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Jogos Mortais VI

O primeiro “Jogos Mortais” custou o equivalente a uma passagem de ônibus, mas foi crescendo pelo boca-a-boca e se tornando um sucesso de bilheteria. Era uma questão de tempo até que a mesma equipe se reunisse para uma continuação – e como manda a regra, a sequência surgiu às pressas, mais espalhafatosa e menos coerente. Até o presente momento, foram feitos seis volumes da série, com planos de prosseguir com a brincadeira enquanto os produtores continuarem no lucro. O que não muda o fato de que o saldo de muitas dessas continuações seja um lixo.

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Na primeira parte, dois homens que não se conheciam acordavam acorrentados num banheiro imundo, para se perceberem envolvidos no jogo de um serial killer – que não matava com as próprias mãos, mas colocava as vítimas sob extrema pressão psicológica e as fazia lutar pela sobrevivência com uma garra inimaginável. Tenso, lancinante e claustrofóbico, o filme tinha ideias interessantes e reviravoltas inesperadas. Já as partes posteriores se esqueceram do conceito central e se focaram apenas nas surpresas que a trama guardaria para o final, sem se importar se estas seriam convincentes ou não. Também apostaram em armadilhas mirabolantes para as próximas vítimas do assassino Jigsaw (que ganhou o rosto pontudo e macabro de Tobin Bell). O maior atrativo passou a ser o “gore” – o sangue e a violência, os membros dos personagens sendo decepados, e a dor alheia que parece dar tanto prazer ao público. A mim, esses artifícios só provocam caretas e asco. É fácil apontar, portanto, a irregularidade dos capítulos dois e quatro, ou o fiasco absoluto das partes três e cinco. Mas insisto nos filmes, vendo alguns nos cinemas e outros em DVD, porque sempre acabo caindo nos truques dos sádicos roteiristas (elementos dos capítulos anteriores sempre são resgatados com novo sentido nas sequências).

O sexto “Jogos Mortais”, em cartaz desde Sexta-feira nos cinemas brasileiros, fica num meio-termo. É trash e forçado, mas esquemático e bem bolado, com as reviravoltas mais críveis desde a primeira parte. Jigsaw, morto no final do terceiro, continua aparecendo em flashbacks e deixando seguidores (o policial Hoffman, que no quinto filme incriminou o Luke de “Gilmore Girls” pelos seus atos). O torturado da vez é o agente de uma companhia de planos de saúde que negou cobertura ao Jigsaw quando este tinha câncer. Fazem-no passar por seis provas mortais, para extrair uma lição de cada uma delas. Com a mesma montagem pobre e frenética dos capítulos passados, foi dirigido justamente por um montador, o desconhecido Kevin Greutert. Se esse é seu baile, vá lá. Carnificina é o que não vai faltar!

.:. Jogos Mortais VI (Saw VI, 2009, dirigido por Kevin Greutert). Cotação: C-

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Categorias:Cinema
  1. 11 novembro 2009 às 11:48 am

    Geralmente eu gosto de carnificina (rsrs), mas não sei porque não simpatizo com Jogos Mortais. Só assisti o começo de um (que eu não sei qual era) mas não teve paciencia pra continuar e sai da sala.
    =*

  2. 11 novembro 2009 às 1:58 pm

    Eu vi até o 5º, o primeiro é melhor, o segundo é fraco, o terceiro é um lixo e o quarto fez um esforço pra ser bom, o 5º eu quase dormi na sala do cinema. É um filme totalmente desnecessário.

  3. 11 novembro 2009 às 4:37 pm

    As cenas de torturas dos filmes anteriores são tantas, que depois de um tempo, é quase um trash, só que mais bem feito. Me disseram que esse 6º é o melhor desde o primeiro, porém ainda não vi. Mas com tantos comentários positivos acho que vou me aventurar pelo sádico.

    • 11 novembro 2009 às 5:13 pm

      Jecik, eu só gosto de carnificina em trashs cômicos como a trilogia Evil Dead. Me incomodo quando reforçam a dor, como faz a saga Jogos Mortais. O primeiro é onde isso fica menos evidente e, portanto, meu favorito!

      Mark, concordo plenamente!

      Luis, ainda prefiro o segundo a esse sexto, que está equiparado ao quarto e acima dos terceiro e quinto!

  4. 11 novembro 2009 às 9:01 pm

    acho podre.
    mas sou masoquista. vou assistir até o fim. Jogos Mortais MMXCIII e eu lá, felizona perdendo meu tempo.

  5. 11 novembro 2009 às 10:24 pm

    Louis, não tenho mais paciência para essa série cinematográfica. A parte III foi um basta pra mim. Beijo!

  6. 11 novembro 2009 às 10:27 pm

    Total exenção de saco! Detestavel! Gosto do primeiro até certo ponto, o resto é xucrutis!

    • 12 novembro 2009 às 12:14 am

      Quéroul, pior que eu me vejo fazendo o mesmo! rsrsrs…

      Ka, não posso dizer que não te entendo! Beijo.

      Cleber, adorei o primeiro quando vi, e o segundo, pela época, me pareceu bacaninha. Não sei se sobreviverão a uma revisitada, no entanto.

  7. 12 novembro 2009 às 6:04 am

    Olha, gostei do primeiro, achei o dois irregular, o terceiro razoável e os dois seguintes muito ruins. Só de olhar para a cara do Tobin Bell no seu post já fiquei cansado. Passou da hora de acabar, né?

    • 13 novembro 2009 às 12:06 am

      Wally, a série já está fazendo hora-extra, mas tem quem curta! Eu me irrito com alguns e fico seriamente ofendido com outros, mas não adianta: continuo acompanhando rsrsrs…

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