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Archive for dezembro \31\UTC 2009

Season finale

31 dezembro 2009 7 comentários

2010 está há algumas horas de distância. Chegou o momento do “Letters from Louis” tirar um merecido descanso – um final de temporada, digamos, depois de mais de 7 meses de atualizações diárias. Foram mais de 225 postagens, 2500 comentários e 75 mil visitas – dentre amigos, familiares, desconhecidos, e pessoas que só vim a conhecer através do blog e que se tornaram muito queridas. Espero vocês em breve, logo mais em Janeiro, com as premiações da temporada se aproximando, mais filmes fresquinhos a serem avaliados, e mais séries de TV a serem elogiadas ou vilipendiadas. Na medida do possível, vou tentar dar mais dicas de Teatro (que frequento regularmente) e Livros (sou leitor assíduo, principalmente nesse período de férias) – e novas páginas, sobre as experiências de 2010 em cada um desses quesitos, serão devidamente criadas. Aproveite o post para sugerir o que mais gostaria de encontrar por aqui – afinal, cada texto, escrito com muito esmero, visa sempre você, leitor. Desejo um Ano Novo maravilhoso aos amigos do “Letters…” – um 2010 de realizações, repleto de cinema, TV, música e vida real para todos. Sempre monto uma listinha de resoluções de Ano Novo, tipo Bridget Jones, com itens que incluem desencalhar, ser mais pró-ativo, não gastar dinheiro com bobagens, virar vegetariano em tempo integral, me isolar num mosteiro por um mês e tantos mais. São metas que eu juro que vou atingir, mas que costumam ser abandonadas na primeira semana do ano. Na lista de 2009 para 2010, no topo está: “Dar continuidade ao blog”. Mas isso, com o apoio de vocês, eu sei que não vai ser um problema cumprir!

Louis Vidovix

Categorias:Diversos

Interpretações Masculinas – 00’s

30 dezembro 2009 9 comentários

Como prometido, aí está o top 10 de interpretações masculinas da década que se passou (considerando unicamente trabalhos no cinema):

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10. John Cameron Mitchell – Hedwig em “Hedwig – Rock, Amor e Traição”

John Cameron Mitchell escreveu, dirigiu e compôs as canções de “Hedwig and the Angry Inch”, saindo-se muitíssimo bem em todos esses quesitos. Foi como ator, no entanto, que mais surpreendeu. Ele defende o papel principal com garra e acerto, de forma que acabamos favoráveis a um personagem difícil de simpatizar. Bem que poderia ter persistido na carreira!

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9. Casey Affleck – Robert Ford em “O Assassinato de Jesse James pelo Covarde Robert Ford”

Brad Pitt entregou a melhor atuação de sua carreira em “O Assassinato de Jesse James”, mas todas as atenções se voltaram mesmo para Casey Affleck, o Robert Ford da segunda metade do título. Irmão mais talentoso de Ben, Casey convence como um rapaz perturbado e cheio de conflitos internos – um garoto medíocre que, motivado por sua mania de grandeza, assassina um dos criminosos mais temidos (e carismáticos) do Velho Oeste americano. Ponto extra: a cena na cadeira de balanço. Para ser aplaudida de pé.

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8. Jackie Earle Haley – Ronnie J. McGorvey em “Pecados Íntimos”

Ex-ator infantil, Jackie Earle Haley voltou à cena em 2006 como o horripilante pedófilo de “Pecados Íntimos”. É a impressão mais forte do filme (que conta ainda com Kate Winslet em grande forma), daquelas que fica conosco depois da sessão, e que só se confirma cada revisão.

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7. Heath Ledger – Coringa em “Batman – O Cavaleiro das Trevas”

Há discordâncias sobre como catalogar a participação de Heath Ledger em “O Cavaleiro das Trevas”. Seu personagem, o vilão Coringa, não tem tanto tempo em cena, mas domina o filme com sua presença e se mantém o centro das atenções mesmo enquanto não aparece. Seja como for, é um dos trabalhos mais comentados da década – e justifica o hype. Pela interpretação, Heath ganhou uma infinidade de prêmios póstumos, incluindo o Oscar no começo do ano. Fará falta! (Formidável também em “Brokeback Mountain”).

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6. Michael Fassbender – Bobby Sands em “Fome”

Ainda inédito no Brasil (a menos que tenha chegado direto em DVD e ninguém me avisou), “Fome” traz o notável Michael Fassbender (“Fish Tank”, “Bastardos Inglórios”) como Bobby Sands – um prisioneiro do IRA que conduziu uma greve de fome reivindicando o Status de Categoria Especial (que o definiria como um preso político e o diferenciaria de um criminoso comum). Uma entrega espantosa ao personagem, de corpo e alma.

