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O Lado Cego

2009 foi o ano de Sandra Bullock nos cinemas. Depois do sucesso inesperado de “A Proposta”, a comédia romântica mais rentável de sua carreira, ela emplacou outro filme por quem ninguém dava nada – o drama piegas “O Lado Cego” – no topo das bilheterias americanas. Ambos ultrapassaram a marca dos 100 milhões de dólares, e por este último, Sandra está cotada a receber sua primeira indicação ao Oscar. Até agora ela passou por todos os requisitos: figurou nos prêmios precursores (entre os quais os mais indicativos, Critics Choice Awards, SAG e Globo de Ouro) e foi amplamente elogiada pela crítica especializada, que traçou comparações recorrentes com outra atuação premiada – a redenção de Julia Roberts em “Erin Brockovich”.

Afinal, ambas são estrelas que se fizeram em comédias, e ambas surpreenderam os descrentes em relação ao alcance de seus talentos ao retratarem mulheres reais, em fitas com forte mensagem de esperança e superação. No entanto, a fragilidade dessas duas performances também advém dos mesmos motivos: assim como a Erin de Julia, a Leigh Anne Tuohy de Sandra é interpretada com esforço e boas intenções, mas nunca vista como algo além de uma personagem. Não imergimos na composição, porque apesar das reações corretas e do sotaque sulista incorporado à perfeição, Bullock é amplamente conhecida, e quando a vemos em cena, enxergamos apenas a atriz, caracterizada com um penteado loiro espalhafatoso e trajando terninhos de perua (no caso de Julia, a víamos com permanente no cabelo e roupas de prostituta).

Dito isso, “O Lado Cego” é tudo aquilo o que os americanos adoram: uma história inspiradora, edificante e absorvente, que rende uma boa catarse e desperta o melhor em cada um. Bullock pode ser o maior incentivo para assisti-lo, mas há mais além disso. Notem de imediato que não é um filme sobre deficiência visual – o lado cego do título é uma gíria do futebol americano, para designar o jogador que protege o quarterback. Não me peçam para explicar as regras do jogo porque eu não dou conta de entender nem o nosso futebol brasileiro tradicional. Contudo, sou capaz de me emocionar com algo além da minha compreensão – vide “Friday Night Lights”, que gira em torno do esporte, mas que sempre me toca pelo foco nos personagens, que tem sonhos e ambições extremamente humanos.

É o que acontece aqui. Na trama, um garoto negro e graúdo (o eficiente Quinton Aaron), vindo de uma família desestruturada e com enorme dificuldade de aprendizado, é acolhido por um casal rico (Bullock e o músico Tim McGraw), já pais de dois filhos (um menininho metido a engraçado e uma garota adolescente). Não fica muito claro o porquê deles o levarem para casa, mas supõe-se que por compaixão, numa tentativa de serem bons cristãos. E a comunidade vê o ato com maus olhos, o que fez alguns críticos taxarem o filme de racista – eu já acho o oposto: absurdo mesmo seria se ignorassem por completo o fator racial. Infelizmente esse é o mundo em que vivemos, e se a discriminação já é exacerbada por aqui, imaginem o tanto que é acentuada na sociedade americana. Enfim, o rapaz contraria todos os que lhe davam como caso perdido, e incentivado pela nova família, passa a treinar futebol, fazendo bom uso do físico e dos instintos de proteção, até se tornar um vencedor.

Ou seja, é muito fácil se envolver e se emocionar. Mas é a mesma história que ouvimos milhares de vezes antes, contada com as mesmas fórmulas e sem qualquer tipo de inovação. Pelo contrário: chega perto de descambar nos vinte minutos finais, quando botam em xeque as intenções da família. É seguro dizer que sem o nome de Bullock, teria passado despercebido. Aos que quiserem testemunhar o trabalho que vai levá-la ao Oscar, “O Lado Cego” chega aos cinemas brasileiros em Janeiro de 2010.

.:. O Lado Cego (The Blind Side, 2009, dirigido por John Lee Hancock). Cotação: C+

Categorias:Cinema
  1. 21 dezembro 2009 às 4:11 am

    Parece que não é um longa particularmente inspirado mesmo, mas de qualquer maneira quero ver pela tão comentada atuação da Sandra Bullock.

  2. 21 dezembro 2009 às 2:33 pm

    Que medo dela loira, uhasuhsauhas.

    • 21 dezembro 2009 às 3:39 pm

      Vinícius, não é mesmo – e nem a comentadíssima atuação de Bullock justifica o auê!

      Mark, ela tá esquisita mesmo!! huahuahua

  3. Quéroul
    21 dezembro 2009 às 4:40 pm

    eu quero. amo a Bullock. amo amo amo.

  4. 21 dezembro 2009 às 11:35 pm

    Realmente, esse ano é o melhor da carreira da Sandra Bullock! Acho, no entanto, que a indicação ao Oscar vai servir somente para coroar a carreira dela. Nada de inventar de premiá-la, como fizeram com outra namoradinha da América: Julia Roberts! Beijo!

    • 22 dezembro 2009 às 1:21 am

      Quéroul, não sou assim tão fã da Bullock, mas me simpatizo com a atriz!

      Ka, de fato: da indicação não passa!!! Beijo.

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