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Filmes do Oscar: O Mensageiro

“O Mensageiro” marca a estreia na direção de Oren Moverman, um dos roteiristas de “Não Estou Lá”. O filme, porém, não é anticonvencional como aquele dirigido por Todd Haynes em 2007. É bastante quadrado e acadêmico, sobre uma realidade próxima dos americanos: as mortes diárias na Guerra do Iraque, e os soldados designados exclusivamente a notificar as famílias dessas perdas. Seguindo sempre um protocolo rígido, frio e impessoal.

O protagonista, vivido com afinco por Ben Foster, é ele mesmo atormentado por fantasmas dessa Guerra, da qual voltou com problemas físicos (ferimentos na perna e no olho esquerdo) e psicológicos. Sem permissão para voltar à ação, tem de se contentar com esse cargo ingrato, que considera uma bobagem burocrática. É introduzido à função por um outro oficial (Woody Harrelson), com quem se espezinha a princípio, antes de uma aproximação inevitável. Há ainda um leque de personagens com os quais esses dois vão se deparar (a mais relevante é uma viúva que desperta o interesse de Ben, interpretada pela ótima Samantha Morton).

Sem mais lorotas, está estruturada a história, num plot simples, claro e direto, bem escrito e bem atuado. Talvez a montagem pudesse ter sido melhor elaborada: há cortes secos e abruptos, e a passagem de tempo não é muito bem delimitada. Mesmo com essa transição brusca entre as cenas, o ritmo não é ágil; pelo contrário, começa a se arrastar lá pela metade final, dando uma canseira no espectador. Do mesmo modo, algumas cenas caem no lugar comum – são exatamente idênticas a muitas que já vimos antes (como Ben espiando o funeral do marido da Samantha encostado numa árvore, ou a minha favorita, ele dando tapinhas no capô do táxi para o motorista acelerar). São pequenos clichês, que não prejudicam num plano geral, mas que banalizam o resultado.

É como se Movermann tivesse essas cenas acumuladas na cabeça, prontas para quando dirigisse um filme – e agora que tem a chance, coloca-as em prática, de qualquer jeito e sem criatividade. No entanto, é muito feliz quando aposta em planos-sequência, confiando no talento de seu trio principal. Há uma cena em particular que se estende por alguns minutos – uma conversa entre Foster e Morton na cozinha – que merece desde já uma menção entre as melhores da temporada. Com esse elenco, a gente perdoa qualquer defeito! Concorre aos Oscars de Ator coadjuvante (Harrelson) e Roteiro Original.

.:. O Mensageiro (The Messenger, 2009, dirigido por Oren Moverman). Cotação: B-

Categorias:Cinema
  1. 3 fevereiro 2010 às 1:25 am

    Eu tô curiosíssima para conferir este filme. Pelos bons comentários que li, pela atenção atraída na temporada de premiação, pelas indicações, claro, ao Oscar. Beijos!

    • 3 fevereiro 2010 às 6:27 pm

      Ka, na verdade, se não fosse pelas premiações, eu muito provavelmente teria dispensado esse filme. Mas é até que satisfatório! Beijo.

  2. Bruno
    3 fevereiro 2010 às 11:18 pm

    Gostei bastante, acho que Samanta Morton é que devia ter sido indicada ao Oscar e não Woody Harrelson.

    • 4 fevereiro 2010 às 12:28 am

      Bruno, também achei Samantha a melhor coisa do filme, mas a indicação de Harrelson não é um absurdo, visto que não concorre diretamente com ela e, principalmente, que a categoria de Ator Coadjuvante está fraquíssima! Dos indicados, só Waltz parece excepcional (me falta ver Plummer, e garanto que Damon e Tucci não merecem menção alguma).

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