Terror”, que lidera as indicações ao Oscar junto de “Avatar”, tinha um perfil tão baixo na época do lançamento que nem se incomodaram em exibir as cópias nos cinemas. Mandaram direto para DVD. Agora, diante do sucesso nas premiações, estão fazendo o percurso inverso e levando para as telonas um filme que já pode ser alugado ou baixado em boa qualidade. Seja como for, taí uma oportunidade de conferir o elogiadíssimo longa de Kathryn Bigelow na sala escura, com som vindo de todos os lados e um baldão de pipoca no colo. Hei de aproveitar a chance para revê-lo em breve – quando o assisti, em algum ponto do ano passado, achei ótimo, mas aquém do que andavam pintando. Quem sabe eu não fique com impressão melhor depois de uma revisitada?

Uma nova chance para Guerra ao Terror

E por falar em revisitada, preciso retificar meu comentário sobre “Educação”. Da primeira vez que vi o filme de Lone Scherfig, na Mostra Internacional de São Paulo, achei excelente (apesar da tradução provisória do título ter sido o péssimo e desencorajador “Sedução”). Revendo agora, porém, achei apenas muito bom. Mas a performance da protagonista Carey Mulligan só cresceu em mim. Com enorme carisma e naturalidade, mas em pleno domínio da técnica, Mulligan concebe uma garota imatura e petulante, sem que a mesma soe chata e pretensiosa. Ela ganha a simpatia e a torcida do público com um tipo difícil de agradar, e cria uma Jenny matizada e memorável, que poderia ter se tornado um “samba de uma nota só” nas mãos de uma atriz menos competente. Fez por merecer sua indicação ao Oscar. E se houvesse justiça nesse mundo, ela seria a vencedora.

Ainda sobre “Educação”: o que eu mais gosto no roteiro de Nick Hornby, baseado nas memórias de uma senhora inglesa, é a absoluta normalidade do caso. Na trama, Jenny se vê dividida entre prosseguir com os estudos e seguir o homem que ama para um casamento de risco. Apesar de ambientado nos anos 60 – com ótima reconstituição de época, diga-se de passagem -, este conflito continua atual mesmo após a valorização da mulher na sociedade. Décadas atrás, as mulheres só tinham a opção de irem para a Escola Normal, para se tornarem professoras ou funcionárias do serviço público. Hoje, são maioria em praticamente todos os cursos das faculdades (salvo algumas exceções). Ainda sim, continuam sendo a primeira escolha da família para abandonarem os estudos superiores ou a carreira: quantas não param de trabalhar quando se tornam mães, para ficar em casa com os filhos em tempo integral? E quantas situações são opostas: quando é o homem quem abdica dos seus planos? Ou seja, o dilema de Jenny não é fácil. É sincero, verdadeiro, daqueles que obrigam a plateia a se colocar no lugar da personagem e a pesar suas atitudes. E só isso é motivo suficiente para o filme ficar conosco.

Carey Mulligan vive personagem atemporal

Uma observação sobre títulos alterados: outro que está de nome novo é “Um Sonho Possível”, como “The Blind Side” passará a ser chamado. A fita “inspirational”, pela qual Sandra Bullock – quem diria! – tem grandes chances de levar o Oscar, apela para uma tradução mais derivativa, mas a verdade é que o antigo “O Lado Cego” já estava incorreto. O mais adequado seria “O Ponto Cego”, a posição em que o jogador de futebol americano não consegue enxergar quem está vindo atacá-lo. É, sem dúvidas, uma história edificante, ainda que não dê para engolir a indicação na categoria máxima do Oscar, a de Melhor Filme (mesmo uma vaga para Sandra parece exagero; triste ver que concorrentes fortes como Abbie Cornish, de “Brilho de Uma Paixão”, morreram na praia). Entrementes, “Precious” ganhou o subtítulo “Uma História de Esperança”, e já está em cartaz em sistema de pré-estreias. Confirmo que as duas interpretações centrais, de Gabourey Sidibe e Mo’Nique, são impactantes e diferentes, mas o filme – como quem for ver perceberá – tem problemas.

Pois diga-me você: o que anda revendo de bom? E de ruim?