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5. Philip Seymour Hoffman – Truman Capote em “Capote”

Hoffman, que até outro dia era tido como um eterno coadjuvante, acabou se tornando o ator americano mais requisitado dos últimos anos. Sempre arrasa nos papeis que lhe são propostos, e “Capote” foi o atestado definitivo dessa competência. Na cinebiografia, ele capta com perfeição os trejeitos do escritor Truman Capote – sem se esquecer de matizá-lo no processo (ao contrário do que fez Jamie Foxx em “Ray”, essa sim uma pura imitação, sem nuances).

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4. Paul Giamatti – Harvey Pekar em “Anti-Herói Americano”

Taí uma atuação diferente e precisa de Paul Giamatti, que pagou alguns micos no início da carreira (até porque tem um tipo exótico) antes de se firmar como um intérprete de respeito. Em “Anti-Herói Americano”, ele vive um cartunista rouco e cheio de manias (que aparece em carne e osso dando entrevistas, para confirmarmos de imediato que Giamatti o retratou com exatidão). Imperdível!

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3. Chris Cooper – John Laroche em “Adaptação”

Trabalho soberbo, riquíssimo, lindo toda vida, de Chris Cooper. O filme é esquisito, diferente, e o personagem – um caipira banguelo e bebum, que transita da comédia para o drama numa única reação – não é pra qualquer um. Pois ele tira de letra!

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2. Javier Bardem – Reinaldo Arenas em “Antes do Anoitecer”

Tivemos pelo menos três interpretações espetaculares de Javier Bardem nos últimos dez anos: o assassino frio de “Onde os Fracos Não Tem Vez” (pelo qual ganhou o Oscar de Ator Coadjuvante), o tetraplégico que lutava por seu direito de morrer em “Mar Adentro”, e o poeta cubano que se exila em Nova Iorque depois de anos de tortura em “Antes do Anoitecer”. Escolho este último para representá-lo nessa lista, mas os outros dois fazem o queixo cair da mesma forma.

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1. Daniel Day-Lewis – Daniel Plainville em “Sangue Negro”

O filme é o meu favorito da década, e o trabalho hercúleo de Daniel Day-Lewis também fica no topo desta lista. Ele sempre foi excelente ator, e bastante sensato em suas escolhas. Proporcionou algumas das atuações mais memoráveis da década de 80 (“Meu Pé Esquerdo”) e 90 (“Em Nome do Pai”), e atinge o feito novamente nos anos 2000 com “Sangue Negro”. Sua carreira é tão consistente que fica difícil eleger seu melhor momento, mas ouso dizer que é por este aqui que ele mais será lembrado.

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As menções honrosas vão para Haley Joel Osment (“A.I.”), Jamie Bell (um “Billy Elliot” muito bem escolhido), Sir Ben Kingsley (matando a pau em “Casa de Areia e Névoa”), Russel Crowe (anda gordo e acabado, é antipático, briguento, jogou um telefone no assistente e tal, mas também marcou como o matemático de “Uma Mente Brilhante”), Mark Ruffalo (inesquecível como o irmão de Laura Linney em “Conte Comigo”), Sean Penn (mais por “Milk” e “21 Gramas”, menos por “Sobre Meninos e Lobos”), o alemão Bruno Ganz (Hitler em “A Queda”). E quem mais, hein?

Categorias:Cinema, Top 10

Interpretações Femininas – 00’s

29 dezembro 2009 8 comentários

Dando continuidade aos tops de final de década, elejo dez interpretações femininas que marcaram (sem distinção do tamanho do papel). Lá vai:

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10. Carey Mulligan – Jenny em “Educação”

Nessa fita inglesa, ainda inédita no Brasil, a novata Carey Mulligan entrega uma interpretação sutil e encantadora – e mais bem aparada do que muita veterana é capaz de fazer. Aos vinte e quatro anos, e perfeitamente convincente como uma garota espirituosa de dezesseis, ela dobrou a crítica americana e se mantém como a protagonista feminina mais premiada da temporada. Deve chegar com favoritismo ao Oscar, ameaçado apenas pelo cacife de Meryl Streep (por “Julie & Julia”).

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9. Amy Adams – Ashley em “Retratos de Família”

Essa é a única interpretação coadjuvante que ganha espaço na lista – naturalmente dominada por papeis principais, que tem mais tempo em tela para arrebatar. Revelou Amy Adams, uma atriz de talento bruto que está estourando por aí, até agora sem tropeços. E que trabalho bonito, o dela! No papel de uma menina sulista, grávida e faladeira, Amy dá um show. A moça é casada com um homem bruto e tratada pelos sogros como criança; nunca foi além da esquina da própria casa, e fica obviamente fascinada pela presença da cunhada que já conheceu o mundo. Impossível não cair de amores.

