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Top 10: Cenas de 2009

Sem mais delongas, aí vai o top 10 com as cenas mais marcantes do cinema em 2009:

10. Conversa entre Irmã Aloysius e Sra. Miller, em “Dúvida”: A personagem de Viola Davis é a melhor coisa de um filme com problemas. Todo o desespero de uma mãe, que em poucos minutos nos deixa a par da encruzilhada emocional em que se encontra, é externalizado através da expressividade de Viola (repare que ela faz com os olhos mais do que muitos atores conseguem fazer com o rosto inteiro). É o ponto alto do roteiro, e uma cena de prender a respiração – e nem foi preciso de Meryl Streep, confortável e no piloto automático, para atingir esse resultado.

9. Consulta com a terapeuta em “Um Namorado Para Minha Esposa”: O filme argentino de maior sucesso por lá em 2008 me surpreendeu de várias maneiras. Primeiro por não ser um pastiche das fitas americanas, como vemos acontecer com as comédias brasileiras atuais; segundo por tratar seus personagens com dignidade, o que possibilitou que uma simples chanchada latina tivesse um dos momentos mais memoráveis do ano: quando os protagonistas escancaram os percalços do casamento no consultório da terapeuta.

8. Expectativa vs Realidade em “(500) Dias Com Ela”: Não estou entre os maiores admiradores de “(500) Dias Com Ela”. Me atraio, porém, pela absoluta normalidade da história que está sendo contada, já que narra uma experiência comum a todos nós. O momento mais inspirado do diretor é certamente quando divide a tela e compara as expectativas do mocinho ao encontrar a amada com o que de fato aconteceu quando este encontro se concretizou.

7. Álbum de fotografias em “Up – Altas Aventuras”: A Pixar continua acertando, e emplacou outra animação entre os melhores filmes do ano. Nessa cena de “Up”, o velhinho descobre  que a esposa, antes de morrer, havia adicionado fotos de suas vidas juntos ao álbum de aventuras (o que dá à palavra um sentido inteiramente novo). Impossível conter as lágrimas.

6. Hans Landa e Shosanna no restaurante em “Bastardos Inglórios”: Christoph Waltz e Melanie Laurent dão um show de interpretação neste momento de “Bastardos Inglórios” – justo no que deveria ser uma conversa corriqueira e inofensiva. O personagem de Waltz não aparenta saber que a moça é filha dos judeus que ele assassinou a sangue frio; ela, no entanto, sabe claramente que está diante de um psicopata, e que pode ser a próxima vítima. Clima bem construído, tensão a mil, incertezas da parte do espectador. Afinal, quem está tapeando quem? E ainda tem bolo com chantily para coroar!

5. Solo de guitarra em “Vocês, os Vivos”: Filme sueco de 2007, que estreou no Brasil com atraso, seleto às grandes capitais. Ainda que irregular, traz um excepcional solo de guitarra, no devaneio de uma moça apaixonada, que substancia aquilo que o roteiro vinha tentando atestar. Tivesse o diretor Roy Andersson mantido o pique no restante do projeto, teríamos um dos grandes filmes do ano.

4. Vida de casados em “Up – Altas Aventuras”: Mais uma menção a “Up”! Sem que qualquer palavra precise ser dita, a Pixar resume as dores e as alegrias de um casamento. Ao fundo, a excelente trilha original de Michael Giacchino (que readapta a mesma faixa, com ritmos e inflexões diferentes, em outros momentos do filme – sempre com o mesmo efeito encantador).

3. The Ram se joga no ringue em “O Lutador”: A cena final de “O Lutador” – onde o brutamontes interpretado por Mickey Rourke abraça seu destino e se joga triunfante no ringue por uma última vez – é não só uma das mais bonitas do ano, mas também um dos encerramentos mais acachapantes que eu já vi num filme.

2. Abertura de “Watchmen”: O filme dividiu opiniões, e mesmo estando no grupo que adorou, entendo os argumentos dos que criticam. Só considero inatacável a espetacular sequência de créditos iniciais, que comprime no prólogo o passado glorioso de heróis hoje fracassados. Ao som de The Times They Are A-Changin’, do Bob Dylan, demais! A incorporação do vídeo foi desativada, mas pode ser visto diretamente aqui.

1. Monólogo no funeral em “Sinédoque, Nova Iorque”: A viagem de ácido de Charlie Kaufman não é para todo mundo, mas parece haver um consenso que ao menos uma das cenas de “Sinédoque, Nova Iorque” (sua estreia na direção) seja acessível a qualquer um. Me refiro ao brilhante monólogo de um ministro no enterro fictício (acontece dentro da peça que o protagonista está escrevendo).

 

Lamento não ter encaixado cenas de “Avatar” e “Amantes”, alguns dos meus favoritos este ano. Foi só questão de não saber o que escolher, dentre tantos momentos bons (é um risco que os filmes superlativos correm: não terem uma grande cena que se sobressaia perante outras igualmente grandiosas). Também quis aproveitar para realçar alguns pouco vistos, como “Um Namorado Para Minha Esposa” ou “Vocês, os Vivos”. Vale conhecer!

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Categorias:Cinema, Top 10
  1. 26 dezembro 2009 às 1:15 pm

    Nossa, assisti poucos, mas as que vi foram realmente memoraveis. ^^
    =*

  2. 26 dezembro 2009 às 6:51 pm

    Lista linda. *.*

  3. 26 dezembro 2009 às 11:26 pm

    Para mim, a cena do ano é a Vida de Casados, de Up-Altas Aventuras. Apesar de eu adorar o monólogo de “sinédoque, Nova York”. Beijo!

    • 27 dezembro 2009 às 8:26 am

      Jecik, bora ver os que faltam então! 😉

      Pedro, finalmente consegui agradá-lo! huahuahua…

      Ka, acho Vida de Casados um dos momentos mais inspirados da Pixar, mas os três no topo me impressionaram mais! Beijo.

  4. 27 dezembro 2009 às 3:45 pm

    tabém concordo com a Kamila quanto a melhor cena de ‘Up’.apesar de ser uma bagunça completa, essa cena inicial de ‘Watchmen’ tambem é joia’. dos pipocões, gosto da passagem do tempo dos irmãos Victor e James no ‘X-Men Origens: Wolverine’. abraço 🙂

  5. Vinícius P.
    27 dezembro 2009 às 5:04 pm

    Gosto da maioria das cenas, mas penso que nada deve superar a “Vida de Casados” em “Up”, um momento maravilhoso que só poderia ter saído de um filme da Pixar.

    • 27 dezembro 2009 às 9:17 pm

      Jeniss, nem acho Watchmen essa bagunça… Ou o meu amor pela abertura me cegou pelo restante do filme rsrs… E ODIEI Wolverine em sua totalidade. Abraço!

      Vinícius, como comentei acima, este é um dos meus momentos favoritos num filme da Pixar também! o/

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