Início > TV > Sem saco para House

Sem saco para House

Durante as quatro primeiras temporadas de “House”, o programa teve uma vaga cativa na minha lista das 5 Melhores Séries no Ar (talvez ainda num top 3). Era o máximo, mesmo com a fórmula fixa, que podia fazer os episódios caírem na mesmice e se repetirem. Os mistérios médicos apresentados a cada capítulo eram instigantes e bem escritos, e adorávamos acompanhar os casos, mesmo que já soubéssemos o desfecho de cada um – era sempre assim: o paciente sofreria várias paradas cardíacas enquanto a equipe chegava a diagnósticos incorretos, até o House matar a charada no finalzinho, graças a uma frase aleatória dita pelo Wilson ou pela Cuddy.

Até porque esses diagnósticos eram apenas um adereço da série. Fascinante mesmo era acompanhar desenvolvimento do personagem principal: um doutor manco, rabugento, cínico e sarcástico (às vezes até demais), que afasta todos ao seu redor com suas idiossincrasias e distúrbios causados pela genialidade. Alguém que fazia por merecer o título de “melhor personagem televisivo recente”. Grande parte do mérito se deve, é claro, ao talento de Hugh Laurie – que já venceu dois Globos de Ouro e dois prêmios SAG pelo papel, mas ainda nenhum Emmy. Não é à toa que o salário dele está entre os mais altos da TV americana (ou que passou a assinar como produtor a partir das últimas temporadas; é um elemento indelével da série, mais “dono” dela do que o próprio criador David Shore). E não é à toa, também, que “House” é a série mais assistida no mundo, segundo o último levantamento feito – nos Estados Unidos, a audiência também é surpreendentemente boa, mesmo sendo muito elaborada para o público médio e transmitida em canal aberto (tipo novela no Brasil).

Mas as irregularidades estão cada vez mais evidentes. As insatisfações surgiram – pelo menos num plano geral – a partir da quinta temporada, quando a outrora eficiente estrutura narrativa começou a dar sinais de desgaste. A saturação de personagens pode ser apontada como um dos problemas. A seleta equipe inicial – Foreman, Chase e Cameron – foi substituída, e pelo menos os dois últimos se tornaram meros figurantes. Parece que os atores, que estavam envolvidos num relacionamento na vida real, também deram trabalho para os roteiristas – o clima estava pesado, já que foi Jennifer Morrison, a Cameron, que rompeu o noivado. Talvez por isso ela tenha sido dispensada pelo próprio David Shore nessa sexta temporada. Para não romper o contrato, vai receber pelos episódios restantes, mas não mais aparecer (nem mesmo como guest star, como tinham dito inicialmente). Morrison é o primeiro membro do elenco original à deixar “House” – o que nunca é um bom sinal.

Apesar desse indício de queda, os problemas vem de muito antes. A quarta temporada disfarçou a saída da equipe de confiança com um divertido jogo comandado pelo House, que escolheu os novos subordinados numa espécie de “No Limite” médico. Da quinta em diante não tinha mais esse artifício para preencher o tempo. Resolveram focar nos novos personagens, e pelo menos uma dessas tramas – a da Thirteen, médica com uma doença genética que se envolve com o Foreman – foi absurdamente sonolenta. Me decepcionei, também, com a saída do Kutner, o meu favorito do novo trio (o ator foi trabalhar para o governo americano ao lado do Obama, de modo que os roteiristas não tiveram escolha a não ser fazer o personagem se suicidar)! A sexta temporada começou muito bem, obrigado, com um episódio atípico, que mais pareceu um filme avulso – só centrado no House, numa clínica de reabilitação psicológica (ou hospício, como preferirem). Mas agora andam se empatando, mais uma vez, com tramas bobinhas, uma delas incluindo o próprio House (que está apaixonadinho pela Cuddy, mas ela está envolvida com o detetive que conhecemos na temporada passada). Ainda vejo a série com prazer, é claro. Só estou longe de me empolgar como antes. Alguém mais sente o mesmo?

