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Quando os hermanos nos superam

É difícil para os brasileiros reconhecerem a qualidade do cinema argentino, até porque são poucos os que parecem levar nosso próprio cinema a sério (aqui, bobagens como “Se Eu Fosse Você 2” e “Os Normais 2” fazem sucesso, e preciosidades modestas como “Apenas o Fim” ou mesmo produções do quilate de “À Deriva” passam quase em branco). Talvez os argentinos tenham mais bom gosto, porque a comédia “Um Namorado Para Minha Esposa”, em cartaz desde Sexta-feira nas principais capitais brasileiras, foi muito bem de público por lá e está longe de ser um desastre. Não é um grande filme, tem irregularidades evidentes e um humor nem sempre bem dosado – mas tem personagens convincentes e um indelével senso de humanidade, que culmina num final potente e cheio de verdade.

Narra a história de um casal que não se entende, em parte porque a esposa (a excelente Valeria Bertuccelli) é cricri, tem um gênio explosivo, fala pelos cotovelos e não faz nada da vida além de reclamar dos vizinhos. O marido (Adrián Suar), querendo o divórcio, mas sem coragem de enfrentar a fera, contrata um expert em sedução (Gabriel Goity) para se aproximar dela e fazê-la tomar a iniciativa da separação. As soluções são até previsíveis, mas o roteiro de Pablo Solarz reserva à mulher diálogos irresistíveis e realmente hilários (como aquele em que ela demonstra sua falta de paciência com as pessoas que acreditam em signos e ascendentes). Proporciona, ainda, dois lindíssimos monólogos finais para os protagonistas, onde ambos escancaram tudo o que sentem um pelo outro no consultório de uma terapeuta (facilmente, uma das cenas mais bonitas e edificantes do ano). No final, chega-se à conclusão de que os dois lados de uma relação podem estar igualmente certos ou errados – e que nada disso importa, desde que consigam se entender e superar juntos as adversidades.

.:. Um Namorado Para Minha Esposa (Un Novio Para Mi Mujer, 2008, dirigido por Juan Taratuto). Cotação: B-

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Categorias:Cinema
  1. 19 novembro 2009 às 4:10 am

    Dessa sabia faz teeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeeempo …
    Sucesso de publico e critica por aqui no ano passado …(para vc ver como o brasiu pega coisa na hora).
    Todavia não conferi, mas é de aprender uma coisa fundamental. Sabendo dosar e saber misturar arte com acessibiliade, as coisas dão certo … tem defeitos …
    Mas é suficientemente melhor que o cinema brasileiro

  2. 19 novembro 2009 às 11:36 am

    To morrendo de vontade de ver esse. Faz tempo que vi, espero que ele apareça por aqui. ^^

    =*

  3. 19 novembro 2009 às 8:11 pm

    Não conhecia o filme, mas agora que tu falaste dele, pretendo assistir. Que bom que em algum lugar do mundo as pessoas consigam apreciar o bom cinema.

    • 19 novembro 2009 às 8:42 pm

      JP, eu imaginei que o filme devia ser mesmo muito bom, pra ter conseguido distribuição nessas condições! Seus colegas argentinos tem MUITO bom gosto! 🙂

      Jecik, vou torcer por você rsrs…

      Daniel, podemos acusar os argentinos de muita coisa, mas não de ter mau gosto huahuahua!

  4. 20 novembro 2009 às 12:01 am

    É fato que o cinema argentino é melhor que o brasileiro! Porém, não vamos desmerecer nossos bons filmes de comédia do ano! 🙂 Estamos ficando bons nisso! Quem sabe, então, não chegamos no nível dos hermanos?? rsrsrsrs

    Beijos!

    • 20 novembro 2009 às 11:53 am

      Ka, acontece que as nossas comédias parece que tentam mamar nas fórmulas dos sucessos americanos. Essas fitas argentinas, além de boas, tem ideias próprias, interessantes e até bem executadas! 😉 Beijo.

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