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Outro conto de Natal

São muitas as versões cinematográficas do conto de Charles Dickens “A Christmas Carol”. Na história, Scrooge, um magnata mal-humorado e mão de vaca, recebe a visita de três fantasmas na noite de Natal, enquanto está isolado das festividades no seu casarão. Os espíritos do Passado, Presente e Futuro vão levá-lo a uma viagem pelos Natais que se foram, que estão acontecendo e que estão para acontecer – e obviamente, o personagem vai aprender uma dura e importante lição no processo. O que o transforma numa pessoa melhor.

Meu primeiro contato com a história foi por meio de um desenho da Disney, “O Conto de Natal do Mickey”, onde o Tio Patinhas desempenhava o papel de Scrooge (aliás, foi inspirado nele). Mas vi outras variações, sendo a mais recente a comédia em que Matthew McConaughey é assombrado por ex-namoradas. Quem faz sua versão dessa vez, numa adaptação bastante fiel do original, é Robert Zemeckis, de “De Volta Para o Futuro” e “Forrest Gump”. Ele deu para experimentar a técnica de captura de movimentos, tendo concebido “O Expresso Polar” (primeiro longa rodado inteiramente nessa tecnologia) e “A Lenda de Beowulf”, com resultados discutíveis. Mas está progredindo, pelo menos na qualidade da animação (os bonecos de “O Expresso Polar” tinham olhos vagos e inexpressivos, andar desengonçado e movimentos pouco fluídos, o que quase não se nota aqui). A técnica possibilita ainda que os mesmos atores se alternem entre vários papeis – aqui é Jim Carrey que faz quase tudo, dos protagonistas aos três fantasmas. E muito bem, obrigado.

Os maiores problemas continuam residindo no roteiro. Se a trama é inatacável por seu valor e atemporalidade, o mesmo não pode ser dito da execução. É tudo muito sério, sombrio e marcial, o que torna canhestras as inserções de humor ou aventura (tem piadas de gosto amargo, como aquela em que o maxilar de um espectro em decomposição se distende, e movimentos de câmera acelerados que provocam no espectador a sensação de estar numa montanha-russa). As crianças devem curtir em partes – vão adorar esses momentos de “parque de diversão” e se impacientar com os mais parados (que são, afinal de contas, os propulsores do conto). Também podem se amedrontar com as cenas mais lúgubres, que remetem a pesadelos. Ou seja, mesmo que o filme fale diretamente a todas as idades, pode ser difícil definir seu público-alvo – o que não corresponde ao perfil da Disney, que bancou a produção. Achei particularmente irritantes os dois primeiros fantasmas, do Passado (que fala sussurrando) e do Presente (que não para de gargalhar). O último é apenas uma sombra (e bem aproveitado). Na era do 3D e do IMAX, no entanto, os truques visuais serem explorados – e são – é o que mais parece importar.

.:. Os Fantasmas de Scrooge (A Christmas Carol, 2009, dirigido por Robert Zemeckis). Cotação: B-

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Categorias:Cinema
  1. 17 novembro 2009 às 12:09 pm

    O conto de Charles Dickens não é infantil. Os elementos encantam as crianças, mas são os adultos que conseguem criar uma relação com o personagem Scrooge. Adicionado a lista de filmes natalinos. Depois de ver vou escrever lá no Blog.

    • 17 novembro 2009 às 8:03 pm

      Aline, justamente por isso não devia ter sido vendido como um filme de Natal para crianças ou familiar, ou ter artifícios tão indissoluvelmente infantis, como as perseguições.

  2. 17 novembro 2009 às 8:44 pm

    aiiin, o Zemeckis me irrita!

  3. 17 novembro 2009 às 11:03 pm

    Eu gostei MUITO, mas MUITO mesmo desse filme. Não conhecia a obra do Charles Dickens, mas achei cativante e me emocionei e me envolvi com o Scrooge e sua jornada. Aliás, dá para perceber de onde filmes como “A Felicidade Não se Compra” tomaram inspiração! 🙂

    Beijos!

    • 17 novembro 2009 às 11:06 pm

      Cleber, ultimamente ele está me irritando, mas já fez muita coisa que me agrada!

      Ka, “A Felicidade Não se Compra” é outro nível! 🙂 Um dos melhores filmes ever… Mas acho que mesmo se não conhecesse a história de “A Christmas Carol” eu não teria me emocionado muito. O conto é bonito e edificante, mas sua execução aqui é irregular. Beijo!!

  4. 18 novembro 2009 às 12:21 pm

    ADORO essa história.
    Outro que também fala parecido e é feito pra crianças é “Barbie e canção de Natal” (uma coisa assim, que eu fui obrigada a assistir).
    Pelo visto eu vou gostar desse. Adoro as partes-pesadelos e facilmente vou gostar das partes mais direcionadas ao público infantil. Vou esperar pra ver, mas parece que foi feito pra um publico alvo como eu. xD
    =*

    • 19 novembro 2009 às 12:17 am

      Jecik, bom saber que este filme terá quem o aprecie plenamente! rsrs… Beijo.

  5. 15 dezembro 2009 às 3:26 pm

    Assisti, e como previsto, adorei. ^^
    =*

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