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Precious

Quem está ligado na próxima temporada de premiações já ouviu falar de “Precious”, filme independente de Lee Daniels que foi a sensação no Festival de Sundance e angariou defensores do porte de Oprah Winfrey. Tido como barbada no Oscar nas categorias Filme, Diretor, Atriz (a estreante Gabourey Sidibe), Atriz Coadjuvante (Mo’Nique, mais conhecida como comediante de quinta categoria) e Roteiro Adaptado (foi baseado no livro “Push”, como indica o título completo em inglês), não deve aportar nos cinemas brasileiros até Fevereiro, mas pode ser visto no exterior ou por meio de download caseiro em ótima qualidade, por quem não puder bancar as passagens aéreas. E como se esperava, “Precious” é um daqueles filmes que, ao mostrar um caso de profundo sofrimento, nos faz jurar nunca mais reclamar da vida.

Somos apresentados ao mundo particular de Precious (Sidibe), uma garota obesa, pobre, judiada e disléxica, que tenta superar os traumas do passado e presente, enquanto vivencia episódios de arrepiar os cabelos. São situações impronunciáveis, que vão da miséria e escravidão dentro da própria casa – onde é mal tratada, xingada e humilhada pela mãe -, ao mundo indiferente lá fora. Aos 16 anos, Precious está grávida do segundo filho (a primeira é uma garotinha com Síndrome de Down, criada pela avó), sendo ambos frutos dos estupros constantes que sofre do pai (que aliás mal aparece). Mas tenta escapar dessa realidade deplorável, se imaginando num mundo de luxos e riquezas, de sessões de foto e pré-estreias (numa cena mais discutível, que deu margem para que certos críticos acusassem o filme de racista, ela aparece se mirando no espelho e vendo uma garota branca, bonita e magra no lugar).

Vejo de outra forma. Vejo como uma personagem que está tão perdida no meio de uma espiral de caos que não sabe o que realmente é e o que é reflexo desse caos. Precious não fica impassível. Ao mesmo tempo em que mantém seus sonhos e esperanças, também é corrompida pela brutalidade. E Gabourey tem um jeito espontâneo, sincero e terno que comove e convence no papel. Mas quem dá show mesmo é Mo’Nique, que como a mãe asquerosa e ignorante, chega até a assustar. Não há dúvidas de que ela vá ganhar o Oscar, ao qual certamente já está indicada (Gabourey também deve conseguir uma vaga, mas como principal – eles precisam reconhecê-la agora, até porque não deve ter uma grande carreira, por ser difícil de escalar). Encerro os elogios à dupla dizendo que quando as duas batem de frente – tendo inclusive que se enfrentar em termos físicos -, não tem como não prender a respiração.

Nem tudo são flores, no entanto. A história é uma reunião de fórmulas já conhecidas, ainda que contada com certo ímpeto pelo diretor. O que incomoda a princípio é que parecem ter seguido o manual “Como fazer um filme indie de sucesso”. Pouca coisa soa autêntica. Parece mais uma fita independente de “boutique”, que estava mirando alto desde o começo (isso explica as pontas de Lenny Kravitz e Mariah Carey, esta última enfeiada como uma assistente social), e não um filme realmente pequeno, humilde e pé no chão. Não se engane, portanto, pensando que cresceu por conta própria. O mérito é do marketing. Salvo duas cenas específicas (a briga de Precious com a mãe, com direito à mobília sendo espatifada, e uma certa conversa no escritório da assistência), há pouco a destacar. E o roteiro de Geoffrey Fletcher, se eficiente no desenvolvimento da protagonista, carece de um fio condutor. O que vemos são cenas truncadas, mesmo que nem sempre fique claro como essas coisas se encaixam, e conflitos que precisavam ser aprofundados, mas que nunca são. Gostaria de um pouco mais de carinho, mas aprovei o resultado. Só acho que será igualmente fácil desgostá-lo.

.:. Preciosa (Precious – Based on the Novel “Push” by Sapphire, 2009, dirigido por Lee Daniels). Cotação: B-

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Categorias:Cinema
  1. 1 dezembro 2009 às 3:31 am

    Louis e sua paixão pelo “Cine Download”
    hehehehehe! ouvi dizer que o filme estreia nos cines brazucas em janeiro.
    abraço 🙂

    • 1 dezembro 2009 às 9:53 am

      Jeniss, é em Fevereiro e pela PlayArte, a pior distribuidora do país – o que desanima qualquer um!!

  2. 1 dezembro 2009 às 3:17 pm

    To com ele no pc… só esperando sair a legenda. Nem que seja em inglês mesmo… pois só do audio ainda não consigo acompanhar. Meu inglês é bem fraquinho. Ainda mais filmes cheio de girias “black bitch”.

  3. 1 dezembro 2009 às 10:02 pm

    Tem a mão de Oprah é como se achassem o final do arco-íris. Acho que a história é que realmente deve ser o grande fio da trama bem forte.
    Enfim, eu irei esperar estrear, mesmo que para isso eu só o veja no próximo ano.

  4. 1 dezembro 2009 às 10:39 pm

    Não li todo o texto, Louis, porque não gosto muito de ler sobre filmes que eu ainda não vi. Só sei que tenho muita expectativa em relação à “Precious”, porque a maioria das opiniões que li foram boas e recomendam o filme. Acho que esse deve ser seu caso também. Estou certa? Beijo!

    • 2 dezembro 2009 às 11:32 am

      Régis, você, que esperava o filme com bastante expectativa, não deve se desapontar!

      Luis, onde tem uma história edificante com personagens negros a Oprah pula dentro! rsrs… E sim, estreia no ano que vem – a PlayArte confirmou a data (29 de Janeiro, daqui a quase dois meses) e o título: “Preciosa”.

      Ka, sim, minha opinião é favorável e certamente recomendo o filme, mas com algumas ressalvas! 😉 Beijo!

  5. 14 dezembro 2009 às 12:38 am

    Pelo visto vou ter que esperar por fevereiro. =/
    =**

    • 14 dezembro 2009 às 7:51 am

      Jecik, o pessoal está meio devagar! Acho que nem saiu legenda ainda rsrs…

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