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Em DVD: Lunar

Antes de mais nada, uma constatação: Sam Rockwell é um ator excelente, quase brilhante. São mínimos e insignificantes os percalços da sua filmografia, que já se estende por mais de duas décadas. Em quase todas as empreitadas, Rockwell entrega atuações irretocáveis, quer o roteiro possibilite ou não. Em “Lunar”, um dos filmes mais comentados do ano passado, lançado diretamente em DVD no Brasil, ele chega ao ápice. Está no melhor momento de sua carreira, num dos desempenhos mais inspirados que você verá em muito tempo. E confirmando-se como um dos intérpretes mais subestimados da atualidade, está custando a ser reconhecido pelas premiações, mesmo com os elogios unânimes da crítica. Quem quiser conferir outros trabalhos notáveis de Sam, deve procurar por “Confissões de Uma Mente Perigosa” (melhor ator em Berlim), “Choke” (melhor elenco em Sundance) e “Inocência Rebelde”.

No tema deste post, “Lunar”, Rockwell se alia ao diretor Duncan Jones e ao roteirista Nathan Parker para conceber uma ficção científica intrigante, inteligente e bem bolada. É realmente impressionante a desenvoltura de Duncan, filho de David Bowie, que mesmo tendo apenas um outro filme creditado no currículo, demonstra a segurança e a competência que faltam a muitos veteranos. Foi dele que partiu a ideia – depois elaborada por Parker – de contar a história de um astronauta baseado na Lua. Sozinho há três anos numa estação espacial, fazendo pesquisas para solucionar a crise de energia na Terra, o herói só tem como companhia o computador central, dotado de emoções quase humanas (a voz é de Kevin Spacey). Ele se apega às lembranças da família, que espera reencontrar assim que o contrato chegar ao fim – mas começa a se convencer de que está perdendo o juízo, enlouquecendo pela solidão e tendo alucinações.

As soluções, no entanto, são inesperadas, e coerentes para o gênero. Não se preocupe, também, caso a trama possa parecer similar – ou idêntica – à de “2001: Uma Odisséia no Espaço”. Este não é um pastiche dos grandes clássicos, tampouco derivativo e preguiçoso. É um pequeno triunfo, cujo maior acerto foi enfatizar os conflitos do protagonista, e fazer com que o espectador compreenda o turbilhão de emoções que o rodeia. Notem ainda que a verba foi limitada, a ponto da fita ser considerada uma produção independente. Toda a parte técnica, porém, é impecável. O que mais chama a atenção, além da cenografia, são os efeitos discretos e eficientes, que ajudam a trazer o ambiente lunar para junto de nós. E com Rockwell segurando as pontas, atuando consigo mesmo com ainda mais sucesso que Tom Hanks em “Náufrago”, se torna um filmão imperdível.

.:. Lunar (Moon, 2009, dirigido por Duncan Jones). Cotação: A+

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Categorias:Cinema
  1. 14 janeiro 2010 às 1:12 am

    Necessito ver com urgencia … fato … preferi não baixar o filme e tentar uma oportunidade de pegar o dvd e assistir …

    abraços

  2. 14 janeiro 2010 às 5:28 am

    é um belo filme e mais uma prova do talento do rockwell. curti essa comparação com o que o hanks fez em o naufrago e também concordo que ele se saiu melhor.

    e KCT, não sabia que o diretor era filho do david bowie… fantástico.

    • 14 janeiro 2010 às 6:55 am

      JP, já que no Brasil não tivemos a chance de ver os filmes no cinema, não vejo diferença entre alugar o DVD ou baixar na mesma qualidade! 😉 Abraço.

      Bruno, Hanks colocou a barra lá em cima em Náufrago, mas Rockwell não fica atrás na tarefa. E ele é filho do Bowie sim! Descobri fuçando no IMDb. Inesperado, não?

  3. 14 janeiro 2010 às 1:35 pm

    eu não tinha ouvido falar nesse filme; mas não sei se eu quero ver. tenho preconceito com coisas cinetíficas hehehe, sei lá…
    e, fato, eu gosto de Sam Rockwell, gosto mesmo. mas eu não consigo deixar de achar que ele tem muitos e infinitos cacoetes. não assisti tantos filmes dele, mas me lembro de achar ele a mesma coisa em assassinato de jesse james… e green mile (apesar que no fim de assassinato… ele destrói de uma maneira arrebatadora).
    tá, cê tem razão: ele é quase brilhante (ainda mais depois de eu lembrar que ele é o Zaphod Beeblebrox do guia do mochileiro e, neste filme, ele tá até BONITO!).

  4. 14 janeiro 2010 às 10:52 pm

    A sua foi a primeira excelente opinião que li sobre esse filme. Mesmo não sendo a maior fã de longas de ficção científica, agora tenho que conferir “Lunar”. Beijo!

    • 15 janeiro 2010 às 3:37 am

      Quéroul, eu costumava ter não exatamente preconceito – mas digamos que ficção científica não me apetece. Mas este tem um diferencial; os elementos de ficção estão lá, mas o protagonista é sempre priorizado! Nunca notei esses cacoetes nos trabalhos do Rockwell, embora seja muito fácil para um ator se repetir, ainda mais quando os personagens se aproximam. E tenho que rever Guia do Mochileiro – vi só uma vez e ADOREI! 🙂

      Ka, e tem mesmo! Pode botar na lista, e se não gostar, venha me cobrar pelo tempo perdido. Mas sei que irá adorar! Beijão.

  5. 18 janeiro 2010 às 1:18 am

    Um dos grandes filmes de 2009.
    Vi-o duas vezes em cinema e acho que não me importava nada de o ver de novo 🙂

    Ah, em off-topic, muitos parabéns pelo blog. Faz parte das minhas visitas diárias 🙂

    • 18 janeiro 2010 às 9:58 pm

      Anita, fico feliz por você ter gostado do filme e por saber que visita o blog frequentemente! 😉

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