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Interpretações Femininas – 00’s

Dando continuidade aos tops de final de década, elejo dez interpretações femininas que marcaram (sem distinção do tamanho do papel). Lá vai:

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10. Carey Mulligan – Jenny em “Educação”

Nessa fita inglesa, ainda inédita no Brasil, a novata Carey Mulligan entrega uma interpretação sutil e encantadora – e mais bem aparada do que muita veterana é capaz de fazer. Aos vinte e quatro anos, e perfeitamente convincente como uma garota espirituosa de dezesseis, ela dobrou a crítica americana e se mantém como a protagonista feminina mais premiada da temporada. Deve chegar com favoritismo ao Oscar, ameaçado apenas pelo cacife de Meryl Streep (por “Julie & Julia”).

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9. Amy Adams – Ashley em “Retratos de Família”

Essa é a única interpretação coadjuvante que ganha espaço na lista – naturalmente dominada por papeis principais, que tem mais tempo em tela para arrebatar. Revelou Amy Adams, uma atriz de talento bruto que está estourando por aí, até agora sem tropeços. E que trabalho bonito, o dela! No papel de uma menina sulista, grávida e faladeira, Amy dá um show. A moça é casada com um homem bruto e tratada pelos sogros como criança; nunca foi além da esquina da própria casa, e fica obviamente fascinada pela presença da cunhada que já conheceu o mundo. Impossível não cair de amores.

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8. Nicole Kidman – Grace em “Dogville”

Uma das atrizes mais regulares da primeira metade da década, Nicole Kidman começou a brilhar por conta própria depois de se divorciar do astro Tom Cruise. Foi o grande nome de 2001 com a dobradinha “Os Outros” e “Moulin Rouge”, e ganharia o Oscar no ano seguinte por interpretar Virginia Woolf no drama “As Horas”. Seu ápice, no entanto, seria “Dogville”, em 2003 – onde se entrega ao diretor Lars Von Trier e embarca na proposta ousada e complicada. Faz excelente uso daquele espaço cênico, num trabalho esforçado e cheio de nuances. Uma pena que, daí em diante, tenha descido a ladeira de forma vertiginosa.

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7. Imelda Staunton – Vera Drake em “O Segredo de Vera Drake”

Imelda pode ser baixinha e difícil de escalar, mas provara ser extraordinária atriz enquanto integrava a trupe de Kenneth Brannagh. Não para menos, o diretor Mike Leigh – muito metódico quando se trata da escalação do elenco de seus filmes – confiou-lhe a personagem-título de “O Segredo de Vera Drake”. Imelda deixa de existir para que enxerguemos apenas Vera: uma dona-de-casa humilde e trabalhadeira que, às escondidas da família e sem qualquer tipo de remuneração, realiza abortos caseiros.

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6. Felicity Huffman – Bree em “Transamérica”

Da mesma forma que Cate Blanchett em “Não Estou Lá” (uma das grandes interpretações recentes em papel coadjuvante), Felicity Huffman se passa por um membro do sexo oposto em “Transamérica”. Como um transsexual às vésperas da cirurgia que o tornará mulher, ela se enfeia sem qualquer vaidade, e preenche com sensibilidade um tipo que poderia ter se tornado fruto de um freak show (ainda mais com as investidas cômicas do roteiro, não muito bem calculadas). Soberba!

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5. Laura Linney – Samantha Prescott em “Conte Comigo”

Linney é uma das mais respeitadas atrizes americanas em atividade, muito querida pela classe. Opta sempre pela economia de emoções, sendo conhecida por conferir sobriedade e humanidade às personagens que interpreta. Não é atriz de gritar, de fazer escândalos, de performances de puro histrionismo. É uma profissional responsável e em total domínio da técnica. Chega a essa lista pela profundidade que conferiu à Samantha de “Conte Comigo”, mas bem que poderia ser lembrada também pela Wendy de “Família Savage” e tantas mais.

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4. Julianne Moore – Cathy Whitaker em “Longe do Paraíso”

Assim como Linney, Moore é uma atriz de sutilezas – e na opinião deste blogueiro, a melhor de sua geração. Daquelas que agracia mesmo fitas ruins e papeis medíocres. E que detona quando tem em mãos um material de qualidade. É este o caso em “Longe do Paraíso”, pelo qual ela ganhou mais de 20 prêmios da crítica. No mesmo ano, participou de “As Horas” (outro feito memorável) e emplacou uma indicação dupla no Oscar. Uma deusa!

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3. Marion Cotillard – Edith Piaf em “Piaf – Um Hino ao Amor”

Não somos contemporâneos da cantora francesa Edith Piaf, e os registros que temos em vídeo não basta para que a conhecemos suficientemente bem. Mas basta ver Marion Cotillard dando tudo de si nessa cinebiografia para acreditar que Mademoiselle Piaf era exatamente daquele jeito – na postura, nos trejeitos e na voz de taquara. A maquiagem auxilia essa composição formidável, mas Cotillard não a usa como muleta. Com garra e competência, se camufla em cada estágio da vida da biografada.

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2. Ellen Burstyn – Sarah Goldfarb em “Réquiem Para Um Sonho”

O filme você já viu na minha lista de melhores da década. A interpretação de Miss Burstyn, é claro, teria vez nesta aqui. Até hoje não se conformam que ela tenha perdido as atenções naquele ano para Julia Roberts em “Erin Brockovich”. E de fato é revoltante. O que ela faz como Sarah Goldfarb, uma viúva que se vicia – por inércia – em medicamentos controlados, foi o que se viu de mais impressionante no começo da década!

