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Orgulho de ser 2D

Não foi muito coerente terem exibido, antes do início de “A Princesa e o Sapo”, a chamada para a reestreia dos dois primeiros “Toy Story”, que voltam aos cinemas no ano que vem, em versão 3D. Na esquete, eles meio que menosprezam os filmes nas tradicionais duas dimensões, sendo que este é o grande trunfo da mais nova animação da Disney. “A Princesa e o Sapo” vem sido vendido, desde o primeiro teaser, como um retorno do estúdio às suas raízes, aos filmes desenhados à mão, quadro a quadro, embalados com muita música. Também foi muito comentado por adicionar à já imensa coleção de princesas a primeira negra, apresentada numa trama fresquinha passada inteiramente nos Estados Unidos – mais especificamente, na Nova Orleans dos anos 20, o berço do jazz.

Como o título indica, o filme vai subverter o conto do Príncipe Sapo, transformado num bicho gosmento (ou mucoso, como eles dizem) por um feitiço, e reintegrado à forma humana depois de receber um beijo de uma donzela. Só que como conta o próprio trailer, não é bem isso que acontece aqui: quando a mocinha, uma garçonete negra e esforçada que está economizando para abrir o próprio restaurante (dublada no original pela vencedora do Tony Anika Noni Rose), beija o sapo enfeitiçado (na verdade um príncipe africano festeiro, voz do brasileiro Bruno Campos), é ela quem acaba se transformando em sapo junto dele. Daí em diante, em respeito às convenções, os dois anfíbios vão bater de frente e se detestar, mas terão de se unir para buscar um reverso para a maldição e, no caminho, se aproximarão e descobrirão o amor. Quem causou toda a confusão, para começo de conversa, foi um macumbeiro mal intencionado e um lacaio ambicioso. Nesse balaio de gato entram ainda o magnata da cidade, sua filha mimada, os pais humildes da protagonista, um trio de caçadores atrapalhados, uma feiticeira cega, um jacaré que toca trompete, um vagalume apaixonado por uma estrela e outros mais.

Se você ficou com a impressão de que há muito personagem para pouca história, acertou. A magia fala por si só – dá gosto assistir, depois de uma abstinência tão grande, a uma animação simples e sincera no chapado formato 2D -, mas nem tudo é perfeito. Fica óbvio que os diretores John Musker e Ron Clements (este último o roteirista, que partiu também com a ideia original) tem carinho e respeito por aquilo que fazem; conscientes da responsabilidade que carregam, eles veneram o vasto currículo do estúdio e sugam, daqui e dali, os elementos “disneyficados” que se tornarão a identidade de “A Princesa e o Sapo”. Gostaria, no entanto, que estivessem mais relaxados, e determinados não apenas a se utilizar de fórmulas conhecidas, mas também a incrementá-las. Já o roteiro não é sempre feliz em suas investidas humorísticas – por outro lado, é apinhado de lições e bons exemplos, incentivando a trabalhar duro para realizar os sonhos (mas reconhecendo ainda que também é importante sonhar), e a seguir o coração (por mais cafona que isso seja). A animação é bastante profissional, assim como a trilha composta por Randy Newman (em geral muito boa, apesar de algumas canções serem mais atrativas que outras). Um bom programa para fazer com os filhos, sobrinhos ou irmãos mais novos. Afinal, mesmo que eu esperasse mais, não tenho o coração de pedra, e fiquei emotivo por ver um autêntico Disney nos cinemas mais uma vez.

.:. A Princesa e o Sapo (The Princess and the Frog, 2009, dirigido por John Musker e Ron Clements). Cotação: B-

Categorias:Cinema
  1. Tiago
    12 dezembro 2009 às 2:43 am

    Nao vou poder ver esse final de semana :~ e semana que vem so vou ter uma coisa em mente e eu acho que a maioria também, Avatar aheuaehau

  2. 12 dezembro 2009 às 1:56 pm

    vejo esse no próximo fim de semana, junto com ‘Avatar’ (motivo: 13° salário :P)
    abraço🙂

    • 12 dezembro 2009 às 2:20 pm

      Tiago, vi essa semana justamente por isso: na próxima, só vou ter olhos pra Avatar!

      Jeniss, boa maneira de aproveitar o salário!😉 Abraço.

  3. 12 dezembro 2009 às 3:59 pm

    Minha principal expectativa em relação a “Princesa e o Sapo” é justamente pelo fato de ser uma das poucas animações tradicionais que ganhou prestígio nos últimos anos.

  4. 12 dezembro 2009 às 8:02 pm

    Ah, eu achei bonitinho o filme, pode não ser um “Ratatouille”, mas pra mim fica a centímetros de distência de “Up”. E eu acho que desisti de tentar chorar com desenhos, o último foi “O Rei Leão”, depois desse, nunca mais chorei com filme algum.

    • 13 dezembro 2009 às 1:36 am

      Vinícius, era isso que me motivava a ver o filme tb… E em geral não me decepcionei!🙂

      Luiz, vc coloca A Princesa e o Sapo acima de Up? Eu dou dianteira tanto ao filme da Pixar, quanto a animações excêntricas como Coraline ou O Fantástico Sr. Raposo (e olha que ainda não vi Ponyo, do Miyasaki)! Mas tb não chorei em A Princesa e o Sapo…

  5. 13 dezembro 2009 às 1:53 am

    Opa, centímetros de distância “atrás” de Up, e não à frente, rsrsrsrs

  6. 14 dezembro 2009 às 12:25 am

    Vou assim que chegar por aqui. ^^
    =*

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