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8. Nicole Kidman – Grace em “Dogville”

Uma das atrizes mais regulares da primeira metade da década, Nicole Kidman começou a brilhar por conta própria depois de se divorciar do astro Tom Cruise. Foi o grande nome de 2001 com a dobradinha “Os Outros” e “Moulin Rouge”, e ganharia o Oscar no ano seguinte por interpretar Virginia Woolf no drama “As Horas”. Seu ápice, no entanto, seria “Dogville”, em 2003 – onde se entrega ao diretor Lars Von Trier e embarca na proposta ousada e complicada. Faz excelente uso daquele espaço cênico, num trabalho esforçado e cheio de nuances. Uma pena que, daí em diante, tenha descido a ladeira de forma vertiginosa.

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7. Imelda Staunton – Vera Drake em “O Segredo de Vera Drake”

Imelda pode ser baixinha e difícil de escalar, mas provara ser extraordinária atriz enquanto integrava a trupe de Kenneth Brannagh. Não para menos, o diretor Mike Leigh – muito metódico quando se trata da escalação do elenco de seus filmes – confiou-lhe a personagem-título de “O Segredo de Vera Drake”. Imelda deixa de existir para que enxerguemos apenas Vera: uma dona-de-casa humilde e trabalhadeira que, às escondidas da família e sem qualquer tipo de remuneração, realiza abortos caseiros.

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6. Felicity Huffman – Bree em “Transamérica”

Da mesma forma que Cate Blanchett em “Não Estou Lá” (uma das grandes interpretações recentes em papel coadjuvante), Felicity Huffman se passa por um membro do sexo oposto em “Transamérica”. Como um transsexual às vésperas da cirurgia que o tornará mulher, ela se enfeia sem qualquer vaidade, e preenche com sensibilidade um tipo que poderia ter se tornado fruto de um freak show (ainda mais com as investidas cômicas do roteiro, não muito bem calculadas). Soberba!

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5. Laura Linney – Samantha Prescott em “Conte Comigo”

Linney é uma das mais respeitadas atrizes americanas em atividade, muito querida pela classe. Opta sempre pela economia de emoções, sendo conhecida por conferir sobriedade e humanidade às personagens que interpreta. Não é atriz de gritar, de fazer escândalos, de performances de puro histrionismo. É uma profissional responsável e em total domínio da técnica. Chega a essa lista pela profundidade que conferiu à Samantha de “Conte Comigo”, mas bem que poderia ser lembrada também pela Wendy de “Família Savage” e tantas mais.

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4. Julianne Moore – Cathy Whitaker em “Longe do Paraíso”

Assim como Linney, Moore é uma atriz de sutilezas – e na opinião deste blogueiro, a melhor de sua geração. Daquelas que agracia mesmo fitas ruins e papeis medíocres. E que detona quando tem em mãos um material de qualidade. É este o caso em “Longe do Paraíso”, pelo qual ela ganhou mais de 20 prêmios da crítica. No mesmo ano, participou de “As Horas” (outro feito memorável) e emplacou uma indicação dupla no Oscar. Uma deusa!

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3. Marion Cotillard – Edith Piaf em “Piaf – Um Hino ao Amor”

Não somos contemporâneos da cantora francesa Edith Piaf, e os registros que temos em vídeo não basta para que a conhecemos suficientemente bem. Mas basta ver Marion Cotillard dando tudo de si nessa cinebiografia para acreditar que Mademoiselle Piaf era exatamente daquele jeito – na postura, nos trejeitos e na voz de taquara. A maquiagem auxilia essa composição formidável, mas Cotillard não a usa como muleta. Com garra e competência, se camufla em cada estágio da vida da biografada.

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2. Ellen Burstyn – Sarah Goldfarb em “Réquiem Para Um Sonho”

O filme você já viu na minha lista de melhores da década. A interpretação de Miss Burstyn, é claro, teria vez nesta aqui. Até hoje não se conformam que ela tenha perdido as atenções naquele ano para Julia Roberts em “Erin Brockovich”. E de fato é revoltante. O que ela faz como Sarah Goldfarb, uma viúva que se vicia – por inércia – em medicamentos controlados, foi o que se viu de mais impressionante no começo da década!

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1. Isabelle Huppert – Erika Kohut em “A Professora de Piano”

O topo da lista de interpretações femininas dos anos 2000 vai para a francesa Isabelle Huppert. Ela sempre foi iluminada, mas nada se compara ao que faz em “A Professora de Piano” – pelo qual ganhou, com unanimidade, o Prêmio de Melhor Atriz no Festival de Cannes. Pesado demais para a plateia americana, o filme e sua protagonista não emplacaram nas premiações do lado de cá do Atlântico. De qualquer forma, precisa ser descoberto. Os que tem o estômago fraco devem fazer um esforço (porque, vindo do diretor Michael Haneke, pode ter certeza que a trama não é bolinho). Ver Isabelle em cena como a pianista fria, megera e sádica, é uma experiência única para os admiradores da arte da atuar.

