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A nova fase do Teatro Musical brasileiro

O teatro musical custou a pegar no Brasil, mas de uns anos pra cá tem se tornado uma verdadeira febre (vide as importações constantes de sucessos da Broadway, com elenco e produção nacional, sempre êxito de público e garantia de qualidade). Em São Paulo, já tivemos por duas vezes “A Bela e a Fera”, seguido por “Chicago”, “O Fantasma da Ópera”, “My Fair Lady” e “Miss Saigon”; estamos agora com “Avenida Q” no Procópio Ferreira (corra para ver porque a temporada está chegando ao fim), e tínhamos também “A Noviça Rebelde”. No Rio, a mesma dupla responsável pelas adaptações paulistanas, Charles Moeller e Cláudio Botelho, está com “O Despertar da Primavera”, que dizem ser ainda melhor que o original “Spring Awakening” (enquanto, por contrato, algumas peças tem de ser trazidas sem alterações, esta possibilitou mudanças, maiores liberdades e ousadias, o que a crítica garante que surtiu efeito positivo).

Também está por lá “Hairspray”, trazido pelo Miguel Falabella, que ruma em breve para o Teatro Bradesco em São Paulo (aquele do Shopping Bourbon, considerado o mais bonito do país) – o problema é que este sim tem sido vilipendiado, da mesma forma que um dos musicais anteriores do Falabella, “Os Produtores”. Talvez porque a escalação do elenco foi tendenciosa – em “Hairspray”, por exemplo, colocaram globais como Edson Celulari no papel da mãe (que no filme foi John Travolta), Danielle Winnits como a perua loira e Arlette Salles como a senhora puritana e preconceituosa. Não que eles não sejam dignos, mas será que não tinha ninguém mais bem preparado? Afinal, mesmo que não tenhamos essa tradição de teatro musical, é de cair o queixo o tanto de gente capacitada, talentosa e versátil que existe por aí – um pessoal que canta, dança e representa, que se preparou certamente visando fazer carreira lá fora (uma vez que aqui o mercado era inexistente), e que agora tem tido chances de brilhar na própria terra. (Mas os que saíram também deram muito certo – o brasileiro-polonês Paulo Szot, vencedor do Tony de Melhor Ator num Musical em 2008, que o diga). É importante reforçar que tudo nessas versões tupiniquins é feito seguindo escrupulosamente os moldes da Broadway – sempre com orquestra e canto ao vivo, sem playback.

Entre as próximas importações devem estar “Hair” e “Gipsy” (ambos de Moeller-Botelho, que já estão fazendo testes de elenco), e possivelmente “Mamma Mia!” e “O Rei Leão”. Torço ainda para que tragam “Wicked”, um dos meus musicais favoritos, embora não haja planos. Já a nova sensação no exterior, o genial “Billy Elliot – The Musical!”, despertou o interesse de Charles Moeller. O problema é que é dificílimo de ser adaptado, e a escalação dos atores, quase impossível (não só tem que encontrar três garotos de talento amadurecido para se revezar no papel principal, mas os coadjuvantes também tem que convencer como mineiros pobres e rústicos). De qualquer forma, devo assistir na Broadway na minha passagem por Nova Iorque no ano que vem. Até lá, vou ouvindo a trilha original, composta pelo Elton John (a canção “Electricity”, através da qual Billy expressa seus sentimentos em relação à dança, já nasceu um clássico).

O melhor álbum da década

A quem possa interessar, meus álbuns preferidos são os de “Avenue Q” – cujas letras encontram um denominador comum da espécie humana, e tiram sarro com extrema inteligência dos problemas corriqueiros que nos aflingem -, “Wicked” – composta pelo parceiro habitual do Alan Menken, Stephen Schwartz, com preciosidades tais como “Defying Gravity” e “For Good” – e “Spring Awakening” – mesmo ambientado no final do século XIX, a trilha é basicamente o mais puro e autêntico rock (e a gravação com o elenco original traz várias faixas com Lea Michele, a Rachel de “Glee”, protagonista da primeira montagem; aliás, seu par romântico na peça, Jonathan Groff, irá participar como convidado de “Glee”, no papel do vocalista do coral rival). Mas musical bom não é mais exclusividade dos nova-iorquinos ou turistas. Os blockbusters estão inundando nossos teatros e, até onde eu testemunhei, tem chegado no mais alto nível de capricho! Quem nunca viu nenhum, pode reservar a primeira passagem aérea para o Rio e/ou São Paulo. Não há de se arrepender.

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Categorias:Música, Teatro
  1. 23 novembro 2009 às 5:51 pm

    Alguém quer me dar uma passagem? rsrs

    =*

  2. 23 novembro 2009 às 11:13 pm

    Eu vi um trecho da peça na globo mesmo de Hairspray, é de se ficar com o pé atrás viu!

  3. Tiago
    24 novembro 2009 às 1:24 am

    Digo que é um objetivo assistir algum musical seja ele exportado e adaptado por aqui ou então direto da fonte mesmo que deve ser melhor ainda 😉

    • 24 novembro 2009 às 7:03 am

      Cleber, um amigo meu super vidrado em musicais foi até o Rio só pra assistir Hairspray! Voltou arrasado, xingando a última geração da família do Falabella rsrs… Fora isso, a dupla Moeller e Botelho até hoje não errou!

      Tiago, quem dera ver tudo na Broadway, né? 😉 Ano que vem vou tentar ver uns dois ou três pra ficar em dia.

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