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Quando o cinema brasileiro dá orgulho

Taí um filme nacional muito legal e diferente, que reacende minhas esperanças em relação ao nosso cinema. Como vocês viram, nada menos que três produções brasileiras adentraram no meu top 10 de piores do ano, e pelo menos outras duas – “Filmefobia” e “A Ilha da Morte” – são igualmente dignas da “honraria”. Mas eis que surge “É Proibido Fumar”, para nos provar que temos, sim, profissionais visionários e inteligentes que nos representam bem. Trata-se de outro trabalho super competente da diretora Anna Muylaert, que acertara antes com o simpático “Durval Discos”. Dessa vez ela faz um filme difícil de descrever, que transita entre vários gêneros sem fincar o pé em nenhum. O resultado surpreende: não é irregular, mas sólido e seguro – e apesar de indissoluvelmente brasileiro, não apela para a pobreza e ignorância cruas que vimos, por exemplo, em “A Festa da Menina Morta”, de Matheus Nachtergaele (que à sua maneira, também está entre os melhores da temporada).

Acompanhamos o cotidiano de Baby (Glória Pires), uma professora de violão que asfixia suas mágoas com doses cavalares de tabaco. Ela vive sozinha na Grande São Paulo, num apartamento com decoração kitsch que herdou da mãe, e se espezinha a todo instante com as irmãs, em especial quando o assunto é um certo sofá vermelho, que Baby jura ter-lhe sido prometido por uma tia. Ou seja, uma personagem perfeitamente verossímil, igual à qual conhecemos baldes, talvez até mesmo em nosso núcleo familiar. De início não sabemos para onde aquela história está indo, mas Muylaert não perde o fio condutor e anima as coisas com a aparição do roqueiro Paulo Miklos (como um músico que se muda para o apartamento vizinho e que se envolve com a heroína). Daí em diante a trama guarda algumas surpresas, sendo a certo ponto puxada para o suspense, mas tudo se resolve sem maiores julgamentos morais. E mais não digo.

Grande vencedor do Festival de Brasília, o filme acaba de ser premiado também pelo APCA, a Associação Paulista dos Críticos de Arte, nas categorias Direção e Atriz. Nada mais merecido. E não há como negar que este tenha sido o ano de Glória Pires nos cinemas – a começar pelo êxito de bilheteria “Se Eu Fosse Você 2”, onde se divertiu à beça ao lado de Tony Ramos. Se mesmo naquele, que nada mais era que um pastiche de fitas americanas com a mesma fórmula, Glória já arrasava, imaginem o estrago que não faz com uma personagem matizada como a que lhe oferece “É Proibido Fumar”? Sem dúvidas, uma das grandes interpretações do ano, dentre qualquer nacionalidade. E em 2010 dá-lhe ela de novo, como a matriarca humilde no filme do Lula. Fato: um alcance desses poucas atrizes no mundo tem.

.:. É Proibido Fumar (Nacional, 2009, dirigido por Anna Muylaert). Cotação: A+

Categorias:Cinema
  1. 10 dezembro 2009 às 12:38 am

    Quero muito conferir este filme! Não esperava, juro, que sua opinião sobre ele fosse ser tão positiva assim!🙂 Beijo!

  2. Carlos
    10 dezembro 2009 às 2:32 am

    Louis,

    Eun não sabia aonde perguntar. Então eu vou perguntar aqui…
    Eu queria começar a ver true blood, mas eu ouvi dizer que a série dá muitos sustos. Uma pessoa da minha idade não pode tomar muitos sustos/terror e tbm eu nem gosto… Por favor eu queria a sua opnião pra ver se essa série vale a pena. obrigado.

    • 10 dezembro 2009 às 2:53 am

      Ka, nem eu esperava que fosse gostar tanto! É um filmaço!🙂 Beijo.

      Carlos, desculpa a pergunta, mas qual seria sua idade? rsrs… “True Blood” não é uma série de terror ou suspense, ela só é ocasionalmente tensa, mas isso é involuntário – o roteiro sempre prioriza a bizarrice e as soluções dramáticas mais interessantes, além de usar os vampiros como metáforas para os problemas vigentes na nossa sociedade. Eu super recomendaria a série a qualquer um – que não tivesse problemas com sangue e que fosse adulto o suficiente para presenciar as cenas de nudez e sexo!😉

  3. Carlos
    10 dezembro 2009 às 4:07 pm

    Obrigado. E eu quero parabenizar o seu blog que está muito bom. Você além de ser um otimo escritor é um ótimo conselheiro. Obrigado por tudo. Adoro as suas opiniões.

    P.S: A minha idade é…
    Desculpe mas isso eu não vou contar…
    Esse é um segredo guardado a sete chaves…
    rsrsrsrsrs

  4. Tiago
    11 dezembro 2009 às 12:25 am

    Fui saber desse filme mesmo quando saíram os vencedores do Festival, ai quando vi que a Gloria Pires estava no meio eu disse “DE NOVO?!” IAHEIOAEH nada contra mas é que realmente a mulher esse ano tá em todas praticamente e é uma das melhores atrizes sem ter aquele lance só global.

    Louis vc viu o 01×13 de Glee, não sei se você vai comentar sobre mas achei um máximo, os numeros das seletivas, ainda mais aquele solo da Lea/Rachel, WOOW me deixaram arrepiados, sem contar logo no começo a Mercedes cantando “I am Telling you”, e eu não sabia que uma musica da Kelly Clarkson fosse s encaixar tão bem para o final! muito boa ainda mais eles relembrando os passos e coreografias de todas as musicas que eles ja cantaram. muito bom o desfecho.

    • 11 dezembro 2009 às 12:33 am

      Carlos, muito obrigado pelo elogio! Feliz em lhe poder ser útil! rsrsrs…

      Tiago, mas Glória merece né???🙂 E claro que iria comentar o fall finale de Glee! Achei o má-xi-mo, tremi como vara verde quando a Rachel entrou no palco! rsrsrs! Acabei de publicar um post só sobre a série, com minhas impressões sobre a temporada como um todo.

  5. henriquezrx
    11 dezembro 2009 às 3:06 am

    Bom, vou considerar esse post como uma indicação para ver o filme ;] Ainda mais com uma cotação A+

  6. 11 dezembro 2009 às 5:20 pm

    Não esperav opiniões tão favoráveis, mas acredito que também irei gostar

    • 11 dezembro 2009 às 6:58 pm

      Henrique, claro que está indicado! Recomendadíssimo!

      Luis, todos com quem eu conversei até agora adoraram o filme. Vá tranquilo!😉

  7. 14 dezembro 2009 às 12:28 am

    De vez em nunca, dá pra assistir alguma coisa nacional.
    Vou ver esse assim que der.
    =*

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