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Filmes da Mostra #1: Dr. Parnassus

A última interpretação de Heath Ledger nos cinemas não foi o Coringa em “O Cavaleiro das Trevas” pelo qual ganhou um Oscar póstumo. Foi num filme de Terry Gilliam, “O Mundo Imaginário do Dr. Parnassus”, que deixaria por inacabado ao falecer em Fevereiro de 2008, vítima de uma overdose acidental de medicamentos. Na trama, o místico doutor do título (um ótimo Christopher Plummer), amaldiçoado com a imortalidade pelo Diabo (Tom Waits), se apresenta num circo ambulante com a filha mocinha (Lily Cole), um anão (Verne Troyer) e um aprendiz (Andrew Garfield). O problema é que o espetáculo é um fracasso, apesar de oferecer algo extraordinário: Parnassus convida as pessoas a cruzar um espelho mágico, capaz de externalizar o que está na imaginação de cada um. Mas só pode entrar um de cada vez, porque o conflito entre várias imaginações se sobrepondo pode ser catastrófico.

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Heath é um sujeito que eles encontram enforcado numa ponte, quase sufocado. Salvam-no da morte e num aparente ato de gratidão, ele os ajuda a modificar o show, transformando-o num sucesso graças ao seu charme. Como os devaneios de seu personagem ainda não tinham sido gravados na época de sua morte, chamaram outros três astros para substituí-lo. Assim Ledger ficou sendo o homem do mundo real, e Johnny Depp, Jude Law e Colin Farrel, suas versões alternativas na primeira, segunda e terceira viagem de ácido, respectivamente. Parece até que os três combinaram de doar os cachês para a filha de Heath (com a atriz Michelle Williams).

Só posso imaginar o quanto foi difícil para a equipe continuar o trabalho depois de uma tragédia que consternou o mundo inteiro (Gilliam, que tinha dirigido Heath em “Irmãos Grimm”, fez questão de homenageá-lo nos créditos finais). No entanto, mesmo com as boas intenções, o resultado é irregular. Todos os atores estão muito bem e o visual amaneirado reforça a preocupação estética do projeto, mas o roteiro é bem qualquer coisa e o ritmo, discutível. Deve ser visto como um conto de fadas levado ao extremo, sem nuances e sem leituras complexas. Ou como muita forma para pouco conteúdo. Tem chances de ser indicado e talvez de ganhar o Oscar de Direção de Arte. Sem data de estreia programada para o Brasil até então.

.:. O Mundo Imaginário do Dr. Parnassus (The Imaginarium of Doctor Parnassus). Cotação: C-

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Categorias:Cinema
  1. 24 outubro 2009 às 10:51 am

    Eu gostei da proposta (e do elenco *-*), as vezes é bom um filme sópra diversão (embora eu goste mais quando eu entendo tudo q há por trás das coisas).
    =*

    • 24 outubro 2009 às 11:37 am

      Jecik, a premissa é mesmo super interessante, mas a realização é irregular! Beijo.

  2. 24 outubro 2009 às 1:53 pm

    O filme é irregular porque sofreu com a morte do Heath Ledger, ou por quê tem uma trama cheia de falhas?? Beijo!

  3. 24 outubro 2009 às 1:54 pm

    eu realmente ouvi dizer que o filme era marromenos. tirarei minhas dúvidas quando estreiar. mas não deve ser mais que 7.0
    abraço 🙂

    • 24 outubro 2009 às 6:41 pm

      Ka, mesmo se o Heath desempenhasse o papel inteiro o filme seria irregular. A trama é furada! Os atores se revezando no personagem que seria só dele acabou fazendo sentido dentro da proposta – e isso me surpreendeu bastante! Beijo!

      Jeniss, não é mesmo! 😉 Abraço.

  4. 26 outubro 2009 às 1:45 am

    acho que esse filme é muito semelhante ao outro de Terry Gilliam (irmãos..) que poderia ter um enredo bem mais desenvolvido, mas acaba vendo mais a parte visual ao roteiro em sim. Uma pena, porque com uma premissa tão fantasiosa como essa, o trabalho poderia ser mais bem feito nas mãos de outro.

    • 26 outubro 2009 às 4:01 am

      Luis, adorei Irmãos Grimm bem mais do que este Parnassus!

  5. 26 outubro 2009 às 12:31 pm

    Eu acho que você precisa ver Medo e Delírio. Aliás, não consigo achar que Gilliam tá se lixando pra “ritmo”.

    • 26 outubro 2009 às 6:04 pm

      Pedrinho, o filme começa super bem, mas vai cansando rapidamente. Dá umas derrapadas feias, como tenho certeza que vc vai concordar depois de assistí-lo! 😉

  6. 29 outubro 2009 às 4:56 pm

    Concordo plenamente com as derrapadas, principalmente mais para o final. Mas ele consegue transmitir como em nenhum outro (ou talvez como em Fisher King e Irmãos Grimm, de certo modo) essa busca da fantasia no cotidiano e, neste filme, coloca algo inovador, a necessidade da realidade no meio de tanta fantasia, como é o caso da filha do Parnassus. Também achei interessante o papel do Tony na trama… até para o diabo ele é um mistério. O filme está cheio de referências simbólicas e metáforas. Gostei muito!

    • 29 outubro 2009 às 10:33 pm

      Lucy, então vc tb está passeando pela Mostra? 🙂 Sua opinião sobre o filme é bem interessante.

  7. 30 outubro 2009 às 12:21 am

    Não, Louis. Eu moro na Espanha e aqui o filme estreou semana passada. Já fui ver duas vezes! O Gilliam é um dos meus diretores favoritos, aliás.

    • 30 outubro 2009 às 2:45 am

      Mas que legal!!! Também penso em rever quando o filme estrear oficialmente no Brasil. E gosto moderadamente do Gilliam.

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