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Lost: O Começo do Fim

Dentre os meus planos não-realizados para essas férias estava pegar os DVDs de “Lost” e rever tudo de uma vez, numa maratona particular, antes do início dessa sexta e última temporada. Assim poderia recapitular as passagens mais importantes, relembrar os mistérios que ficaram sem solução quando outros novos surgiram no lugar, fazer análises críticas com precisão, ter um embasamento para comparar os episódios atuais com os anteriores no âmbito do afastamento gradual de J.J. Abrams, observar a curva de evolução dos personagens etc. (Na verdade queria rever porque adoro a série, comecei a gostar quando a primeira temporada já tinha sido toda exibida, e agora deu vontade de assistir bonitinho, mas não conta pra ninguém, pois este blog precisa manter a seriedade).

Eis que a sexta temporada teve início e, mesmo com o meu descaso, achei um arraso. Certamente a melhor season premiere da série, depois do sensacional Piloto (as temporadas tendem a começar devagar, mas essa aqui, já com pique de último ano, não deu moleza). Não me comprometo a comentar semanalmente cada um dos episódios – que, sabiamente, estreiam na TV paga brasileira com um atraso mínimo em relação aos Estados Unidos -, mas podem esperar encontrar “Lost” por aqui mais vezes. Afinal, o desfecho definitivo já é um dos eventos mais esperados do ano, e a maior badalação do mundo contemporâneo dos seriados. E em pensar que quando teve início, nos remotos 2004, a série passava apenas por uma aventura divertida sobre vítimas de um desastre de avião isolados numa ilha deserta! A fórmula fixa – o foco em um personagem por vez, com flashs do passado que explicavam como ele chegou ali ou se tornou a pessoa que é – funcionava, e quase todo mundo transbordava carisma e ganhava nossa torcida (embora fique muito claro no decorrer que quase ninguém ali presta).

Desse ponto em diante, a série foi ganhando ares de mitologia, coletando fãs fervorosos, e criando um suspense consistente. Um punhado de espectadores se cansou de esperar por respostas (como se a série fosse apenas isso, um acúmulo de perguntas!) e abandonou. E os que persistiram continuam intrigados até hoje. Sejamos justos: teve um par de tropeços, irregularidades e enrolações, enquanto os roteiristas consideravam as diretrizes que poderiam seguir (um episódio da terceira temporada, centrado na tatuagem do Jack, é especialmente calamitoso e eleito pelos próprios cultuadores como o pior da série). Mas eles – o pessoal responsável, substanciado em Damon Lindelof e Carlton Cuse – merecem elogios pelas ousadias, por terem modificado a estrutura, por terem adicionado avanços no tempo no lugar dos retrospectos, e por terem saído, enfim, de sua margem de segurança. Foi arriscado, erraram em alguns detalhes no meio do caminho, mas no resumo da ópera, o trabalho continua sendo admirável. Não à toa, “Lost” está destinado a ser muito imitado, e até então não surgiu um substituto à altura. Um aplauso pessoal: gosto da eficácia com que se alternam entre esses flashbacks e flashforwards, passendo pelo tempo com elegância e sem subestimar o espectador (esse tem sido um dos artifícios mais irritantes da nova temporada de “Damages”, que pula a todo instante para algum acontecimento bombástico seis meses no futuro, e anuncia a data com uma vinheta cafona).

[Spoilers para quem não viu o primeiro episódio da sexta temporada]