Categorias:Cinema
  1. 9 fevereiro 2010 às 1:17 pm

    Tô vendo um pouco de filme pra me desintoxicar das séries. Meu favorito é “Avatar”. Mas também revi alguns telefilmes, e “Warm Springs” ainda é o melhor de longe…

    E revi “Os Goonies”. Continua sendo uma delícia de filme, tipo um “Feitiço do Tempo”, nunca perde o encanto.

  2. rahru
    9 fevereiro 2010 às 1:24 pm

    Vem quintaaaaaaa!!!! Veremos no Unibanco! Vamovamovamovamo?!

  3. Caroline®
    9 fevereiro 2010 às 5:11 pm

    Eu revi “Namorada de aluguel” com um nerdzinho narigudo chamado Patrick Dempsey! E tô com uma pá de filmes no pc esperando a minha boa-vontade: Vicky Cristina Barcelona, O leitor, 500 dias com ela, Desejo e REparação, Clube do 5, Longe Dela….

    • 9 fevereiro 2010 às 7:48 pm

      L. Vinícius, amei Warm Springs quando vi na HBO há alguns anos! Lindo de tudo. E concordo contigo sobre Os Goonies…

      Pedro, bem que eu gostaria, mas Quinta ainda não estou aí! Quem sabe na próxima semana??? Diz que sim!🙂

      Caroline, Namorada de Aluguel é um dos meus filmes de colégio favoritos! Dempsey era ótimo fazendo o tipo de geek impopular! Mas cresceu e apareceu… Desses que você tem na agulha, dê prioridade pra Clube dos Cinco – é “só” um dos filmes da minha vida!

  4. 9 fevereiro 2010 às 9:55 pm

    Louis, ainda não dá pra mim rever, porque sempre espero os titulos chegarem as locadoras, minha lista ainda está quente. E torço por Guerra ao Terror, já que o Reitman é nulo, infelizmente.

  5. 9 fevereiro 2010 às 11:31 pm

    vi hj esse guerra ao terror. meio amor-e-ódio, hein? achei algumas coisas lindíssimas, cenas maravilhosas, explosões incríveis. aí rola aquela cagadinha apelativa q nem precisava pra eu entender o que é que o filme queria contar. meio bobo (não quero spoilerar pra quem não viu. mas Beckham, viela, tiro na perna – blé; e Evangeline Lily. blé². se bem que a cena do cereal é linda de viver).
    gostei muito, mas não tanto, entende? e juro que achei o coleguinha do protagonista muito melhor que o próprio; e olha que eu gosto bastante desse ator (q eu esqueci como chama mas é o da foto aí na postagem).
    enfim. único oscarizável que eu vi até o momento. e quase dormi no cinema num momento…

  6. 10 fevereiro 2010 às 1:09 am

    Eu ando revendo filmes antigos, que não via há um bom tempo, o que faz com que eles ganhem um ar de novo para mim, como “Além da Eternidade”, “E.T. – O Extra-Terrestre”. Além disso, vi ontem “Guerra ao Terror”. FILMAÇO!!!! Beijo!

    • 10 fevereiro 2010 às 2:30 am

      Jack, como assim Reitman é nulo? Você quer dizer na disputa pelo Oscar? Se for o caso e o prêmio estiver mesmo entre Avatar e Guerra ao Terror, torço pelo primeiro!

      Quéroul, concordo! Tenho elogios e críticas a fazer ao filme (os faria, se ainda tivesse todos os detalhes feitos na memória). Comento melhor quando rever…

      Ja, ótimos filmes! E.T. é um desses irresistíveis, atemporais… E Além da Eternidade me marcou por ser o último da Audrey!😉 Beijo.

  7. 13 fevereiro 2010 às 5:04 am

    pois é, Louis. mas tem de entender que Abbie Cornish e Carey Mulligan, apesar de estarem sensacionais em seus respectivos papéis não tem uma bagagem generosa como Sandra. se Brilho de Uma Paixão e Educação fossem sucesso de público, as chances delas seria, digamos, 0.5 ponto maior, hehehe!
    abraço🙂

    • 13 fevereiro 2010 às 8:40 pm

      Jeniss, sim, de fato é injusto, já que mesmo com todos os anos de carreira e a simpatia dos membros da indústria, Sanda nunca entregou desempenhos tão lapidados como os de Cornish e Mulligan. Felizmente esta última ao menos conseguiu uma indicação! Abs!

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