Início > TV > Buffy para principiantes

Buffy para principiantes

Como comentei no final do ano passado, enquanto avançava alucinadamente pelos últimos episódios de “Buffy – A Caça-Vampiros”, a série criada por Joss Whedon é possivelmente o melhor fruto da TV americana nos anos 90 – e desde então, o meu show favorito de todos os tempos. Joss comenta que escolheu um título chinfrim e uma premissa esquisita – uma colegial qualquer que caça vampiros e outros demônios em sua cidadezinha – para que pudessem apreciá-lo apenas aqueles que tivessem a mente aberta para não julgar o programa antes de conferí-lo.

Buffy, o filme que deu origem a tudo.

Dito isso, há também um filme honônimo de 92, escrito pelo próprio Whedon, mas com diretrizes diferentes (a começar pela protagonista, que não era interpretada pela Sarah Michelle Gellar). O filme em questão serve como prólogo para a série, embora Joss nunca tenha ficado satisfeito com o resultado da obra (já que muito de seu texto foi modificado para se aproximar do público médio). No entanto, quando o extinto canal WB (que hoje é o CW) comprou a ideia para uma série de TV, Whedon teve toda liberdade criativa que um artista precisa. E fez História. Não é brincadeira o tanto de roteirista que entrou no ramo influenciado por “Buffy” (Shonda Rhimes, a criadora de “Grey’s Anatomy”, foi uma delas) – e também não é à toa que “Buffy” é dissecada em teses de mestrado nas universidades americanas. A equipe responsável pelos roteiros sugava referências da cultura pop a torto e a direito, mas o show jamais se resumiu às piadas (tão boas que, surpreendentemente, não envelheceram).

Todo mundo que realmente deu uma chance ao programa percebeu que era bem mais do que uma bobagem sobre monstros – os demônios são uma pequena parte do todo, um mero caso do dia (sempre elaborados no estilo “whodunit”, onde uma investigação gira em torno de uma leva de suspeitos em potencial). A série tem a ver com amadurecimento, e lida com sinceridade com questões sérias e cotidianas, tais como primeiro amor, a morte de um ente querido, crise de identidade ou descobertas sexuais. A perfeita transição entre gêneros inclui comédia, drama, romance, terror, ficção científica, artes marciais e até musical! Tudo através das aventuras de uma caçadora, uma bruxa lésbica, um carpinteiro, um lobisomem, uma patricinha fútil, um vampiro com uma alma, um vampiro “castrado”, e um bibliotecário preparado para acessorar essa trupe incomum. A ambientação também é legal: em Sunnydale, uma cidade da Califórnia construída bem em cima da Boca do Inferno (o que possibilita os estranhos eventos sobrenaturais que não param de acontecer). As três primeiras temporadas se passam na high school, a quarta na faculdade, e da quinta em diante em nenhum lugar específico.

Buffy e a Scooby Gang (ao centro, Joss Whedon)

Se você ainda não está convencido, ou não tem tempo para pegar todos os episódios, desde o comecinho, para ver numa linda maratona, vou realçar alguns dos melhores. “Hush”, da quarta temporada, é quase inteiramente mudo, devido aos monstros que se apossam da cidade e sugam as vozes dos habitantes; foi uma chance de Whedon rebater as críticas de que a série se apoiava demais nos diálogos espertinhos, e de provar que “Buffy” era muito mais. Foi também o único episódio de “Buffy” a ser indicado a um Emmy nobre, o de Melhor Roteiro em Série Dramática (a premiação, com toda sua estupidez, costumava ignorar o programa pela temática juvenil). Os finais da segunda e da quinta temporadas (que são, em sua totalidade, as melhores) também são de ficar com o coração na mão (“The Gift”, o centésimo capítulo e último da quinta, se encerra com a morte de Buffy, um dos ganchos mais agonizantes já vistos). “The Body”, também da quinta temporada, é o mais atípico e bem dirigido dos 144 episódios. “Once More With Feeling”, o episódio musical da sexta temporada, tem canções brilhantes compostas pelo próprio Joss. E o series finale também foi memorável, depois de uma temporada final morna (a mais inferior do programa, e ainda assim ótima).

Agora me resta suprir o vazio deixado por “Buffy” com o spin-off “Angel”, protagonizado pelo vampiro camarada interpretado por David Boreanaz (começou como guest star na primeira temporada de “Buffy”, angariou seguidores e se tornou fixo nas temporadas dois e três, antes de voar solo). Parece que há algumas visitas da Buffy e dos amigos ao mundo de Angel, e alguns poucos episódios inéditos com a gangue do Scooby (como os back-ups da heroína se entitulam) para eu assistir. E também várias aparições do Spike, o vilão da segunda temporada, que retornou a partir da quarta e se firmou como um dos personagens mais engraçados de todos os tempos (o ator James Marsters merecia um Oscar). Coisa fina disfarçada de entretenimento banal é isso aí!

Categorias:TV
  1. Kamila
    12 janeiro 2010 às 2:03 am

    Tenho amigos que AMAM “Buffy”! Mas, nunca assisti a nada da série. O teu texto foi bom justamente para eu me familiarizar com o universo do programa. Beijos e seja bem vindo de volta!

  2. 12 janeiro 2010 às 3:51 am

    Eu to assistindo a segunda temporada, vamos ver se vejo tudo, haha. A primeira de Angel eu vi completa e gostei bastante na época.

  3. 12 janeiro 2010 às 5:08 am

    e você me convenceu…
    nunca tive vontade de ver Buffy, mas vou atrás agora… antes que começem as aulas hehehe

    • 12 janeiro 2010 às 10:45 am

      Ka, depois de tanta insistência, está considerando dar uma chance? Diz que sim, diz que sim!!!🙂 Beijo e obrigado pelos votos!

      Mark, vc já viu a primeira? Porque é meio bobinha e não faz mal pular direto pra segunda. Essa sim é AWESOME! E devo começar Angel logo mais.

      Bruno, faça esse favor a você mesmo! A série é tão boa que tenho pena de quem nunca teve a oportunidade de assistir rsrsrs…

  4. 12 janeiro 2010 às 11:55 am

    acho que você pode suprir a falta de Buffy com Supernatural, já que você tem mente aberta pra elenco que vem do além.😉
    lendo suas resenhas me dá vontade de ir atrás de Buffy, sério. eu tenho um professor que adorava (mas ele usa ainda hoje uma camiseta de Hogwarts nos corredores do Museu… então, né).
    acho que minhas desculpas pra não assistir a série estão esgotando, talvez esteja na hora de ver duma vez.
    =*

    • 13 janeiro 2010 às 12:16 am

      Quéroul, Supernatural é uma das próximas da fila! Estou só esperando a minha amiga viciada emprestar os DVDs (porque realmente é muita coisa pra baixar e faço questão de ver direitinho, desde o começo). E já passou da hora de você seguir o meu conselho – e o do seu professor – e correr atrás de Buffy! Beijão.😉

  5. 14 janeiro 2010 às 6:10 pm

    Louis, eu pulei a primeira, hahaha. Mas meu amigo fã de Buffy sempre disse que eu não iria gostar, ai eu disse que tinha até gostado do 3º episódio e ele falou que o 4º é considerado o pior da série por muitos e que a segunda temporada melhorava do meio pro final. Eu até disse “Me desanimando com Buffy?” hahaha.

    • 15 janeiro 2010 às 3:40 am

      Mark, seu amigo não deixa de ter razão. A primeira temporada tá longe de corresponder ao patamar de qualidade da série – pode pular sem medo!

  1. No trackbacks yet.

Deixe uma resposta

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: