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Filmes da Mostra #18: Nova York, Eu Te Amo

Depois de “Paris, Te Amo”, o produtor francês Emmanuel Benbihy banca outra produção com o mesmo escopo, no que deve se tornar uma franquia (o Rio de Janeiro é sondado como uma das possíveis sedes para o próximo volume). A premissa é simples: uma mesma cidade deve servir de palco para uma porção de histórias avulsas, com conexões tangenciais entre si (neste caso, o pano de fundo foi o lugar mais cosmopolita do mundo, Nova York). Note, porém, que a proposta não é a mesma de “Magnólia” ou de seu primo-pobre “Crash”. É peculiar pelo fato de cada segmento ser assinado por um diretor diferente.

Era de se esperar que o resultado fosse um balaio de gato, com tantas técnicas e abordagens variadas. Seria inevitável, por exemplo, uma quebra de ritmo, porque ao final de cada enredo uma visão se encerra para dar início a outra. E, obviamente, algumas dessas visões soam mais atrativas. Tive, em particular, uma grata surpresa com Natalie Portman, que atua com a competência habitual num dos segmentos, e escreve e dirige um outro (coincidência ou não, o meu favorito dentre todos: o que reflete sobre a relação de uma menininha com o pai, enquanto os dois passeiam pelo parque). Dois outros blocos me envolveram bastante: o dirigido pelo Brett Ratner, puxado para a comédia, e o concebido pelo Joshua Marton, sobre um tragicômico casal de velhinhos. Por outro lado, tive dificuldades com a trama de Julie Christie, lenta e sonolenta (e olha que foi escrita pelo Anthony Minghella, num de seus últimos feitos antes do falecimento no ano passado – o filme, aliás, é dedicado a ele).

Para a nossa sorte, a transição entre um tom e outro não é tão acentuada – o que impede que o filme seja ruim. Para nosso azar, ele também não é bom. Sei que o foco são os personagens, mas o que custava terem deliciado a plateia com planos mais amplos da sempre fotogênica Nova York? Não pode um filme se chamar “Nova York, Eu Te Amo” e no final das contas deixar a impressão de que poderia ter sido ambientado na Barra Funda. E a tão famosa hostilidade do nova-iorquino, aonde fica? Mal se menciona. E os imigrantes que transbordam a cidade? São explorados num único segmento, e muito mal. Ou seja, ficou devendo. O saldo é mediano, mas a quem se interessar, a estreia nacional está marcada para 25 de Dezembro. Junto da chegada de Papai Noel.

.:. Nova York, Eu Te Amo (New York, I Love You, 2009, dirigido por Vários). Cotação: C+

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Categorias:Cinema
  1. 2 novembro 2009 às 12:22 pm

    Falei que ia ser nhé. [regin]

  2. 2 novembro 2009 às 1:45 pm

    O problema de filmes assim é que eles são inconstantes demais, mas é bom saber que a Natalie Portman dá conta do recado nas três frentes em que atua. Adoro-a!

    Beijo!

    • 2 novembro 2009 às 4:23 pm

      E quem disse que eu duvidava que seria nhé? huahuahua…

      Ka, concordo plenamente. Inclusive quanto à Natalie, que acho uma fofa! Beijo.

  3. 2 novembro 2009 às 5:03 pm

    quando eu li que ia ter “NY, eu te amo”, e possivelmente “RJ, eu te amo” (blé, sou bairrista. SP é mais, SP, eu te amo! aloka) eu já soube que teria que ver todos. e esses filmes ‘coletânea’ são inconstantes sim mas eu adoro (“Paris je t’aime” eu quase morri de chorar, “11’09”01″ também morri de chorar, “Chacun son cinéma”, com umas fofuras incríveis…). tem o Iñarritu nesse de NY? sempre tem ele nesses negócios, e olha, ele é sempre o piorzinho pra mim, heh.
    (no aguardo das resenhas dessa semana, porque eu PRECISO reclamar de Greici pra alguém :P)

    • 3 novembro 2009 às 2:25 am

      Quéroul, pra começar, já concordo com SP Eu Te Amo! Não moraria em nenhum outro lugar do Brasil!!! 🙂 E não, dessa vez o Iñarritu não se envolveu! Quanto a Grey’s, os textos já estão todos escritos aqui. Assim que acabar a Mostra, entram no blog! o/

  4. 3 novembro 2009 às 12:20 pm

    Acho que vou preferir a chegada do bom velhinho. 😉
    Embora eu saiba que vou pagar a minha lingua e acabar assistindo depois.
    =*

  5. 3 novembro 2009 às 1:24 pm

    não gostei desse filme também, vi no festival do RIo

    a maioria dos segmentos eu achei ruim, sem graça mesmo, teve esse problema de não jsutificar muito a cidade, o segmento da Julie Cristie é um saco sem fim e eu também gostei mais do da Natalie Portman dirigindo

    enfim, é fraco e desinteressante

  6. 3 novembro 2009 às 1:29 pm

    entre SP eu te amo e Rio eu te Amo fico com o segundo hehehhe

    • 3 novembro 2009 às 3:53 pm

      Jecik, prefiro ficar de plantão em frente à minha lareira inexistente esperando o Sr. Noel do que ver esse filme de novo! huahuahua… Brincadeirinha, não é tão ruim assim!

      Jonathan, que milagre o senhor por aqui! 🙂 Pelo visto concordamos em mt coisa sobre o filme. E só vou ficar satisfeito com um filme no Rio se o título for “Rocinha, Eu Te Amo”! HUAHUAHUA

  7. 5 novembro 2009 às 1:44 pm

    Acho “Paris je t’aime” de uma beleza fundamental, e com a cidade interferindo muito nas rotas dos personagens, penas que nesse parece ter sido diferente, e a cidade (que deveria ser o ator principal) não tem tanta participação.

    • 6 novembro 2009 às 1:14 am

      Luis, tb não gostei muito de “Paris, Te Amo”, apesar de explorarem bem a cidade. Esse tem algumas histórias melhores, mas deslizam na exploração do elemento principal.

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