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1. Isabelle Huppert – Erika Kohut em “A Professora de Piano”

O topo da lista de interpretações femininas dos anos 2000 vai para a francesa Isabelle Huppert. Ela sempre foi iluminada, mas nada se compara ao que faz em “A Professora de Piano” – pelo qual ganhou, com unanimidade, o Prêmio de Melhor Atriz no Festival de Cannes. Pesado demais para a plateia americana, o filme e sua protagonista não emplacaram nas premiações do lado de cá do Atlântico. De qualquer forma, precisa ser descoberto. Os que tem o estômago fraco devem fazer um esforço (porque, vindo do diretor Michael Haneke, pode ter certeza que a trama não é bolinho). Ver Isabelle em cena como a pianista fria, megera e sádica, é uma experiência única para os admiradores da arte da atuar.

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Menciono ainda Naomi Watts (tanto por “Cidade dos Sonhos” quanto por “21 Gramas”, duas interpretações digníssimas), Cate Blanchett (uma das rainhas do cinema atual, embora mereça o prestígio mais pelo conjunto da obra que por alguma atuação isolada), Kate Winslet (uma penca de trabalhos fortes), Meryl Streep (que deve ter sido a mais indicada do Oscar nos últimos 10 anos, ainda que sua última grande interpretação não tenha sido no cinema e sim na TV, no telefilme “Angels in America”) e Sally Hawkins (por “Simplesmente Feliz”, outra pupila de Mike Leigh). Mais alguém? Amanhã, vem a lista de atuações masculinas!

Categorias:Cinema, Top 10
  1. Pam
    29 dezembro 2009 às 3:50 am

    Mas eu tinha CERTEZA que Felicity Huffman estaria aí. Se não estivesse, também…! O que foi aquilo?! Até a colocaria acima de Laura Linney e Julianne Moore. Porém, Isabelle Huppert totalmente merece a medalha de ouro, por um trabalho de qualidade inexpressável em uma das melhores produções da modernidade.
    Ah, e Grace foi a melhor performance de Kidman, em minha opinião. Talvez o plot e todo o resto de Dogville tenham contribuído para isso. ^^
    Aguardo a lista de atuações masculinas! Inclusive arrisco tentar adivinhar alguns dos nomes. Obviamente, não os direi a vc (hehehehe), mas mal posso esperar para ver se marquei algum pontinho.
    bjos!

  2. 29 dezembro 2009 às 4:20 am

    Para mim faltou a Helen Mirren, mas fiquei muito satisfeito com a presença de grandes atrizes como Julianne Moore, Felicity Huffman e Laura Linney.

  3. 29 dezembro 2009 às 11:37 am

    “Felicity Huffman” e “enfeiar” na mesma frase é um paradoxo. Qualquer mulher mais feia que a Sarah Jessica Parker é matematicamente incapaz de ficar mais feia.

    • 29 dezembro 2009 às 6:26 pm

      Pam, sou fã da carteirinha da Felicity! Na época de Transamérica, já era apaixonado por ela desde Desperate Housewives. Uma grande interpretação! Tb considero Dogville o melhor da carreira da Nicole, e vamos ver se você adivinha mesmo alguns dos presentes na minha lista de atuações masculinas!🙂 Beijo.

      Vinícius, admiro a Helen Mirren, acho que ela foi mesmo a melhor daquele ano por “A Rainha”, mas só a colocaria num top 20!

      Que maldade, Pedro. Acho Felicity mais bonita que a Sarah. Nos promos de Desperate Housewives, bem produzida, ela é super pegável!😉

  4. Pam
    29 dezembro 2009 às 9:00 pm

    Só digo uma coisa: ficarei muito triste se não houver ao menos uma menção honrosa a Hugo Weaving por sua personificação (yeah!) de V. Mua!

  5. 29 dezembro 2009 às 11:24 pm

    EU só não vi a Carey Mulligan e a Isabelle Huppert, mas acho que ficou faltando Helen Mirren, em “A Rainha”, nessa lista. Beijo!

  6. Quéroul
    29 dezembro 2009 às 11:57 pm

    Laura Linney é um xuxu sempre, sempre. Marion Cotillard também foi uma grata surpresa e me fez espernear de chorar. Nicole Kidman é uma bonita e, fato, em Dogville é tudo no Brasil; mas acho que valia uma mençãozinha pra Björk, não?, no outro Lars lindo lindo… hehe.
    e que coisa, eu li seu top 10 e pensei ‘ah, mas tá faltando tanta mulher aí…’ e aí tentei pensar em algumas que eu colocaria e… NADA! não consigo mesmo fazer tops nessa vida.
    e Amy Adams é xuxu. a primeira vez q a vi foi em Encantada, e me apaixonei. (L)

    • 30 dezembro 2009 às 12:18 am

      Pam, lista devidamente publicada. Nada de Weaving, sorry!!!😦

      Ka, como disse pro Vinícius, admiro muito Helen Mirren e seu trabalho em “A Rainha”, mas não tiraria nenhuma das dez para encaixá-la! Beijo.

      Quéroul, gosto muito de Dançando no Escuro, e Bjork se entrega totalmente à personagem. Mas como disse uma amiga muito sábia, “ela parece uma retardada no filme”. Essa frase me marcou muito huahuahua… Acho que vou ter que transformar os top 10 em top 25, pra fazer justiça (e ainda assim vai faltar muita gente boa)!

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