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Menciono ainda Naomi Watts (tanto por “Cidade dos Sonhos” quanto por “21 Gramas”, duas interpretações digníssimas), Cate Blanchett (uma das rainhas do cinema atual, embora mereça o prestígio mais pelo conjunto da obra que por alguma atuação isolada), Kate Winslet (uma penca de trabalhos fortes), Meryl Streep (que deve ter sido a mais indicada do Oscar nos últimos 10 anos, ainda que sua última grande interpretação não tenha sido no cinema e sim na TV, no telefilme “Angels in America”) e Sally Hawkins (por “Simplesmente Feliz”, outra pupila de Mike Leigh). Mais alguém? Amanhã, vem a lista de atuações masculinas!

Categorias:Cinema, Top 10

Top 10: Cenas de 2009 (TV)

28 dezembro 2009 9 comentários

Depois da lista das melhores cenas do ano nos cinemas, vem uma lista nos mesmos moldes, dessa vez com os momentos mais marcantes da TV. Incluindo, é claro, os seriados americanos – não venham reclamar da ausência da transmissão da posse do Obama ou a apresentação de Jennifer Hudson nos Grammy Awards. Também aviso de antemão que não vi muitos dos episódios badalados de 2009, como a reunião do elenco de “Seinfeld” em “Segura a Onda”, ou o casamento de Pam e Jim em “The Office”. Serviram de base todos os episódios avaliados na página Séries 2009. Antes de revelar os grandes momentos, menciono o nome da série e o capítulo em questão. Se você ainda não o viu e pretende manter as surpresas, fica aconselhado a pular para o próximo item. E aí vão os 10 Mais:

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10. “Modern Family S01E02 – The Bycicle Thief”: Meryl Streep pode fazer tudo

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9. “Mad Men S03E06 – Guys Walks Into an Advertising Agency”: Sangue no escritório

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8. “House MD S05E20 – Simple Explanation”: O funeral de Kutner

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7. “Gossip Girl S02E25 – The Goodbye Gossip Girl”: Chuck se declara para Blair

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6. “30 Rock S03E22 – Kidney Now!”: Apresentação beneficiente das celebridades

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5. “Battlestar Galactica S04E20 – Daybreak Part II”: A morte de Roslin

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4. “Lost S05E17 – The Incident, Part II”: Juliet explode a bomba

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3. “Dexter S04E12 – The Getaway”: Dexter encontra Rita

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2. “Grey’s Anatomy S05E24 – Now Or Never”: George é o Desconhecido + Encontro no elevador

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1. “Mad Men S03E11 – The Gipsy and the Hobo”: Draper revela seu passado a Betty

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Sei que faltou bastante coisa, mas hey, são só dez colocações! Algum acréscimo?

Categorias:Top 10, TV

Os Filmes da Década

27 dezembro 2009 9 comentários

Outro top 10 de final de década, feito com muito esmero. Fiquem dessa vez com os filmes mais marcantes dos anos 2000 na opinião do “Letters from Louis”. Não foi fácil reduzir as opções a dez finalistas – por mais que bombas catastróficas invadam nossos cinemas semana após semana, o saldo final da década foi positivo com muita folga. As pessoas tendem a desdenhar do cinema atual e a louvar o cinema de cinquenta anos atrás, mas o fato é que mesmo durante a Era de Ouro de Hollywood, muita bosta colossal era produzida. Acontece que essas bobagens acabam passando e sendo esquecidas, enquanto os grandes ficam conosco. E eis os dez que, de acordo com o blogueiro que vos fala, influenciarão novos cineastas, estimularão os cinéfilos das futuras gerações e serão tomados como referência dessa época.

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10. O Homem Urso (Grizzly Man, 2005, dirigido por Werner Herzog)

Na falta de espaço para o inesquecível “Na Natureza Selvagem”, que Sean Penn dirigiu em 2007, encaixei o ainda mais significativo documentário “O Homem Urso”, que narra um caso parecido – o de um homem problemático que se isola da civilização nas florestas do Alasca. O naturalista em questão era fascinado pelos ursos grizzly; de forma quase doentia, ele observava as feras selvagens de perto, aproximando-se sem a cautela necessária. E acabou sendo devorado numa de suas expedições, levando a namorada que o acompanhava ao mesmo fim trágico. O alemão Herzog se utiliza de imagens captadas pelo seu próprio objeto de estudo, tal como entrevistas com aqueles que o conheciam. Resulta no mais tocante, triste e apaixonado documentário dos últimos anos, sem as manipulações e sensacionalismos de outros que receberam maior destaque.

