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Encosto que dá medo

“Atividade Paranormal” foi rodado com uma verba ínfima, na casa do próprio diretor, sem roteiro fixo e com dois atores desconhecidos improvisando os diálogos. Só tinham definido o ponto de partida: um casal assombrado por uma força sobrenatural passa a deixar uma câmera ligada durante a noite, para registrar a origem dos barulhos que os fazem perder o sono. Pela proposta, o espectador veria apenas o que aquela filmadora está gravando, para que os sustos e as emoções fossem captadas em estado de performance. Exatamente da mesma forma que acontece em “REC”, “Cloverfield” e no pioneiro “A Bruxa de Blair” (o qual muitos acreditam ser verdadeiro até hoje, em função do marketing certeiro na ocasião do lançamento).

Apesar de bastante explorada, a estrutura é interessante o suficiente para ser usada com frescor. Assim como muitos de seus colegas de gênero, “Atividade Paranormal” cresceu por conta própria, sendo exibido em festivais e angariando fãs ao longo do caminho. Fizeram campanha pesada para que encontrasse distribuidora, e depois de idas e vindas, o filme acabou no colo da Paramount – no entanto, as cópias que estrearam comercialmente não trazem o logo do estúdio. Cortam qualquer vínculo com o profissionalismo para que os mais ingênuos acreditem na veracidade do caso. O que é um pouco difícil de acontecer. Embarcar cegamente é um problema, porque a ambientação é meio forçada e cada take, muito marcado e cronometrado.

Também não colaboram os protagonistas, Katie Featherston e Micah Sloat. Eles são esforçados (Micah inclusive é quem segura a câmera na maior parte do tempo), mas inexpressivos e limitados (interpretações lancinantes são indispensáveis nesse tipo de filme, que tenta a todo instante se aproximar do palpável e dos limites tidos como críveis). Até para conversar ambos parecem pouco à vontade, às vezes mais interessados em situar o público no que está acontecendo do que em agir normalmente (mas é mesmo uma armadilha: se não fosse o didatismo do começo, como é que ficaríamos a par da história?). Pouco sabemos sobre o casal, mas perguntas como “Há quanto tempo se conhecem?” e “O que fazem da vida?” parecem irrelevantes – só estranhamos que pessoas tão jovens vivam tão bem acomodadas, num sobrado bem decorado, num bairro de classe média alta.

As atenções da trama se voltam sempre para o tal fenômeno paranormal. Não carecia explicar coisa alguma, mas tentam encontrar soluções e justificativas, escondidas no passado da moça. Bobagem. O que fez o público delirar com o filme, e o que vai me fazer ter dificuldades para dormir esta noite, foram as sequências noturnas no quarto. Se mesmo um descrente como eu ficou de cabelo em pé, imagine o efeito que essas cenas surtirão nos mais sensitivos! Afinal, todo mundo já deve ter ouvido barulhos durante à noite, imaginários ou não. Só que prefiro continuar sem saber as causas dos que eu ouço. Tensos, realistas e filmados de forma convincente, os sustos que esse encosto prega no casal vão ficar ecoando pela sua cabeça após o término da sessão. De preferência, veja acompanhado.

.:. Atividade Paranormal (Paranormal Activity, 2007, dirigido por Oren Peli). Cotação: B+

Categorias:Cinema
  1. Régis
    9 dezembro 2009 às 1:12 am

    To com ele no pc. Só esperando sair legendinha. E assino em tudo que você disse. Pra mim o que importa num terror é dar medo. Se vai se sair bem nos outros quesitos, ótimo, mas dar medo é 70% do me interessa. Isso que dá nojo desse monte de critico mal amado que fala mal de filmes tipo este.

  2. 9 dezembro 2009 às 10:44 am

    Eu não senti medo do filme. Achei até agradável… acho que é porque eu era viciado naqueles programinhas do A&E que procuravam responder um bando de coisas sobrenaturais e tal. E porque (graças ao Discovery, yeah!) eu sei que os barulhos dos móveis a noite é madeira encolhendo por causa da umidade. Blergh, eu sou muito estranho mesmo!

    • 9 dezembro 2009 às 3:37 pm

      Régis, esses críticos não aprendem!! Continuam endossando as mesmas convenções de sempre e pagando de intelectuais! Eca.

      L. Vinícius, mas eu tb nunca fiquei vendo esses realitys de caça-fantasmas. Achava bicas ridículo. Mas é como o próprio diretor do filme disse: mesmo sabendo que não existe nada, não dá pra não ficar cismado diante de testemunhos tão veementes!

  3. kelly
    9 dezembro 2009 às 10:56 pm

    como sou sensitiva, tenho uma visão diferente sobre o filme…
    achei terrivel, estou acostumada a lidar com paranormalidade, acontecimentos sem explicações lógicas, desde criançinha, já fui taxada como louca várias vezes…
    eu sei o que vejo, sinto, e tb sei que não sou louca…
    demonios são terriveis, me assustam muito…
    deus me livre, e me proteja!

    • 10 dezembro 2009 às 12:11 am

      Kelly, obrigado pelo comentário! É sempre bom ter uma perspectiva diferente, de quem já passou por algo parecido.

  4. Régis
    10 dezembro 2009 às 12:46 am

    Assisti finalmente… GOD, me borrei de medo em certas cenas… o melhor não são os sustos, mas sim o clima insuportável de tensão que o diretor cria.
    Agora me diz uma coisa, alguém mais tava torcendo pro fantasma pegar uma colheitadeira e trucidar aquele filho-duma-puta-barata-e-mal-comida daquele fudido do Micah? Gente, voto nele pra criatura mais irritante que surgiu nas telas este ano.

    E com relação a este tipo de ocorrido, até hoje só uma vez eu presenciei algo “inexplicável”. Foi há uns 4 anos atrás, mais ou menos. Eu estava deitado na cama, ainda acordado, quando ouço passos do lado de fora, no corredor que liga os quartos. De início pensei o óbvio, que minha mãe ou irmã tivessem saído do quarto, mas achei estranho que os passos pararam e não ouvi nenhum som de alguém voltando pro quarto. Meia hora depois levanto e vou perguntar se alguém tinha levantado, e nenhuma das duas chegou a sair da cama. Eu sei que alguém vai dizer essa coisa sobre barulhos na casa, sobre a madeira se contraindo e talz. Mas eu ouvi PASSOS, enfatizo isso, PASSOS, tipo, passos mesmo. Eu sei diferenciar um barulho natural, do de alguém caminhando. Como disse, até hoje não consegui achar uma explicação plausível, mas acredito que este tenha sido o única atividade neste sentido que eu não tenha conseguido explicar.

    • 10 dezembro 2009 às 3:01 am

      Régis, é tenso mesmo né? Ficava me lembrando das melhores cenas ontem antes de dormir rsrs… Nunca passei por nada como você – já ouvi barulhos mas nada tão concreto que me fizesse ter certeza absoluta. E espero que continue assim. Assombração, tá amarrado três vezes!!!🙂

  5. 14 dezembro 2009 às 12:29 am

    Adoro filme que faz a gente morrer de medo de dormir. ^^
    Vejo assim que der.
    =*

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