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O Corpo de Jennifer

A comédia “Juno” me causou uma forte impressão na época de seu lançamento, muito em parte pelo virtuosismo do roteiro da ex-stripper Diablo Cody – que assim como nossa Bruna Surfistinha, fez fama primeiro através de um blog. No entanto, nem dois anos se passaram desde que o filme foi lançado (ou desde que Cody ganhou o Oscar pelo trabalho), e “Juno” já está sendo esquecido. Isso porque o texto de Diablo não é só criativo, mas também rápido e autoreferenciado, apoiado fortemente na volátil cultura pop – ou seja, as piadas ficam datadas num piscar de olhos. Mas “Juno” tinha o coração no lugar, um elenco legal, e personagens bem delineados por trás dos diálogos amaneirados. Tudo isso falta à “Garota Infernal”, um suspense trash que Cody escreveu em 2006, no mesmo ano em que concebeu “Juno”, e que só foi rodado graças ao prestígio recém-adquirido da roteirista (que ganhou também a confiança de Steven Spielberg, um dos produtores de sua série “United States of Tara”).

JennifersBody

Sem a pretensão de oferecer uma trama coerente ou personagens complexos, Cody se contenta em chupar todas as convenções e ideias batidas do gênero. Parece preguiçosa ao criar as frases excêntricas que deram tão certo em “Juno”, e as investidas cômicas resultam tão mal sucedidas para o que se propõe quanto os sustos que vemos chegando com dias de antecedência. Só o que se vê são cliches – e os ruins, não os bons como os de “A Morte do Demônio” (que aliás é mencionado). A combinação dá origem a um “terrir” banal, mas ocasionalmente sexy e malandro. Para quem é chegado num bom trash, o filme tem seu charme. Até porque a canastrice da bela Megan Fox (a mocinha vulgar da série “Transformers”) é bem aproveitada. Ela interpreta a diabólica Jennifer, que passa de vadia do colégio para uma verdadeira serva do Demo por motivos que não vale a pena contar. Mas a protagonista e narradora da história é a melhor amiga, uma nerd (Amanda Seyfried, transformada em estrela com “Mamma Mia!”) que descobre o segredo de Jennifer (para se manter bonita, a “diaba” tem que se alimentar de carne humana, e por isso ataca os rapazes do colégio que tentam seduzi-la). Fraco e bobinho, mas com apelos inegáveis a certos públicos.

.:. Garota Infernal (Jennifer’s Body, 2009, dirigido por Karyn Kusama). Cotação: C+

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Categorias:Cinema
  1. 23 outubro 2009 às 11:45 pm

    Não dou um reau pra ver o filme …
    Se tiver pro downloadi … eu pego … eheheh

    • 24 outubro 2009 às 12:09 am

      JP, e eu achei que vc adorava um bom trash de terrir!!! 🙂

  2. 24 outubro 2009 às 12:11 am

    Eu confesso que estou ansioso para assistir a esse filme. Quero ver a maneira como Cody concebeu uma história tão diferente daquilo que vimos em Juno. Será que será bom?
    Vou esperar estreiar aqui na minha cidade!

  3. 24 outubro 2009 às 1:06 am

    Eu já achava o roteiro de “Juno” uma porcaria… então, mais um contra nessa baboseira ai com a Megan Fox.

    • 24 outubro 2009 às 6:16 am

      Luís, nota-se alguns artifícios de Juno na elaboração dos diálogos, mas nada tão notável ou bem-sucedido. A diversão, no entanto, é garantida!

      Régis, porcaria? Que exagero rsrsrs… Quanto a Jennifer’s Body, é uma baboseira sim, mas dessas bacaninhas em sua falta de complexidade.

  4. 24 outubro 2009 às 7:24 pm

    Eu gostei desse filme!!! Muito legal e é um terrir mesmo, mas que divide muito os públicos! Roteiro inusitado, digo pelos diálogos!
    ABRAÇO

    • 24 outubro 2009 às 7:28 pm

      Ricardo, achei o filme divertidinho, ainda que sem pé nem cabeça. Quem for mais pela diversão deve curtir sem problemas! Abraço.

  5. 24 outubro 2009 às 7:31 pm

    Gosto de trahs … mas porra … vi umas cenas no trailer que me deixaram com vergonha … depois conversamos sobre isso
    te cuida!

  6. 25 outubro 2009 às 7:41 am

    Sei lá Louis… eu vi Juno duas vezes, e na primeira já achei fraco… na segunda então… nem é questão da história ser ruim, ou mal escrita… mas pow, me deu nojo da prepotência da Diablo Cody, com aquele monte de frase do tipo “sou uber cool, e quero mostrar pra todo mundo”, colocando 500 mil referências pop por segundo, tirando por consequência a originalidade e veracidade dos personagens… aliás, personagem no singular… pois os outros personagens foram bem escritos sim, mas Jesus, se eu conhecesse uma Juno na minha vida, juro que eu matava uma criaturinha tão insuportável como aquela…

    • 25 outubro 2009 às 3:29 pm

      JP, o trailer é um dos piores que eu já vi, mas pra quem curte um trash não vejo porque o filme vá desapontar. Acho ainda que tem potencial para se tornar cult!

      Régis, gostei muito de Juno desde a primeira assistida. O filme é coerente para a linguagem cinematográfica (Angels in America, que nós dois adoramos, não tem referências pop, mas os personagens também conversam numa linguagem meio teatral, que consequentemente o afasta da realidade). Ou seja, sou da opinião de que em cinema pode tudo. E gosto da forma que Diablo conduz os personagens. Por trás do texto cheio de combinações irreverentes há pessoas palpáveis, ainda que pouco exploradas pelo cinema (adolescentes e pais que se gostam e se entendem, e que não batem cabeça por tudo)! 😉

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