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9. Bastardos Inglórios (Inglorious Basterds, 2009, dirigido por Quentin Tarantino)

O pedante, mas genial Quentin Tarantino agraciou a década com os dois volumes de “Kill Bill” e a poluiu um pouco com suas parcerias com Robert Rodriguez e Eli Roth (apesar de “Sin City” ser muito bom, obrigado). Sua obra-prima, no entanto, é “Bastardos Inglórios”, lançado este ano – não só o seu melhor nos últimos dez anos, mas o maior de toda a sua carreira, que esperamos ver reconhecido em breve no próximo Oscar. Pode não fazer o estilo da Academia, mas é realmente admirável, deliciosamente anárquico e ponderado por diálogos desde já antológicos.

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8. Hedwig – Rock, Amor e Traição (Hedwig and the Angry Inch, 2001, dirigido por John Cameron Mitchell)

“Moulin Rouge”? “Chicago”? “Dançando no Escuro”? Nenhum dos anteriores. O grande musical da década é “Hedwig and the Angry Inch”, uma adaptação anticonvencional que o estreante John Cameron Mitchell fez de uma peça que criou para a Off-Broadway. Apesar de não ter engrenado nos palcos, funciona que é uma beleza como cinema, seja pelas canções belíssimas, seja pela inserção de animações pitorescas. O grande trunfo, no entanto, é a interpretação do próprio Mitchell, que assume bravamente o papel da protagonista Hedwig, uma transsexual alemã que roda a América fazendo shows fracassados com sua banda.

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7. Réquiem Para Um Sonho (Requiem for a Dream, 2000, dirigido por Darren Aronofsky)

No comecinho da década, Darren Aronofsky, um cineasta que reafirmaria ao longo dos anos sua imensa inquietude e inventividade, fez este filme forte, chocante e perturbador, sem que nenhuma das opções para atingir esse resultado parecesse gratuita ou aproveitadora. Contando com um elenco formidável – no qual se inclui Ellen Burstyn, numa das maiores atuações femininas recentes -, Aronofsky define como ninguém o fundo do poço reservado aos dependentes químicos (mesmo àqueles que, como a personagem de Burstyn, viciam na droga involuntariamente). Impossível ficar alheio! A trilha também é uma das melhores que você vai ouvir.

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6. Os Excêntricos Tenenbaums (The Royal Tenenbaums, 2001, dirigido por Wes Anderson)

Os minutos iniciais de “Excêntricos Tenenbaums” devem formar o melhor prólogo já visto num filme. A narração quase impassível de Alec Baldwin nos apresenta ao clã de judeus mais esquisitos de que se tem notícia – filhos criados para serem gênios e estimulados a não se contentarem com a normalidade. Deu muito certo. O resultado é legal, original e diferente, ainda que para um público mais selecionado. Nascido para ser cult.

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5. Quase Famosos (Almost Famous, 2000, dirigido por Cameron Crowe)

Este deve ser um dos filmes que eu mais assisti na vida, junto de “Titanic” e “As Patricinhas de Beverly Hills”. Também é, por acaso, o meu favorito. E ainda acontece de ser extremamente bem realizado, o que o credencia a estar nessa lista (já que tento separar preferências das análises mais críticas, embora em casos especiais ambas coincidam). Esta é uma história adorável que combina atuações de alto nível, uma trilha irresistível e muita nostalgia, para recriar as lembranças do próprio diretor – que assim como o protagonista, saiu em turnê com uma banda de rock quando ainda era adolescente, cobrindo cada show para a revista Rolling Stones! Cool? Imagina!

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4. A Fita Branca (Das weisse Band, 2009, dirigido por Michael Haneke)

Costumo contabilizar os filmes por sua data de estreia no Brasil, mas ia ficar distante e esquisito demais encaixar essa produção alemã na lista da próxima década. Visto na Mostra, é o mais refinado trabalho do cineasta Michael Haneke, que levou com méritos a Palma de Ouro (dava até pra pensar em conchavo, já que a presidente do Júri era Isabelle Huppert, atriz da então obra-prima do diretor, “A Professora de Piano” – mas não temos como discordar de qualquer prêmio que vier para uma fita tão séria, densa e lancinante). Fotografia primorosa, elenco afiado e roteiro que enfia corajosamente o dedo em feridas não-cicatrizadas.

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3. Cidade de Deus (Nacional, 2002, dirigido por Fernando Meirelles)

Que alegria poder colocar um filme brasileiro na lista, e em posição tão privilegiada! E não é apenas a minha escolha. Listas de final de década mundo afora tem se lembrado desta produção que certamente é a melhor do cinema nacional em todos os tempos. Não só um triunfo técnico, que coloca nossos profissionais entre os mais competentes do mundo (tendo sido indicado aos Oscars de Fotografia, Edição, Roteiro e Direção, um feito inédito), mas também impactante em sua denúncia e criativo em sua estrutura narrativa. O estilo frenético de Meirelles – que captou tudo em locações reais, nas favelas cariocas, através de ângulos inéditos – seria amplamente imitado. Não à toa, Danny Boyle, diretor do grande vencedor do último Oscar, “Quem Quer Ser Um Milionário?”, sugou muitas influências daqui. No IMDb, “Cidade de Deus” é ainda o terceiro filme mais bem cotado da década, atrás apenas de “O Cavaleiro das Trevas” e “O Retorno do Rei”.

