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Puta série boa!

Eu bem sei que tive motivos para reclamar de “Dexter”, especialmente nas duas últimas temporadas – as primeiras foram redondas e, para mim, inatacáveis. Já a terceira começou a dar sinais de cansaço, com uma trama pacata e desinteressante, e esta quarta, apesar de alçada degraus acima em relação a anterior pela participação do veterano John Lithgow, também perigou se perder em enredos bocós. Queremos – ou ao menos eu quero – ver o Dexter dúbio do início, e não o pai de família mais sossegado e refreado por uma esposa exigente que encontramos agora. Também não colaborou o romance besta de Angel e Laguerta, para quem ninguém dá bola. E mais do que nunca, a narração e os devaneios do Dexter com o pai adotivo ficaram exagerados e dispensáveis (porque apenas explicam o óbvio para o espectador mais lento). Além do mais, todos os dilemas que o protagonista enfrenta parecem meras pausterizações daquilo com que lidara nas temporadas anteriores, e com conclusões também parecidas.

A premissa da série é válida: mostraria um psicopata que adquiriu sua fome de matar ao presenciar – ainda criança – a mãe sendo barbaramente mutilada. Prioriza, no entanto, não apenas os assassinatos que este homem comete para extravasar seu monstro interior, mas também seus esforços para preservar um pouco de humanidade. Dexter tenta criar vínculos emocionais, constituir família e manter amigos próximos, mas tem medo de envolvê-los no seu inferno particular. E vive inseguro, se escondendo desde muito novo atrás da fachada que construiu para si. O problema é que o desenvolvimento dessa personalidade andava empacado, ou mesmo andando em círculos. Mas me enganei ao pensar que a série tinha perdido o pique do começo. Os roteiristas ainda possuem a habilidade de nos agraciar com reviravoltas eficientes, plantadas desde o princípio numa narrativa sólida e bem estruturada (apesar dos excessos e redundâncias já mencionados).

Planejada como um filmão contínuo, a quarta temporada – que chegou ao fim neste Domingo nos Estados Unidos – é uma das melhores do ano. Não vou entrar em detalhes sobre o episódio final, para que aqueles que ainda não viram possam continuar acompanhando o texto. Só confirmo que foi tudo o que a série tem de melhor: tenso, profundo, corajoso e surpreendente. Eu, muito espertinho, fui sacando, através dos indícios sutis, o desfecho inevitável, mas só quando o capítulo chegou ao fim fui de fato acreditar que o roteiro tinha ido tão longe. É um daqueles episódios que fica conosco, que retorna para nós em flashs nas horas seguintes. Um episódio para se aplaudir de pé, que vai me fazer esperar pela próxima temporada roendo até as cutículas. Deixo registrado aqui meu elogio à série, ao Michael C. Hall, ao Sr. Lithgow, e ainda à Jennifer Carpenter – que sempre deu um show, mas que nessa leva de episódios matou a pau. Boa, Dex!

Categorias:TV
  1. 14 dezembro 2009 às 1:19 pm

    Ui, me deu até vontade de querer continuar a primeira temporada, embora uma série que o Michael C. Hall fez e que eu amo e é indiscutível, é Six Feet Under. Revi os últimos 4 episódios da série que pra mim são os melhores de toda a série e entre os melhores episódios de todas séries que já vi.

  2. 14 dezembro 2009 às 4:31 pm

    só vi o primeiro episódio, até hoje. nunca mais consegui ver e, pra ser sincera, nunca me interessei de verdade.
    mas lá no fundo rola uma vontade sim. e como eu tenho pregui de baixar coisa na net, vou caçar amigo que tenha toooodas as séries pra me emprestar e eu assistir numa sentada só! (y).
    e eu amo tanto tanto o Lithgow. não sabia que ele estava pelo Dexter…

  3. Alex Pizziolo
    14 dezembro 2009 às 5:53 pm

    Tô com cara de idiota depois desse season finale, e vou ficar por um bom tempo. Cara, sem palavras! Perfeito demais! E o final é de chocar qualquer um.
    Dexter tem que ser bem lembrado no Emmy do ano que vem!

    • 14 dezembro 2009 às 6:29 pm

      Mark, Michael C. Hall é um puta ator, tanto aqui quanto em SFU! E antes disso não tinha experiência nenhuma na TV. Se fez na Broadway!

      Quéroul, tenho uma amiga que passou pelo mesmo que vc, viu só o primeiro episódio e não se atraiu. Na verdade o mesmo aconteceu comigo a uma primeira vista, mas insisti e vi, numa maratona, a primeira e a segunda temporadas no ano passado. Conclusão: viciei! E Lithgow entrou na série nesse quarto ano!😉

      Alex, teve alguns indícios que me fizeram acreditar nessa reviravolta, mas foi de fato chocante. Só tenho medo que caiam em clichês na temporada seguinte, ao abordarem as consequências disso. E sim, a série já é barbada no Emmy! o/

  4. Régis
    14 dezembro 2009 às 8:51 pm

    To com episódio aqui, bonitinho, me esperando… só vou tomar banho, e me esbaldar nele… E reafirmo mil vezes se for preciso, Jennifer Carpenter foi a melhor coadjuvante das temporadas que vi este ano. Em apenas duas cenas nesta temporada, ela fez mais que atrizes bem mais conceituadas epla critica não fazem em uma temporada inteira.

  5. 14 dezembro 2009 às 11:04 pm

    Eu adorava “Dexter” e acompanhava o programa quando ele passava na FOX, mas, desde que mudou pro FX, nunca mais vi a série. Beijo!

  6. 15 dezembro 2009 às 12:07 am

    Hahaha, acabei de ver a finale, e ADOREI a cena final! É mórbido, mas delicioso, tudo o que eu queria que acontecesse na série aconteceu! Maravilhoso! Só tenho dúvidas de qual finale foi o melhor: o de Mad Men ou o de Dexter, mas acho que dá Dexter, pela reviravolta.

  7. Régis
    15 dezembro 2009 às 1:21 am

    Gente, eu to chocado até agora. Deus, me pergunto que rumo a vida de Dexter vai tomar daqui em diante. Cara, isso é HUGE. Eu pra ser sincero já esperava por isso, mas quando vi aquilo, Deus, não consegui acreditar. To sem palavras pra descrever esse finale. Não só pela reviravlta, mas por finalmente várias histórias terem finalmente convergido para uma resolução.

    • 15 dezembro 2009 às 3:52 am

      Régis, Jennifer Carpenter PRECISA começar a ser reconhecida pelas premiações! É uma atriz excelente, e ofuscou todo mundo nessa temporada. E tb continuo embasbacado, assim como você!

      Ka, o jeito é baixar! Você não gosta, mas abre uma exceção por Ugly Betty, e Dexter tb merece a sua insistência! Tá o MÁXIMO!🙂

      Luiz Vinicius, Mad Men foi a grande série dramática do ano, mas em termos de finale não tem nem comparação: o de Dexter teve muito mais impacto. O coloco no mesmo nível de choque que foi o season finale de Grey’s Anatomy, em Maio.

  8. 15 dezembro 2009 às 4:47 am

    ‘Dexter’, só assisti a primeira temporada. comecei a 2°, mas ja não me agradava. um dia, vejo as últimas em DVD, de uma vez. abraço🙂

    • 15 dezembro 2009 às 4:14 pm

      Jeniss, a segunda é a minha favorita! Tire o atraso em DVD, sem falta!!!

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