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Quem viu sabe.

Pois bem. O que dizer de “Caprica”, o aguardado spin-off da cultuada “Battlestar Galactica” (doravante chamada de “BSG”)? Vamos começar por uma introdução básica: “Caprica” servirá como um prólogo de “BSG”, cinquenta e oito anos antes do início dessa segunda. E a proposta é o suficiente para fazer qualquer fã da mitologia salivar. Será narrado, aqui, como os cylons foram criados, como esses robôs designados por cientistas ultrapassaram a inteligência de seus criadores, e como eles se rebelaram contra a raça humana a ponto de quase extinguí-la por hecatombe. Ou o que é mais importante para a série original: quem passou a mesclar DNA humano ao robótico, criando máquinas à imagem e semelhança do homem. Tudo ambientado no planeta Caprica, muitos anos após a devastação da Terra. Enfim, pura nerdice em forma de ficção científica, com margem a leituras políticas, religiosas e tantas mais.

Não sou a pessoa mais indicada para filosofar. No entanto, se é uma análise aprofundada que você procura, deve encontrar em outras partes da internet. Ou então se esse assunto não é de seu interesse, vá dar uma voltinha e retorne mais tarde. Aos que continuam comigo, vou falar com sinceridade: para mim foi genial. Genial. Antes de terminar o Piloto de uma hora e meia eu já estava de boca aberta. No final eu fiquei em silêncio, pensando no que tinha visto, me sentindo burro demais para absorver tudo aquilo. Primeiramente, posso garantir que você, que nunca viu um único episódio de “BSG”, vai conseguir entender e acompanhar quase tudo de “Caprica” (o ideal seria fazer uma maratona com as quatro temporadas da série original antes disso, mas sei que nem todo mundo goza de tanto tempo livre quanto eu, azar).

Mesmo sendo longo demais (o tempo de duração equivale a duas partes somadas), não fica com aquela aparência malfadada de episódio esticado. Parece mais um elegantíssimo telefilme (a vinheta da Universal no começo ajuda a manter a pompa), interessante do primeiro ao último segundo. Assim como em “BSG”, o uso dos efeitos especiais parece muito um nível acima dos seriados em geral. Oras, a sequência da explosão de um trem, logo nos primeiros minutos, chega a ter qualidade de cinema! E exatamente como acontecia em “BSG”, os trunfos do programa não se limitam à perfeição técnica. É, mais uma vez, uma história de personagens complexos e bem desenvolvidos, que vão conquistar mesmo o espectador mais relutante, sem saco e disposição para o gênero. Personagens estes que incluem um certo William Adama aos 11 anos de idade, que os fãs do original reconhecerão de imediato como o capitão da Galactica. E, meus amigos, a cena do pequeno William abraçando o pai ao som da trilha antiga é de fazer o olho aguar.

Afinal, ninguém ali tem ideia do que lhes irá acontecer, ou das proporções que aqueles experimentos irão tomar. O público, porém, está ciente do desastre eminente – o que, naturalmente, faz com que o clima se torne mais tenso, mesmo quando não tem que ser. Acho que não teve um único momento descontraído nos mais de noventa minutos de episódio – no meu caso, fiquei o tempo todo intrigado, com medo de perder alguma informação preciosa e depois boiar na trama. Nada ali é à toa ou desperdiçado: tudo tem uma razão de ser. Reconheço que nem tudo é inatacável – uma educadora de caráter dúbio interpretada pela Polly Walker, a saudosa Athia de “Roma”, parece ser o ponto baixo (numa das cenas, ela abraça uma aluna e faz muito aquela cara de “Ah, que bobinha, foi tão fácil te enganar!”). Mas são meros detalhes que a gente abstrai. Até porque chances não vão faltar para melhorar.

Das questões abordadas, a que me parece mais atual é a alusão à vida virtual (a filha adolescente do protagonista Eric Stoltz morre, mas continua viva através de uma cópia computadorizada). Parece distante do que experimentamos hoje em dia, mas será mesmo? O que mais se vê por aí são pessoas criando identidades inteiramente novas através do computador, e vivendo através delas – vide “Second Life” ou profiles falsos no Orkut, onde os criadores se comportam como determinados personagens, celebridades ou seus animais de estimação! O que “Caprica” indaga é: até onde seremos definidos por essas ilusões? Segundo a série – e segundo “BSG” – esses elementos estão intrinsecamente ligados ao final da Humanidade como a conhecemos. Pode ser dramático e fictício demais falar em termos apocalípticos. Mas que nos faz parar pra pensar, ah faz. O bastante para assistir a este show com atenção e respeito.

Categorias:TV
  1. Pam
    29 janeiro 2010 às 6:39 am

    Faz um tempinho que quero ver BSG SÓ para depois viajar em Caprica. Viu? Aguardadíssimo até por quem tem um pezinho fora do Nerdverse.🙂 Estou sem tempo e reajustando minhas prioridades, mas assim que possível… vc saberá, LOL.
    “Beijinhos, a Garota do Blog” (grita junto comigo? num guento!)

  2. 29 janeiro 2010 às 3:22 pm

    Nossa, vou baixar assim que voltar pra ksa. PRECISO ver Caprica, mas sem ter visto BSG antes (essa, só com tempo pra ver tantos episodios). ^^
    =*

    • 29 janeiro 2010 às 6:19 pm

      Pam, boa sorte com as prioridades! Não esqueça de BSG quando a chuva passar!😉 E que tosco a despedidinha traduzida huahuahua… Gossip Girl dublado tá amarrado e repreendido!

      Jecik, faça isso! o/

  3. 29 janeiro 2010 às 10:50 pm

    Como eu não assistia “Battlestar Gallactica”, vou ficar de fora dessa série. Beijo!

  4. Lucas Alves
    29 janeiro 2010 às 11:19 pm

    Oi Louis!!!

    Já falei zilhões de vezes, e vou falar de novo: adoro o seu blog. Seus textos são ultra interessantes (e você meio que se tornou uma referência p/ mim nesses assuntos relacionados a cinema, tv e teatro).

    Sobre Caprica… NÃO tenho como encaixá-la na minha lista de séries. Estou sem uma gota de tempo livre. Tb não pretendo descartar nenhuma das séries que eu estou vendo (Six Feet Under, Damages, Big Love, Breaking Bad, The Sopranos…) p/ por Caprica no lugar. E confesso: tenho uma certa resistência c/ ficções científicas… Porééééééém, nunca se pode dizer nunca, né? Quem sabe um dia no futuro…

    Vc pretende publicar comentário sobre algum desses filmes? –> In the Loop, A Estrada, Mary & Max, Bronson e Piratas do Rock.

    E bem, o que falar de Damages, heim? Minha reação depois de assistir as duas temporadas anteriores –> fiquei PASMO c/ tanta genialidade. Admito que essa season premiere foi morna. MAS, levo fé que as tramóias dos Tobins e os flashforwards (principalmente os relacionados a morte daquele certo personagem) vão render uma excelente season. Mesmo c/ o tempo escasso, eu farei de tudo p/ tentar acompanhar a terceira temporada.

    Abraços!

  5. Marcelo
    30 janeiro 2010 às 1:28 am

    Oi Louis,
    Eu nunca vi nenhuma dessas series de ficção cientifica… Mas queria começar… É preciso ver Battlestar Galactica para entender Caprica??? E se eu quizer ver Battlestar Galactica primeiro, eu vou entender??? Ou precisa ver alguma serie antes dessa tambem???

    Obrigado

    • 30 janeiro 2010 às 7:25 am

      Ka, faz isso não!!!😦 A série é tão promissora…

      Oi, Lucas, há quanto tempo! Valeu pela confiança rsrsrs! Entendo que você não consiga encaixar Caprica, tem muita série por aí a ser vista, e por melhor que essa seja, não vai apetecer a todo mundo (e por enquanto ainda não está no meu top 5 de melhores do momento; tem que se provar competente além do Piloto para isso). Sobre os filmes, o único que eu vi desses aí foi A Estrada (o texto está escrito e entra no ar em breve); mas estou com In the Loop e Mary & Max no gatilho. E faça o favor de insistir em Damages!😉 Abraço.

      Marcelo, não é necessário não, já que Caprica se passa antes dos eventos de BSG. Mas vendo já conhecendo BSG é legal, porque já tem um parâmetro da mitologia. Se quiser ver BSG antes, vai entender sim – até porque antes da primeira temporada de BSG tem um telefilme/minissérie que explica como as coisas chegaram onde chegaram. Ambas são auto-explicativas. Tinha uma Battlestar Galactica nos anos 70 tb, mas não precisa ver. Diretrizes diferentes… Disponha!

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