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2. Avatar (Idem, 2009, dirigido por James Cameron)

Ainda precisa esfriar na nossa cabeça, mas olhando agora ou daqui algumas décadas, a importância do longa de James Cameron permanecerá imutável. Revolucionário no uso dos efeitos especiais, deve ter para essa geração o peso que “Star Wars” teve 30 anos atrás, como os críticos não cansam de apontar (e como eu reafirmei na minha resenha, escrita há poucos dias, que pode ser lida clicando aqui). De cair o queixo.

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1. Sangue Negro (There Will Be Blood, 2007, dirigido por Paul Thomas Anderson)

Saí do cinema atordoado, e nas duas ocasiões em que revi o filme fiquei igualmente acachapado. Paul Thomas Anderson não tinha chegado ao ápice com “Boogie Nights”, tampouco com “Magnólia”, dois dos melhores filmes dos anos 90. Ele ainda guardava uma carta na manga, e conseguiu ir um degrau acima de tudo o que tinha feito com esse drama de época intenso, bruto e contundente. Daniel Day-Lewis, em atuação histórica, interpreta um mineiro bronco que faz fortuna quando encontra petróleo em terras aparentemente inóspitas – e que mesmo magnata, não se desvencilia da ignorância e da violência que o definem. Um primor, e não para menos, o filme mais superlativo dos anos 2000.

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Faço menções honrosas ao inspirador “O Fabuloso Destino de Amélie Poulain”, um filme criativo e irredutivelmente francês; à trilogia “O Senhor dos Anéis”, que mesmo com suas falhas engloba alguns dos melhores épicos da História; à “O Assassinato de Jesse James pelo Covarde Robert Ford”, que tem os minutos finais mais espetaculares dos últimos anos. Esqueci mais alguma coisa?

Categorias:Cinema, Top 10

Top 10: Cenas de 2009

26 dezembro 2009 7 comentários

Sem mais delongas, aí vai o top 10 com as cenas mais marcantes do cinema em 2009:

10. Conversa entre Irmã Aloysius e Sra. Miller, em “Dúvida”: A personagem de Viola Davis é a melhor coisa de um filme com problemas. Todo o desespero de uma mãe, que em poucos minutos nos deixa a par da encruzilhada emocional em que se encontra, é externalizado através da expressividade de Viola (repare que ela faz com os olhos mais do que muitos atores conseguem fazer com o rosto inteiro). É o ponto alto do roteiro, e uma cena de prender a respiração – e nem foi preciso de Meryl Streep, confortável e no piloto automático, para atingir esse resultado.

9. Consulta com a terapeuta em “Um Namorado Para Minha Esposa”: O filme argentino de maior sucesso por lá em 2008 me surpreendeu de várias maneiras. Primeiro por não ser um pastiche das fitas americanas, como vemos acontecer com as comédias brasileiras atuais; segundo por tratar seus personagens com dignidade, o que possibilitou que uma simples chanchada latina tivesse um dos momentos mais memoráveis do ano: quando os protagonistas escancaram os percalços do casamento no consultório da terapeuta.

8. Expectativa vs Realidade em “(500) Dias Com Ela”: Não estou entre os maiores admiradores de “(500) Dias Com Ela”. Me atraio, porém, pela absoluta normalidade da história que está sendo contada, já que narra uma experiência comum a todos nós. O momento mais inspirado do diretor é certamente quando divide a tela e compara as expectativas do mocinho ao encontrar a amada com o que de fato aconteceu quando este encontro se concretizou.

7. Álbum de fotografias em “Up – Altas Aventuras”: A Pixar continua acertando, e emplacou outra animação entre os melhores filmes do ano. Nessa cena de “Up”, o velhinho descobre  que a esposa, antes de morrer, havia adicionado fotos de suas vidas juntos ao álbum de aventuras (o que dá à palavra um sentido inteiramente novo). Impossível conter as lágrimas.

6. Hans Landa e Shosanna no restaurante em “Bastardos Inglórios”: Christoph Waltz e Melanie Laurent dão um show de interpretação neste momento de “Bastardos Inglórios” – justo no que deveria ser uma conversa corriqueira e inofensiva. O personagem de Waltz não aparenta saber que a moça é filha dos judeus que ele assassinou a sangue frio; ela, no entanto, sabe claramente que está diante de um psicopata, e que pode ser a próxima vítima. Clima bem construído, tensão a mil, incertezas da parte do espectador. Afinal, quem está tapeando quem? E ainda tem bolo com chantily para coroar!