Anúncios
Categorias:TV
  1. 5 dezembro 2009 às 3:24 pm

    Podem me criticar, mas sempre achei apenas o personagem do Hugh genial, a série pra mim sempre foi a mesma coisa que encontramos em outras séries médicas como Grey’s Anatomy. Pacientes com problemas, médicos tentando encontrar a solução e tudo isso me entendiava ou me dava sono.

  2. Rafaella
    5 dezembro 2009 às 5:46 pm

    Olá, Louis! Primeiro, gostaria de dizer q eu descobri o seu blog recentemente e ele é ótimo! E normalmente eu concordo com vc em tudo e dessa vez não é diferente. House continua na minha lista de séries favoritas, mas a temporada passada já não foi uma beleza. Mas o episódio duplo do House no hospício me deu esperança de q a sexta temporada seria genial. Aí voltamos à vaca fria e eu quase chutei o meu computador quando o Taub e a Thirteen voltaram pra equipe depois daquele joguinho TOSCO do House, esse lance de ele estar apaixonado pela Cuddy e agora, depois de séculos é q ela vai ficar com o detetive?! Como eu ando dizendo ultimamente, só estou vendo House, por causa do Wilson, q sempre foi meu personagem preferido na série e q, no último episódio, esteve ótimo.

    • 5 dezembro 2009 às 8:35 pm

      Mark, além do House, eu costumava gostar do Wilson e da Cuddy nas primeiras temporadas, e me afeiçou à equipe original, mesmo que os problemas deles fossem meio óbvios!

      Rafaella, muito obrigado pelo elogio! 😉 Adorei o episódio todo centrado no Wilson. Acho que a série sai ganhando quando foge da fórmula fixa e aposta em formatos não-convencionais. Tanto que este e o do hospício foram os melhores da temporada! O chato é eles se voltarem pros conflitos desse povo babaca, que não nos desperta o mínimo interesse.

  3. 5 dezembro 2009 às 9:49 pm

    Eu estou sem saco é pra “Grey´s Anatomy”. Faz três semanas que nem confiro o programa e, pior, nem sinto falta!! Beijo!

    • 6 dezembro 2009 às 5:02 pm

      Jura, Ka?? Pior que eu nem posso dizer que não te entendo. Só que fui me irritar de verdade com “Grey’s” no décimo e último episódio do ano. MUITO ruim!!!

  4. Caroline®
    6 dezembro 2009 às 6:02 pm

    Eu nunca gostei muito de House. Acho chato, repetitivo…

  5. 6 dezembro 2009 às 10:56 pm

    Eu concordo com o primeiro comentador ali… acho que a série é o Laurie mesmo. os episódios são formulares e tal, as personagens sempre do mesmo jeito, até o House um pé no saco – mas graças ao talento do Hugh, vc nem se irrita mortalmente.
    eu gosto. e achei a season première da temporada atual uma coisa linda. enfim, continuo vendo, aleatoriamente como sempre… eu gosto, mas sei que não dá pra assistir seguidão como faço com outras séries (tipo Friends, até hoje, heh).

    • 7 dezembro 2009 às 12:44 am

      Caroline, nas quatro primeiras temporadas, mesmo tendo consciência da fórmula repetitiva, eu adorava! Curtia todas as estripolias do personagem, mas começou a cansar depois de um tempo…

      Quéroul, te entendo. Tb tenho as minhas séries para “ver quando dá” rsrs… Mas House está na minha lista de “obrigatórias” – ou ao menos esteve nos primeiros anos. Hj vejo mais por hábito e educação.

  6. 14 dezembro 2009 às 12:35 am

    Eu acho a ideia de House interessante, mas nunca consegui ver. Faltou tempo, coragem pra baixar e pra assistir. Quem sabe nas ferias. 😉
    =*

  7. 23 dezembro 2009 às 1:59 pm

    Comecei a terceira temporada e está muito interessante, apesar do policial mala que teve uma coisa enfiada no reto.

  1. No trackbacks yet.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: