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Filmes da Mostra #10: Vício Frenético

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“Vício Frenético” mostra o cotidiano de um tenente em uma delegacia de Nova Orleans (Nicolas Cage, que está na merda na vida real, embora continue acertando ocasionalmente). Mas tem muito pouco dos filmes sobre o tema, ou nada. O foco é totalmente no protagonista, um sujeito ambíguo, cínico e corrupto, que despreza os colegas de trabalho (entre eles Val Kilmer) e toda e qualquer lei que o cerca. É viciado em analgésicos devido à uma insuportável dor nas costas, que contraiu ao salvar um latino do afogamento – e quando as receitas médicas não surtem efeito, mergulha na cocaína com a prostituta que visita regularmente (Eva Mendes, uma grata surpresa). Envolve-se ainda de um jeito nada ético com os casos que é incumbido de solucionar, abusando do poder para conseguir favores sexuais das mulheres nos estacionamentos das boates, ou coagindo e ameaçando quem for preciso de acordo com seus interesses. Tudo isso sem qualquer punição.

A grande sacada do filme, no entanto, é a abordagem cômica de muitas dessas situações escabrosas. Não é inédito explorar um personagem desonesto através do humor – foi o que Steven Soderbergh fez recentemente em “O Desinformante”, por exemplo. Raras são as ocasiões em que isso funciona com perfeição. E onde Soderbergh falhou, o cineasta alemão Werner Herzog acertou em cheio. Ele tem uma carreira muito singular – e nenhuma palavra define “Vício Frenético” melhor do que esta. Instigante, intenso, safado e hilário nas devidas proporções, o filme é uma das minhas melhores descobertas na Mostra até então (perde apenas para “A Fita Branca”, que está um nível acima de qualquer outra coisa). Mas imagino que não tenha data de estreia definida para o Brasil (a legenda era daquelas eletrônicas, projetada numa tela à parte, e não embutida na cópia). Uma pena. E nada de download! É daqueles especiais o bastante para ver na telona!

Informação etílica: existe um filme honônimo de 92 com Harvey Keitel no papel principal (que não assisti), mas me garantiram que, apesar do plot similar, este aqui não é uma refilmagem, justamente pela ênfase diferenciada do diretor.

.:. Vício Frenético (Bad Lieutenant: Port of Call New Orleans, 2009, dirigido por Werner Herzog). Cotação: A+

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Categorias:Cinema
  1. 28 outubro 2009 às 9:07 am

    Opa, eu nem cheguei a ler a sinopse do “Bad lieutenant”, pois nem tinha me interessado, mas agora pretendo ver… ainda mais depois de dizer que a Eva foi uma boa surpresa… eu realmente gosto da Eva Mendes, e acho que como já mostrou em “We own the night” ela tem futuro, desde que largue papéis idiotas como 90% dos que ela faz, e se concentre em diretores e roteiros insigantes. Verei. Ok, e vou esperar vir no cinema.

    • 28 outubro 2009 às 10:20 pm

      Régis, eu sempre achei a Eva Mendes super simpática, mas essa é a primeira vez que a vejo como atriz, como alguém com potencial! O filme é sim muito bom, veja quando possível (ou quando uma distribuidora tomar vergonha na cara, comprar e marcar o lançamento nos cinemas brasileiros rsrs)!

  2. 29 outubro 2009 às 3:14 am

    Esperar, esperar. Esse eh um verbo bem recorrente quando eu venho por aqui. rsrs
    (curiosa pra ver esse)
    =*

    • 29 outubro 2009 às 10:30 pm

      Jecik, que pena que tenham que esperar por filmaços como este! As distribuidoras brasileiras não aprendem rsrsrs… Beijo.

  3. 30 outubro 2009 às 2:19 am

    Olha, em termos de produtor, o filme é refilmagem sim. Um cara tinha os direitos do original, e produziu esse. Em termos de diretor, not at all. Ele nem assistiu, e o filme de Ferrara não é nem de longe uma comédia. E o Bad Lt. já começa todo cagado.

  4. 30 outubro 2009 às 3:14 am

    Wow, parece imperdível. Parece que Cage está lentamente voltando à boa forma. Só o Herzog mesmo para salvá-lo.

    • 31 outubro 2009 às 2:26 am

      Pedro, foi exatamente o que me disseram. Não vi o outro, mas imaginei que Herzog não se meteria em qualquer furada.

      Wally, é sim! Não sei se o bastante para resgatar Nicolas Cage da ruína (que já se estende tb a sua vida financeira e pessoal). Mas Herzog foi de grande ajuda, no que pode ter sido o último grande trabalho do ator – nunca se sabe… rsrs

  1. 19 janeiro 2010 às 12:19 am

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