5. Solo de guitarra em “Vocês, os Vivos”: Filme sueco de 2007, que estreou no Brasil com atraso, seleto às grandes capitais. Ainda que irregular, traz um excepcional solo de guitarra, no devaneio de uma moça apaixonada, que substancia aquilo que o roteiro vinha tentando atestar. Tivesse o diretor Roy Andersson mantido o pique no restante do projeto, teríamos um dos grandes filmes do ano.

4. Vida de casados em “Up – Altas Aventuras”: Mais uma menção a “Up”! Sem que qualquer palavra precise ser dita, a Pixar resume as dores e as alegrias de um casamento. Ao fundo, a excelente trilha original de Michael Giacchino (que readapta a mesma faixa, com ritmos e inflexões diferentes, em outros momentos do filme – sempre com o mesmo efeito encantador).

3. The Ram se joga no ringue em “O Lutador”: A cena final de “O Lutador” – onde o brutamontes interpretado por Mickey Rourke abraça seu destino e se joga triunfante no ringue por uma última vez – é não só uma das mais bonitas do ano, mas também um dos encerramentos mais acachapantes que eu já vi num filme.

2. Abertura de “Watchmen”: O filme dividiu opiniões, e mesmo estando no grupo que adorou, entendo os argumentos dos que criticam. Só considero inatacável a espetacular sequência de créditos iniciais, que comprime no prólogo o passado glorioso de heróis hoje fracassados. Ao som de The Times They Are A-Changin’, do Bob Dylan, demais! A incorporação do vídeo foi desativada, mas pode ser visto diretamente aqui.

1. Monólogo no funeral em “Sinédoque, Nova Iorque”: A viagem de ácido de Charlie Kaufman não é para todo mundo, mas parece haver um consenso que ao menos uma das cenas de “Sinédoque, Nova Iorque” (sua estreia na direção) seja acessível a qualquer um. Me refiro ao brilhante monólogo de um ministro no enterro fictício (acontece dentro da peça que o protagonista está escrevendo).

 

Lamento não ter encaixado cenas de “Avatar” e “Amantes”, alguns dos meus favoritos este ano. Foi só questão de não saber o que escolher, dentre tantos momentos bons (é um risco que os filmes superlativos correm: não terem uma grande cena que se sobressaia perante outras igualmente grandiosas). Também quis aproveitar para realçar alguns pouco vistos, como “Um Namorado Para Minha Esposa” ou “Vocês, os Vivos”. Vale conhecer!

Categorias:Cinema, Top 10

Melhores do Ano: Cinema Estrangeiro

25 dezembro 2009 11 comentários

Em todas as categorias acadêmicas, aí estão as melhores estreias no Brasil em 2009, de acordo com o “Letters from Louis”. Foram avaliados mais de 170 filmes, abrangendo todas as nacionalidades – com exceção da brasileira, que originou uma lista à parte. Note que não levei em consideração o ano de produção, mas a data de lançamento aqui no país: se chegou aos nossos cinemas neste ano, está valendo! Dessa forma, não são elegíveis exemplares como “Educação” (que só foi exibido em festivais e conferido por mim na Mostra de São Paulo) e “Guerra ao Terror” (um dos filmes mais elogiados do ano, o que se reflete na bela carreira que está fazendo nos prêmios da crítica americana). O motivo pelo qual este último foi ignorado é ainda mais curioso: chegou ao Brasil direto em DVD, e deve ganhar em breve a chance que lhe fora negada, passando a ser exibido nas salas de projeção em 2010. A lista completa de filmes vistos está disponível nesta página. Como de costume, os favoritos em cada segmento são destacados em vermelho. Rufem os tambores, e aqui vamos nós: 

Melhor Filme
* A Onda
* Amantes
* Avatar
* Bastardos Inglórios
* Entre os Muros da Escola
* O Equilibrista
* O Lutador
* Quem Quer Ser um Milionário?
* Star Trek
* Up: Altas Aventuras 

Divulgado aos poucos, Avatar é o primeiro do diretor em 12 anos

Melhor Filme de Animação
* A Princesa e o Sapo
* Coraline
* O Fantástico Sr. Raposo
* Up: Altas Aventuras
* Valsa com Bashir 

Melhor Direção
* Darren Aronofsky – “O Lutador”
* James Cameron – “Avatar”
* James Gray – “Amantes”
* Laurent Cantet – “Entre os Muros da Escola”
* Quentin Tarantino – “Bastardos Inglórios” 

Melhor Ator
* Alfredo Castro – “Tony Manero”
* Joaquin Phoenix – “Amantes”
* Mickey Rourke – “O Lutador”
* Sean Penn – “Milk: A Voz da Igualdade”
* Willem Dafoe – “Anticristo”