A partir de agora, os personagens sofrerão as consequências da explosão da bomba no final da temporada anterior – que reverteu a queda do avião, mas manteve na ilha (numa realidade alternativa, é isso?) aqueles que ainda estavam por lá. No lado místico as coisas estão esquentando, com o monstro de fumaça materializado na forma de John Locke (que bateu mesmo as botas, judiação), o Ben com aquela cara de apreensão, o Jacob morto (?) aparecendo para o Hurley sensitivo, o Swayer devastado pela morte da Juliet (que chegou a lhe dizer umas últimas palavras antes de sucumbir aos ferimentos), e o Sayid quase morto sendo levado ao templo dos maltrapilhos que se cagam de medo do monstro de fumaça Locke. Mas no aeroporto de Los Angeles, onde o avião pousou ileso, as coisas não estão menos interessantes: novas conexões estão se formando entre a turma antiga, desde Jack salvando a vida do Charlie (que teve uma overdose no banheiro) até a Kate escapando do agente federal (são muito incompetentes, esses “feds” das séries, né?) e sequestrando um táxi ocupado pela Claire. Foi cool, muito cool, rever a galera, muitos dos quais mortos pelos roteiristas várias temporadas atrás. Fica óbvio, no entanto, que não conseguiram fazer com que alguns atores assinassem para uma participação – vimos Boone, mas não a Shannon, e sequer tivemos um vislumbre de Michael & Walt, visto que o menino já é um homem feito. Me expliquem se perdi algum detalhe. “Lost” é difícil e, mesmo vendo com muita atenção, sou lento pra algumas coisas. O fato é que encerrei o episódio satisfeito, com a sensação de ter sido entretido por uma hora e meia (que sequer pesou). E nem precisei ficar anotando respostas e bolando teorias para tal.

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Categorias:TV
  1. 4 fevereiro 2010 às 1:56 am

    [comentarinho com SPOILER, talvez]

    tô paÇada.
    chorei como nunca nas cenas de avião – eu sempre choro nas cenas (atuais) de avião, porque é nelas que reside meu eterno amor por Lost; é o começo de tudo, dessa série inteligentíssima que eu respeito muito por conta dessa manutenção de referências e coerência.
    Terry O’Quinn é, definitivamente, o melhor ator do mundo mundial. com olhares e sorrisos ele consegue ser a personagem mais sofrida por quem temos o maior carinho do mundo (‘Walkabout’ né, o melhor episódio já feito na história), ou a mais foda que a gente não entende o que virou, mas tem medo porque é o tenebroso monstro de fumaça.
    perfeito.

    e esse episódio me faz deixar ainda um elogio às partes ‘técnicas’ do seriado: a maquiagem. por deus que as cenas do avião já estavam prontas desde 2004!!!! assistia e ficava embasbacada, porque não é possível ser tão fiel a si mesmo desse jeito! eu tava vendo aquele avião não caindo em 2004, com aquelas personagens inteiras como elas eram antes da ilha aparecer.

    lindo.de.viver.
    jamais se repetirá um fenômeno como Lost. e por esta série eu não tenho nenhum medo de falar asneira ou ser chamada de xiita! 😉

  2. Pam
    4 fevereiro 2010 às 2:51 am

    Louis, Louis, Louis… agora sim, vou floodar seu twitter e seu blog. Lost voltou, logo, os 40% de mim que estavam em coma, acordaram. Não sei se começo com o meu próprio review do episódio, ou se começo com os comentários acerca de algumas linhas especiais que vc escreveu.
    Ok, as linhas:
    “Um punhado de espectadores se cansou de esperar por respostas (como se a série fosse apenas isso, um acúmulo de perguntas!) e abandonou.” Exalto seus parêntesis: THANK YOU!!!! aahhh… vc fez das minhas palavras, usadas ao desgaste, suas palavras.
    “Um aplauso pessoal: gosto da eficácia com que se alternam entre esses flashbacks e flashforwards, passendo pelo tempo com elegância e sem subestimar o espectador .” – Aplaudo contigo! Essa elegância é tamanha que os ‘tropeços’ podem até ser relevados. E um PS: vc acha MESMO que a gente vive para ver um trabalho à altura de LOST nas telas (telinhas, telas, telonas)? Please, quase tudo que tentaram fazer, nos mais diversos formatos, que abordasse UMA que fosse das várias temáticas de Lost (não falo só dos copycats da vida, mas mesmo antes, mesmo filmes)… furou feio. Vamos combinar que Lost, como um todo, é magnífico. 🙂
    “A partir de agora, os personagens sofrerão as consequências da explosão da bomba no final da temporada anterior – que reverteu a queda do avião, mas manteve na ilha (numa realidade alternativa, é isso?) aqueles que ainda estavam por lá.” – Eu terminei esse episódio com a mesma idéia de realidade alternativa. E só um detalhe: não me lembro bem, mas acho que a bomba não chegou a explodir no final da 5ª temporada, amore. Faz tempo que vi, mas lembro-me de ter ficado aflita pela Juliet ao lado do explosivo. Anfã, I don’

