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O irresistível Mary and Max

Fiquei emocionado. “Mary and Max”, animação australiana que está super acontecendo nos festivais mundo afora, é uma graça. Ainda que o diretor, roteirista e designer Adam Elliot já tenha um Oscar no currículo (de Melhor Curta Animado, por “Harvie Krumpet”, que dizem ser muito similar a este aqui), nada me preparava para o alcance do enredo e as particularidades de sua realização. Certamente diferente, curioso, talentoso e memorável, o filme é daqueles que encanta, que fica conosco, que dá vontade de recomendar para todo mundo e de rever mesmo após tendo acabado de assistí-lo.

Porque é muita informação para ser digerida em pouco tempo (tem menos de uma hora e meia de duração). Porque o roteiro, apesar de usar como muleta três narrações paralelas (a de um narrador oficial, que tem um quê de Amélie Poulain, e as da Mary e do Max do título), amarra direitinho os excessos. Porque, com discrição, delicadeza e senso de humor, tocam em temas sérios e complicados (problemas mentais, obesidade mórbida, alcoolismo, bullying etc.), que correm tangenciais ou não à trama. Porque o visual é de uma criatividade ímpar, seja pela caracterização dos personagens (estilizados e cheios de adornos), seja pela melancolia expressa pela fotografia. Porque a dublagem original está espetacular (mal se nota Philip Seymour Hoffman dando vida ao senhor, e a menininha que dubla a Mary criança é irresistível).  Porque a trilha é super doce.  E, finalmente, porque a técnica do stop-motion vem comprovar que “animação” não é um gênero isolado – é apenas uma maneira de se contar uma história, seja ela cômica, dramática, fantasiosa ou tudo isso combinado.

O mais interessante é que parece que foi baseado em fatos – há uma menção quanto a isso no início, mas nenhum complemento nos créditos. O que testemunhamos, porém, é no mínimo surreal: Mary, uma garotinha australiana cheia de caraminholas na cabeça, escolhe à esmo o nome de alguém na lista telefônica, para quem envia uma carta compartilhando todas as suas dúvidas. A correspondência chega até Max, um judeu nova-iorquino sistemático, depois diagnosticado com Síndrome de Asperger – mas mesmo convivendo com suas neuroses, o homem responde para a menina; passa a se importar com ela e vê, nessa relação excêntrica e incomum, um vestígio de amizade (coisa que até então desconhece). Pronto. Daí em diante é facílimo se envolver, se comover, rir das piadas (todas ótimas e bem inseridas), das teorias ingênuas da Mary ou das esquisitices do Max. Ainda que mais apropriado aos adultos, que sacarão todas as referências, o filme tem um público abrangente, sendo acessível a crianças de 12 anos para cima. Fica recomendado a todos, do neto ao avô. E fica registrada minha admiração por Adam Elliot – a quem, a partir de agora, passarei a acompanhar com atenção. Me rendi à sua leveza ao tratar de questões profundas e, principalmente, à leveza ao tratar de questões leves.

.:. Mary and Max (Idem, 2009, dirigido por Adam Elliot). Cotação: A+

Categorias:Cinema
  1. 6 fevereiro 2010 às 5:44 am

    Wow… vou correndo assistir. Sem falta.

  2. 6 fevereiro 2010 às 1:02 pm

    Concordo em gênero, número e grau. É sensacional mesmo, minha animação preferida do ano, e olha que estamos falando do mesmo ano de Fantastic Mr. Fox e Up! Abs,

  3. lelacastello
    6 fevereiro 2010 às 3:05 pm

    aa deve ser lindo ! Eu lembrei que já tinha ouvido falar quando você comentou que é o Philip Seymour Hoffman que dubla Max, quem dubla Mary mesmo ? Aonde você achou pra ver ? Quero muito !
    Miss my husband
    xoxo

    • 6 fevereiro 2010 às 3:26 pm

      Bruno, não perca!

      Beto, o ano foi ótimo para animações! Além dessas que você citou, que são maravilhosas, teve Coraline, ótima também. Abs.

      Rafa, my beautiful wife!! Esse filme é a sua cara, sei que você vai amar. Como não deve chegar aqui tão cedo, dá pra baixar em DVDRip (pois é, já está em DVD lá fora e nem sinal no Brasil). Quem dubla a Mary criança é alguma menina desconhecida (mas talentosíssima pelo trabalho vocal); depois de adulta ela passa a ser dublada pela Toni Collette. Vou gravar num lindo CD pra você. XOXO!🙂

  4. 6 fevereiro 2010 às 8:53 pm

    Vi recentemente um outro filme que falava da Síndrome de Asperger: “Adam”, que é bom. Mas, parece que esse “Mary and Max” é bem melhor. A conferir, com certeza! Beijo!

    • 7 fevereiro 2010 às 11:47 am

      Ka, conheço Adam de nome, mas ainda não vi. Acho que você vai adorar Mary and Max!! Beijo.

  5. João Paulo
    3 abril 2010 às 4:24 pm

    Muito boa! tive que segurar as lagrimas no fim…

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