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Filmes da Mostra #17: Outro Mundo

A premissa de “Outro Mundo” me pareceu interessante: é desenrolada em torno de um filipino, adotado ainda criança por um casal canadense, que retorna ao país de origem depois de adulto, em busca da família biológica. Através de uma ONG consegue localizar um irmão, tido como seu último parente sanguíneo ainda vivo. Quando vai encontrá-lo, descobre que ele é um travesti, e não revela, a princípio, o parentesco entre eles. Tenta antes disso conhecê-lo melhor, enquanto se familiariza com o ambiente miserável que o rodeia e se aproxima da ativista da ONG que o ajudou.

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Mas apesar do potencial, o filme é absurdamente raso. Começa e termina sem que tenhamos a chance de compreender o protagonista. O que o motiva? Como aquele retorno às origens o transforma? Jamais ficamos sabendo. Em vez disso, o roteiro se volta para lugares comuns, como a pobreza exacerbada, a falta de saneamento, ou as crianças que cavam o lixo à procura de comida. A pretensão do diretor – de dar à trama um quê de denúncia sociológica – falha pela inaptidão do mesmo em retratar aquele sofrimento: as cenas em questão são ponderadas por uma trilha sonora chatinha, excessiva e invasiva, que junto à fotografia quase lavada de cores, dá a “Outro Mundo” um escopo de videoclipe, daqueles bem cafoninhas exibidos em eventos ecumênicos. A intenção até pode ser nobre, mas o resultado é insatisfatório e, infelizmente, irrelevante. Mal feito, mal enquadrado, interpretado displicentemente, e pobre por motivos que nada tem a ver com as favelas que inundam a tela. Não deixe de perder.

.:. Outro Mundo (Off World, 2009, dirigido por Mateo Guez). Cotação: E+

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Categorias:Cinema
  1. 1 novembro 2009 às 2:43 pm

    Com tanto material, o diretor conseguiu errar?
    Lembrar do nome do filme, pra não comprar.
    =*

  2. 1 novembro 2009 às 4:55 pm

    Nossa que medo desse filme, haha.

    • 1 novembro 2009 às 7:03 pm

      Jecik, pois é! O ponto de partida é bom, mas o resultado final é um saco!! Beijo.

      Mark, bota medo nisso! haha

  3. 2 novembro 2009 às 1:48 am

    Hello novamente … Vi (500) Dias com Ela, Julie & Julia e não duvido em mais uma indicação para Meryl, O Dia da Transa me pareceu interessante … mais de primeira já preciso rever pra concluir … Brilho de uma Paixão, me trouxe tudo o que eu esperava de Jane algo muito bom!

    • 2 novembro 2009 às 5:08 am

      Então tem visto bastante coisa tb! 🙂 Concordo quanto a Meryl ser indicada ao Oscar. Já quanto a Brilho de Uma Paixão, não é equivalente a O Piano, mas é certamente superior ao blefe Em Carne Viva! Ou seja, Jane já fez piores! huahuahua

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