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Filmes da Mostra #2: Abraços Partidos

Pedro Almodóvar às vezes erra e às vezes acerta, mas sempre imprime em suas obras a sua personalidade excêntrica e seu estilo visual muito particular. Para bem ou para mal, é um dos poucos cineastas da atualidade – ou seria o único? – a ter criado uma identidade forte, que torna cada um de seus filmes facilmente reconhecíveis. E isso sem nunca se repetir. Os plots que ele concebe são sempre inovadores e criativos. Só convergem num ponto: em todas as tramas existem personagens sem um pingo de moralidade, que cometem as maiores barbaridades – abordadas frequentemente pela comicidade – como se fossem banalidades. Não à toa, muitos dos filmes de Almodóvar se encerram com os heróis ou anti-heróis dirigindo ou tomando café, enquanto conversam amenidades. E sem que ninguém seja punido por nada, mais ou menos como acontece na vida real.

Almodóvar e a musa Penélope

Almodóvar e a musa Penélope

Ou seja, é um cineasta que merece todo o nosso respeito e admiração. O que explica porque seu trabalho mais recente, “Abraços Partidos”, foi a fita mais procurada no Festival do Rio, ou porque as sessões na Mostra de Cinema de São Paulo tem lotado, mesmo com a estreia marcada para uma data próxima (deve chegar em circuito comercial no final de Novembro). As peculiaridades de Almodóvar estão todas lá: a Espanha lindamente fotografada, os personagens triviais, as reviravoltas absurdas, o roteiro fragmentado, e o humor advindo de situações que qualquer outro fulano transformaria em dramalhão.

Conta a história de um cineasta cego (Lluís Holmar), que adotou um pseudônimo depois de perder a visão, e que encaixotou todas as lembranças dao acidente que o deixou nessa condição. Em flashbacks, descobrimos que ele fora envolvido com uma moça fascinante e eloquente (Penélope Cruz, que sabe controlar seu sex appeal como poucas mulheres no mundo). Ele a contrata como atriz para um de seus filmes, mas ela era compromissada com um magnata ciumento e possessivo (José Luis Gómez), que resolve bancar a produção para poder vigiá-la a todo instante. Entre os papeis de destaque está outra atriz de confiança de Almodóvar, Blanca Portillo, como a manager do roteirista. Lola Dueñas, de “Volver”, tem um cameo (aparição breve) engraçadíssimo, e o novato Tamar Novas demonstra talento como o assistente do protagonista para quem as lembranças do passado são narradas.

Há algumas cenas desnecessárias e excessivas, e uma trama bastante plana se desconsiderarmos sua falta de linearidade. Mas ainda que não se equipare aos trabalhos mais inspirados do diiretor – como “Tudo Sobre Minha Mãe”, “Volver” ou a obra-prima “Fale Com Ela” -, “Abraços Partidos” é um bom exemplo da verve de Pedro Almodóvar. Um senhor que reafirma que ainda não perdeu a mão!

.:. Abraços Partidos (Los Abrazos Rotos, 2009, dirigido por Pedro Almodóvar). Cotação: B+

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Categorias:Cinema
  1. 24 outubro 2009 às 7:29 pm

    Também vi essa semana babão … ehehehe
    Assim, gostei que só. Pode se dizer que é o primeiro Almodovar de verdade que vejo, já que Volver é outro patamar, não parecendo um filme dele.

    E Penelope está absurda de linda … alguns enquadramentos que Almodovar fez dela que pode se dizer … claaasic … principalmente dos … vc sabe … nossa … num saiu da cabeeeeeça …

    Te cuida mano

    • 24 outubro 2009 às 7:35 pm

      JP, eu, pelo contrário, acho que Volver tem tudo a ver com o estilo que o Almodóvar criou para si! Penélope, plasticamente falando, não chega a ser bonita, mas sabe se posicionar e acaba surgindo absurdamente sedutora e atraente. Por isso disse que ela usa o sex-appeal como ninguém! E pagou peitinho! 🙂 huahuahuahua… Abraço, friendo!

  2. 24 outubro 2009 às 8:28 pm

    Sonhei com o peitin … ehehehe
    Mas eu gostei do filme em si … pensava que irias gostar mais … abraços

  3. 24 outubro 2009 às 10:39 pm

    Eu assiti Volver pela metade, mas tava adorando até onde vi. Pena que depois não achei ele de novo. Esse vai pra lista de filmes a serem vistos.
    PS: minha mãe adora filmes de cegos e surdos e afins, esse deve ser visto por aqui em breve.

  4. 24 outubro 2009 às 10:41 pm

    (esperando o post sobre GA qnd acabar a Mostra, mas eu particularmente gostei e chorei [primeira vez nessa temporada] nesse epi) ^^

    =*

    • 25 outubro 2009 às 12:25 am

      JP, seu safado!!! Quanto ao filme, estava esperando mais ou menos isso mesmo.

      Jecik, mas deixe claro para sua mãe que esse filme não trata a deficiência como costumam tratar os filmes convencionais. A cegueira não é o centro da história, é só um adereço. Mas sim, Volver é super interessante – termine de ver quando puder! Quanto a Grey’s, ADOREI o episódio da semana. Tenho em mente o texto sobre ele, que vou escrever quando a correria da Mostra passar! 😉 Beijo.

  5. 25 outubro 2009 às 12:40 am

    Olha, não sei o que tá havendo com o Almodóvar, mas os filmes deles tão ficando muito esterilizados… cade o cara que dirigiu “Mujeres al borde…”, meu clássico do Almodóvar “Tudo sobre minha mãe”, e “Fale com ela”??? Uma coisa que sempre destacou estes filmes do Almodóvar pra mim foram que acima de qualquer coisa eles me faziam sentir… mas de uns anos pra cá, o Almodóvar parece que se preocupa mais em criar um roteiro esquemático, do que um roteiro com sentimentos… não me entenda mal, adoro “Má educação”, “Volver” e tbém gostei muito do “Abraços partidos” (a origem do título na história, aliás, achei linda), mas sei lá, falta aquele tremor, falta aquela alegria miraculosa, aquela dor, falta uma Agrado, uma Candela, uma Manuela. Enfim falta algo.

  6. 25 outubro 2009 às 12:55 am

    Ah, e eu discordo… muito além de saber usar a sexualidade, acho a Cruz uma mulher estonteante… linda mesmo… um vulcao… sexy até com o dedo no nariz… prontofalei.

    • 25 outubro 2009 às 4:30 am

      Régis, sexy a Penelope é. Só não a acho especialmente bonita. Tem umas feições bem irregulares. Não que faça diferença, porque ela esbanja sensualidade como poucas mulheres no cinema hoje em dia. Quanto ao Almodóvar, não senti isso no filme – senti mais em Má Educação, por exemplo. Volver eu adoro, e a trinca Carne Tremula, Tudo Sobre Minha Mãe e Fale Com Ela, tudo em sequência, é arrasadora!

  7. 26 outubro 2009 às 1:41 am

    Almodovar sempre sabe convencer, e talvez, nesse filme menos ‘obra-prima’ do que outros, ele deve ter feito um ótimo trabalho também. ainda mais nessa ótima fase de penélope;

    • 26 outubro 2009 às 4:00 am

      Luis, Penélope está com tudo mesmo! A interpretação dela no filme é novamente especial.

  1. 6 dezembro 2009 às 4:56 pm

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