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Vitória?

Ao assumir a presidência da África do Sul, Nelson Mandela encontrou a população de seu país dividida. De um lado, os brancos evidenciavam os resquícios de racismo, e viam o líder negro com desconfiança e ressalvas. De outro, os negros, feridos pelas décadas de opressão e injustiças, tinham seus planos de vingança contidos pelo representante. Para Mandela, era hora de paz e de perdão. Mas como unir essas facções? Foi ao constatar o grande interesse da massa pelo rugby – um jogo inglês mais violento que o futebol – que Mandela percebeu que, talvez, a solução para tantos anos de desavenças estivesse no esporte. Passou a encorajar a seleção nacional, e testemunhou o país derrubando barreiras éticas e sociais pela primeira vez na História. Tudo para torcer lado a lado, à medida em que o time sul-africano avançava nas etapas da Copa do Mundo de 95.

É este caso específico que Clint Eastwood narra em “Invictus”. Ainda que não seja uma biografia convencional, o filme está apinhado de clichês e convenções. Espere por aqueles momentos batidos e cafonas que você já conhece: a trilha sonora subindo a cada conquista, a câmera lenta nos instantes mais tensos das partidas, as pessoas se reunindo nas casas e nos bares para ver os jogos na TV, e é claro, os diálogos vem-e-vai (exemplo: “Obrigado pelo que você fez pelo país!”, ao que o outro retruca “Não, obrigado pelo que VOCÊ fez pelo país!”). Faça-me o favor! Sei que era para ser o relato de um caso edificante e absorvente, mas essas banalidades torram o saco de qualquer um. E nem vou me aprofundar na suposta canonização que o filme faz de Mandela. Até porque o velhinho tem valor, é simpático, carismático e fez muito pela sua raça. Inatacável, enfim. Só gostaria de uma visão mais imparcial e menos romantizada do líder.

Esquecendo, porém, o material que tinham em mãos, dá para se satisfazer com a fita. Visto como um filão do gênero “filme inspirador”, o resultado chega a ficar acima da média. Não é qualquer bobagem que conta, por exemplo, com a presença de Morgan Freeman. Ele está bastante bem como Mandela, ainda que o roteiro, pela sua própria ênfase e proposta, não lhe dê maiores chances. De qualquer modo deve chegar ao Oscar. E o mesmo pode acontecer com Matt Damon, que interpreta o capitão que leva o time às vitórias (embora nesse caso, sim, seria um desperdício de vaga: Damon não faz nada, de digno ou de indigno). Recomendado para os que gostam desse tipo de feijão-com-arroz.

.:. Invictus (Idem, 2009, dirigido por Clint Eastwood). Cotação: C+

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Categorias:Cinema
  1. 1 fevereiro 2010 às 12:13 am

    é… um bom filme, mas que pelo material e pelo fato de ter o clint na direção poderia ter sido melhor.

  2. rahru
    1 fevereiro 2010 às 3:34 am

    Não é qualquer bobagem que conta com Morgan Freeman? Acho que você sumiu em 200X, quando estreou O Apanhador de Sonhos no Brasil. =P

    • 1 fevereiro 2010 às 9:06 am

      Bruno, poderia ter sido MUITO melhor.

      Pedro, Morgan Freeman faz bobagem, mas não é qualquer fita inspirational que conta com um ator desse porte num papel biográfico. Até porque, mesmo em seus filmes mais ruins, Freeman nunca esteve constrangedor. É incapaz de uma performance inferior, acho.

  3. 1 fevereiro 2010 às 10:59 pm

    Sempre ansiosa para um filme de Clint, mesmo que eu tenha achado que ele errou a mão nos seus dois últimos longas. Espero poder conferir em breve! Beijo!

  4. 2 fevereiro 2010 às 1:31 am

    engraçado… Clint Eastwood + Mprgan Freeman + Mandela, deveria ter desperto todo o amor em mim, e eu me vi correndo léguas. será que Matt Damon fez isso comigo?
    quem sabe no dvd. hahaha.

  5. 2 fevereiro 2010 às 1:38 am

    Ainda não tive a chance, mas de fato não me parece algo tão bom quanto os seus filmes de antes.

    • 2 fevereiro 2010 às 10:49 am

      Ka, concordo que ele errou a mão antes – e erra aqui mais uma vez! Beijo.

      Quéroul, bem capaz! Matt Damon é motivo pra ficar com um pé atrás huahuahua… Dependendo de como se sair no Oscar, é dispensável até pegar o DVD! o/

      Jack, tenho meus problemas com esses “filmes de antes”. E com esse não foi diferente.

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