Melhor Atriz
* Charlotte Gainsbourg – “Anticristo”
* Kate Winslet – “O Leitor”
* Kristin Scott Thomas – “Há Tanto Tempo Que Te Amo”
* Meryl Streep – “Julie & Julia”
* Sally Hawkins – “Simplesmente Feliz” 

Hawkins é a mais premiada pela crítica (2008/2009)

 Melhor Ator Coadjuvante
* Bill Irwin – “O Casamento de Rachel”
* Christoph Waltz – “Bastardos Inglórios”
* Eddie Marsan – “Simplesmente Feliz”
* Emile Hirsch – “Milk: A Voz da Igualdade”
* Michael Shannon – “Foi Apenas um Sonho”

Melhor Atriz Coadjuvante
* Diane Kruger – “Bastardos Inglórios”
* Gwyneth Paltrow – “Amantes”
* Marion Cotillard -“Inimigos Públicos”
* Marisa Tomei – “O Lutador”
* Melanie Laurent – “Bastardos Inglórios” 

Melhor Roteiro Original
* Bob Peterson e Pete Docter – “Up: Altas Aventuras”
* Charlie Kaufman – “Sinédoque, Nova Iorque”
* James Gray e Ric Menello – “Amantes”
* Mike Leigh – “Simplesmente Feliz”
* Quentin Tarantino – “Bastardos Inglórios” 

Melhor Roteiro Adaptado
* David Hare – “O Leitor”
* Dennis Gansel – “A Onda”
* François Bégaudeau, Robin Campillo e Laurent Cantet – “Entre os Muros da Escola”
* John Ajvide Lindqvist – “Deixa Ela Entrar”
* Wes Anderson e Noah Baumbach – “O Fantástico Sr. Raposo”  

O roteiro de Entre os Muros é co-escrito pelo autor do livro

Melhor Montagem
* Chris Dickens – “Quem Quer Ser um Milionário?”
* John Refoua e Stephen Rivkin – “Avatar”
* Julian Clark – “Distrito 9”
* Robin Campillo – “Entre os Muros da Escola”
* Sally Menke – “Bastardos Inglórios” 

Melhor Figurino
* Anna B Sheppard – “Bastardos Inglórios”
* Danny Glicker – “Milk: A Voz da Igualdade”
* Deborah Hopper – “A Troca”
* Jacqueline Durran – “Simplesmente Feliz”
* Jacqueline West – “O Curioso Caso de Benjamin Button” 

Melhor Direção de Arte
* David Wazco – “Bastardos Inglórios”
* Stuart Craig – “Harry Potter e o Enigma do Príncipe”
* Donald Graham Burt – “O Curioso Caso de Benjamin Button”
* Mark Friedberg – “Sinédoque, Nova Iorque”
* Rick Carter e Robert Stronbergh – “Avatar”

Melhor Fotografia
* Anthony Dod Mantle – “Quem Quer Ser um Milionário?”
* Hoyte Van Hoytema – “Deixa Ela Entrar”
* Mauro Fiore e Vince Pace – “Avatar”
* Robert Richardson – “Bastardos Inglórios”
* Rodrigo Prieto – “Desejo e Perigo”  

Quem Quer Ser um Milionário? foi o grande vencedor do Oscar

Melhor Trilha Sonora
* A.R. Rahman – “Quem Quer Ser um Milionário?”
* Bruno Coulais – “Coraline”
* James Horner – “Avatar”
* Michael Giacchino – “Up: Altas Aventuras”
* Nicholas Hooper – “Harry Potter e o Enigma do Príncipe” 

Melhor Canção
* Down in New Orleans, de Randy Newman – “A Princesa e o Sapo”
* I Like That, de Shane Mack – “De Repente, Califórnia”
* Lie to Me, de Shane Mack – “De Repente, Califórnia”
* Little Person, de Jon Brion – “Sinédoque, Nova Iorque”
* The Wrestler, de Bruce Springsteen – “O Lutador” 

Melhor Som
* Arrasta-me Para o Inferno
* Avatar
* Quem Quer Ser um Milionário?
* Star Trek
* Up: Altas Aventuras 

Melhores Efeitos Especiais
* 2012
* Avatar
* Distrito 9
* O Curioso Caso de Benjamin Button
* Star Trek 

Melhor Maquiagem
* O Curioso Caso de Benjamin Button
* Sinédoque, Nova Iorque
* Star Trek
* W.
* Watchmen: O Filme 

Em Benjamin Button, a maquiagem e os efeitos se complementam

Extra: Melhor Elenco
* Almoço em Agosto
* Bastardos Inglórios
* Entre os Muros da Escola
* Horas de Verão
* Sinédoque, Nova Iorque 

Esqueci alguma coisa? Logo mais, considerações de final de década e top 10 com as cenas mais marcantes do ano.

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