  3. Pam
    4 fevereiro 2010 às 3:00 am

    Ooops, apertei “enviar” sem querer. Hehehe.
    Fui interrompida em, “Anfã, I don’t know”.
    Devo concordar com sua amiga Quéroul em relação à maquiagem. No mais, tudo estava deliciosamente esmerado, como sempre, e havia aquela mesma harmonia entre todas as partes – fotografia DEZ, sonografia DEZ, coordenação de efeitos DEZ, cenografia DEZ, roteiro DEZ (e sou chatíssima!), atuação da galera DEZ. 🙂 Não sei se a sofrida espera afetou meu julgamento, mas não poderia ter sido mais coerente e “Lost-like”.
    Apareceram Zac e Emma! – será que podemos considerar mais um mistério “resolvido”?
    Bom, vou floodar outros cantos agora, mas poderia escrever muuuito mais, hahaha.
    bjus! 🙂

    • 4 fevereiro 2010 às 4:45 am

      Quéroul, não cheguei a chorar, mas “senti” com a cena do pessoal desembarcando do avião. Adoro essa situação, adoro que tenham retornado aonde tudo começou, ao ponto em que a série nos fascinou de vez. Seu comentário de xiita é super válido, até porque não vejo o fanatismo como prejudicial ao seu coração (hahaha, porque tem alguns xiitas que vou te contar). E concordo que o Terry O’Quinn é um puta ator – foi muito triste saber o último pensamento do Locke! Por sorte, veremos o Locke em pessoa nessa realidade alternativa, viva! Só espero que a trama dele com o Jack não caia no lugar comum… Lost causou impacto na TV e será mesmo muito imitado. Mas acho que encontraremos muitas merdas antes de nos depararmos com algo nesse nível de qualidade.

      Pam, sabia que você faria coro aos meus aplausos! 🙂 É assim, Lost nem chega a ser minha série favorita no ar (é top 3, digamos), mas reconheço que é a série de maior influência. Para o gênero, foi um marco, e vai ser difícil encontrar algo à altura. Mas creio que o problema é que essas novidades cheguem se colocando como “o novo Lost”. É melhor começar sem pretensão e ir se provando foda com o tempo – foi assim que Lost virou o que virou, e por isso deu tão certo. A bomba explodiu sim, a temporada terminava com a Juliet batendo na bomba para que ela explodisse (e o clarão indicava que deu certo). Deve ser mesmo uma realidade alternativa (tipo, se algum deles escapasse da ilha, o Swayer da ilha não encontraria com o Swayer que desembarcou do avião; fica claro pela ilha estar inundada no exato momento em que eles a sobrevoam, na realidade onde a bomba explodiu). Concordo também que tudo costuma ser nota dez – em especial o elenco, que quando era super povoado, lá na primeira temporada, era meu favorito da TV! Te espero por aqui mais vezes! 😉 Beijo.

  4. 4 fevereiro 2010 às 10:05 am

    Ótimo season premiere mesmo, acho que por pouco não é melhor que o Pilot.

    Muito bem apontado por você: Lost não se resume a um acúmulo de perguntas. Muito me irrita o pessoal que não tem paciência pra curtir os mistérios dessa série.

    É inegável que Lost é um marco da televisão e da cultura em geral.

    Agora o confronto entre Jacob (branco) contra o Homem de Preto me fez remeter as partidas de gamão de Locke no início da série.

    É bicho, eu também tinha o plano de rever tudo, mas, por incrível que pareça, acabei não tendo tempo.

    Também fiz um review no CI.

    Forte abraço.

  5. Marcelo
    4 fevereiro 2010 às 1:58 pm

    Melhor serie…

  6. 4 fevereiro 2010 às 11:34 pm

    Eu desisti de “Lost” na temporada passada. Baita série enganação! Beijo!

    • 5 fevereiro 2010 às 1:48 am

      Bruno, de fato. Se me entregassem todas as respostas, eu não pararia de assistir – porque, afinal de contas, me importo com os personagens e as relações que eles estabeleceram. Quando a série terminar e já estiver toda disponível em DVD, hei de fazer uma super maratona! 🙂 Abraço.

      Marcelo, tem milhões que compartilham da sua opinião…

      Ka, te entendo, eu mesmo já tive meus momentos de dúvida, mas insisti com Lost e não me arrependo! Beijo…

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