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Filmes da Mostra #15: Julie & Julia

Antes de mais nada, preciso confessar que adoro filmes sobre gastronomia – sou enjoado pra comida, mas salivo ao ver os chefs elaborando receitas sofisticadas como verdadeiros artistas dando o retoque final em suas criações. Tinha tudo para me envolver, portanto, com “Julie & Julia”, uma comédia muito simpática apoiada justamente nesse tema apetitoso. Com o bônus de as personagens-título serem interpretadas por duas das melhores atrizes de suas gerações: a fofucha Amy Adams (de “Retratos de Família” e “Encantada”) e a legendária Meryl Streep. Elas contracenaram juntas muito recentemente em “Dúvida”, onde Meryl era uma madre-superiora impiedosa e Amy a noviça ingênua. Aqui elas nunca chegam a dividir a cena, visto que há duas narrativas paralelas e não muito bem conectadas. Mas esbanjam talento mesmo assim – e num tom mais leve, descontraído e desfrutável.

juliachild

Em 2002, Julie Powell (Amy), uma nova-iorquina com o sonho de ser escritora, resolve explorar suas habilidades na cozinha com o auxílio de um famoso livro de receitas escrito por Julia Child nos anos 50 (Streep, craque em mudar o sotaque e o timbre de voz). Através de um blog, Julie vai relatando os seus sucessos e desastres na cozinha, sempre visando completar as mais de 500 receitas propostas pelo livro no prazo de 1 ano. Os internautas ficam fascinados por essa proposta diferente, e o blog vira uma sensação. Entrementes, acompanhamos Julia formulando o livro que inspirou a garota e outras milhares de donas-de-casa (ela desenvolveu um interesse tardio pela culinária, e deu seus primeiros voos autorais na cozinha enquanto residia na França com o marido diplomata – depois da publicação das receitas, que aproximavam como nunca antes a gastronomia francesa do lar americano, viria a ter um programa de TV).

As duas tramas tem seus atrativos, apesar da contemporânea começar aos tropeços – como quando Julie se reúne com as amigas bem-sucedidas, cena que reúne os piores clichês das mulheres de negócio (todas atendendo um telefonema atrás do outro e fechando contratos milionários como se não fosse grande coisa). Tem também momentos supérfluos que pouco acrescentam, e que poderiam ser cortados para diminuir as quase duas horas de projeção (tempo demais para um filme do gênero). Jane Lynch, por exemplo, que é a sensacional chefe das cheerleaders em “Glee”, participa como uma irmã desengonçada de Julia, sem um único propósito ou relevância para o desenrolar da história. E como disse, nem sempre – aliás, quase nunca – a conexão entre a década de 50 e os presentes 2000 é feita com elegância (não espere a simetria vista em “As Horas”; os cortes entre uma ação e outra são abruptos e grotescos, sendo a única exceção a cena em que a montagem permite que Julie e Julia experimentem o mesmo prato ao mesmo tempo).

São falhas perdoáveis, no entanto. Em geral é tudo muito charmoso, da trilha de Alexandre Desplat (que está compondo para tudo que é filme da temporada) aos temas abordados (os blogueiros da vida real – como eu – vão se deleitar com Julie descobrindo as maravilhas dessa mídia). A direção da veterana Nora Ephron compromete menos do que seu roteiro – reparem como ela retrata Julia perambulando pela cozinha, ou nos cortes propositais na cena em que Julie conversa com o marido sobre a opinião de Julia sobre seu experimento. Dizem ainda que Meryl Streep pode ganhar seu terceiro Oscar – já está na hora, né? – pelo trabalho. Está tão inspirada (e, se me permitem dizer, a concorrência está tão fraca) que não duvido nada. Estreia em circuito marcada para 27 de Novembro.

.:. Julie & Julia (Idem, 2009, dirigido por Nora Ephron). Cotação: B-

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Categorias:Cinema
  1. 31 outubro 2009 às 1:15 am

    Gostei do filme … mas Oscar para Steep para esse filme … soa muito … real … mas curti e muito …

    • 31 outubro 2009 às 2:27 am

      JP, será que veremos esse bendito Oscar sair? Não reclamo se vier por Julie & Julia, apesar de que ainda me falta ver a Carey Mulligan, tida como a principal adversária de Meryl no Oscar – na Quinta confiro o filme dela pra poder dar um parecer definitivo! 😉

  2. 31 outubro 2009 às 6:24 pm

    Esse eu tinha me interessado quando li a sinopse e vi o trailler. Talvez vá ver.
    =*

    • 31 outubro 2009 às 7:16 pm

      Jecik, veja sim! Vale a pena como uma diversão despretensiosa. E Meryl está maravilhosa!

  1. 6 dezembro 2009 às 4:56 pm

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