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Enfim, Avatar!

“Avatar” me proporcionou uma experiência rara – talvez única – como cinéfilo. Foi superlativo a ponto de eu deixar a sessão me sentindo honrado por presenciar, na estreia, o surgimento de um filme que vai redefinir por completo o que conhecemos por cinema – ao menos no que diz respeito aos efeitos especiais. Tamanha a magnitude. Imagino que gerações anteriores tenham tido uma sensação similar ao testemunhar o nascimento do primeiro “Star Wars”, lá pela década de 70, quando os truques de filmagem hoje obsoletos eram recebidos como revolucionários. E não é difícil deduzir, também, que daqui a 30 anos, uma legião de fãs cultuará com o mesmo fervor este novo longa de James Cameron.

Não é pra menos: o que ele faz aqui é inacreditável, realmente sem precedentes. Depois de um jejum de doze anos, o diretor de “Titanic” retorna mais ambicioso que nunca, empenhado a criar, do zero, um mundo a ser desbravado – mais especificamente, um certo planeta Pandora, para onde uma corporação formada por humanos ruma no ano de 2154. O solo do local é rico, mas os habitantes – uma espécie chamada Navi – tem idioma e costumes próprios, vivendo de forma quase primitiva, e intrinsecamente ligados à fauna e flora da região. Para evitar uma guerra de maiores proporções, os humanos buscam uma suposta confraternização com os nativos hostis.

Visando isso, os cientistas desenvolvem avatares – uma combinação do DNA de selvagens e humanos, para os quais determinadas pessoas (aquelas que serviram de base para a criação dos protótipos) podem ser transferidas. A real intenção, no entanto, é que esses avatares se infiltrem entre os Navi para amaciá-los, e ao mesmo tempo passar informações valiosas sobre a tribo para os superiores. No entanto, o único que é aceito pelo clã é Jake (Sam Worthington), um fuzileiro que caiu de gaiato nesse esquema, depois de ter perdido o irmão gêmeo (para quem o avatar foi originalmente planejado) e ficado paralítico.

Ele se aproxima dos Navi, tendo como incentivo a garantia do chefe de que lhe será oferecido, ao final da missão, um tratamento que lhe recuperaria o uso das pernas (enquanto está sob seu avatar, Jake se locomove sem problemas). Como o filme segue por caminhos previsíveis – uma opção até que sensata do roteiro -, podemos deduzir que o herói acabará fascinado por aquele ambiente fértil, místico e desconhecido (o que dá a deixa para uma oportuna mensagem ecológica). E que encontrará, entre os nativos, sua mocinha (criada por computadores, com movimentos e expressões retirados de Zoë Saldana) – o que o coloca em meio a um conflito moral.

Sem muita introdução, o filme mergulha direto naquele universo fantasioso e irretocável. O visual é obviamente deslumbrante, bolado com brilhantismo por técnicos do mais alto calibre. As sequências de ação são coreografadas à perfeição, e os personagens animados são de uma consistência e expressividade inéditas – ao contrário do que nos fazia acreditar o primeiro trailer divulgado, que tinha gosto duvidoso. Mas não é mesmo filme para apreciar na tela do computador. Vai continuar ótimo em DVD ou Blu-Ray, em excelente definição. Visto no cinema, com som vindo de todos os lados (e em terceira dimensão em salas selecionadas, recurso que amplia a emoção), é o ápice dos ápices.

Ah, a trilha também é sensacional – só poderíamos ter passado sem a canção esquisita do final, interpretada por Leona Lewis (que está indicada ao Globo de Ouro e deve também chegar ao Oscar). E o elenco é super competente, ainda que este não seja um filme de atores (talvez a mais prazerosa de ver em cena seja Sigourney Weaver, reunindo-se com Cameron depois de “Aliens – O Resgate”). Só vejo por onde atacar o roteiro, que é mesmo convencional e rendido a certas pieguices – mas como esses ingredientes contribuem para dar a “Avatar” seu escopo de filme-pipoca, acho besteira reclamar.

Até porque é um filme-pipoca de qualidade imensurável, superior a todos os outros feitos em tempos recentes. E um dos mais impressionantes da década, independente do gênero. Uau, meus amigos… Uau!

.:. Avatar (Idem, 2009, dirigido por James Cameron). Cotação: A+

Categorias:Cinema
  1. Tiago
    19 dezembro 2009 às 1:33 pm

    Vou assistir hoje e sei lá…

    sabe quando você acorda na semana de provas e fica ansiosio?
    sabe quando você acorda e é dia de final de copa ou de seu time no brasileirão?
    e isso fica martelando na sua cabeça para que chegue logo, Avatar já começou asssim comigo desde o começo da semana.

  2. 19 dezembro 2009 às 2:36 pm

    QUEM DIRIA – também irei ver hoje!

  3. 19 dezembro 2009 às 4:51 pm

    Estou ancioso!

    • 19 dezembro 2009 às 7:51 pm

      Tiago, também tive crises de ansiedade na espera por Avatar rsrs… E fui recompensado!

      Cleber, o mundo inteiro vai correr atrás no fim de semana de estreia!😉

      Mark, nesse caso, a ansiedade e a expectativa não vão empatar em nada. Continuará sendo um filmaço!

  4. 19 dezembro 2009 às 10:07 pm

    Estou cada vez mais ansioso devidos aos comentários dos blogueiros, que não só são muito positivos, como em sua maioria afirmam que esse é um dos grandes filmes do ano.

    • 20 dezembro 2009 às 3:09 am

      Vinícius, estou é tentando entender os míseros que estão falando mal… Queriam mais o quê pra taxar de obra-prima, meldels???

  1. 27 dezembro 2009 às 9:01 pm

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