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Comédia romântica é coisa séria

Quem considera o fútil “A Verdade Nua e Crua” como uma comédia romântica exemplar precisa conhecer “Novidades no Amor”, que acaba de estrear nos cinemas brasileiros. Enquanto os problemas do par formado por Katherine Heigl e Gerard Butler no primeiro filme se resolvem com besteiras, as dificuldades enfrentadas por Catherine Zeta-Jones e Justin Bartha no segundo são coerentes a dois adultos.

therebound

Na trama, ambos precisam descobrir uma forma de se amar e se entender apesar da enorme diferença de idade (ela já é uma quarentona, e ele ainda tem vinte e quatro anos). Eles se conhecem quando estão no fundo do poço: Catherine estava de mudança para Nova Iorque com os filhos pequenos depois de descobrir que o marido lhe fora infiel, e Justin fora enganado por uma francesa, que se casou com ele para obter o green card. Ambos não vêem, de início, a possibilidade de uma aproximação amorosa, mas o rapaz é bonzinho e prestativo, e se oferece para cuidar das crianças quando fosse preciso (ela arruma emprego como jornalista esportiva em Manhattan). Logo ele acaba sendo contratado como babá, para desgosto de seus pais, um casal de judeus ricos e intrometidos. Catherine se comove ao ver o carinho com que o moço trata os filhos dela – e afinidade das crianças com ele -, e Justin vê a si mesmo como parte da família para quem trabalha. Aí pronto. Os dois se envolvem e tentam contornar os porvires causados pelos dezesseis anos que lhes separam.

É compreensível que este seja o melhor trabalho do diretor e roteirista Bart Freundlich. Ele costuma ser sinônimo de mediocridade, mas abordou dessa vez um tema que lhe é bem próximo: na vida real, é casado com Julianne Moore, e dez anos mais novo que a esposa. Freundlich entende seus personagens como ninguém – e se poderia ter nos poupado de certas ‘gags’ (como a aula de defesa pessoal em que os pombinhos se encontram pela primeira vez), ao menos soube valorizar as opções dramáticas e dar, a cada lado da moeda, um tempo para crescer e amadurecer. Acabamos até relevando certos furos, como o passado da personagem de Catherine – ela comenta que parou de trabalhar quando os filhos nasceram, mas tem quarenta anos, e o menino e a menina não mais do que dez; mais adiante, diz que não trabalha desde que saiu da faculdade. Hein?

O fato de nos envolvermos com a história deve-se muito também à dupla principal. Zeta-Jones é bonitona, fotografa bem, nunca compromete. E Bartha é um capítulo à parte. Tem uma carreira relativamente curta, mas repleta de boas interpretações (inclusive naquela bomba “Contato de Risco”, com Ben Affleck e Jennifer Lopez, onde se saiu muitíssimo bem como o deficiente mental que é sequestrado). Aqui, esbanja simpatia. E somando-se à sua participação no bacanérrimo “Se Beber, Não Case”, coloco-o como um dos atores que mais deu gosto de ver em 2009. Que cresça cada vez mais!

.:. Novidades no Amor (The Rebound, 2009, dirigido por Bart Freundlich). Cotação: A-

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Categorias:Cinema
  1. 22 outubro 2009 às 12:39 am

    O Bart Freundlich, no cinema, ainda não tinha mostrado a que veio. A história do longa, aliás, é tão parecida com a dele mesmo, que é casado com a Julianne Moore, uma mulher alguns anos mais velha que ele. Será que ele se inspirou em sua própria vida??? Mistério!

    Quero ver!

    Beijo!

    • 22 outubro 2009 às 4:33 am

      Ka, foi exatamente o que eu comentei. Por vivenciar uma situação parecida, ele acabou entregando, talvez involuntariamente, o seu trabalho mais sólido até então! Com certeza teve um pouco de projeção nisso aí! Não perca. Beijo!!

  2. markhewes
    22 outubro 2009 às 2:10 pm

    Concordo e odeio filmes patéticos que se julgam comédia romântica.

  3. 22 outubro 2009 às 6:00 pm

    Definitivamente assistirei esse filme.
    E concordo com vc.. Apesar de adorar minha amada Izzie, eu n gostei de A verdade nua e crua.
    Gostei mito desse post..
    Beijão

  4. 22 outubro 2009 às 8:11 pm

    Oba, mais um filminho pra eu me destressar dessa rotina de aulas. ^^
    Esse ano tava meio fraquinho de filmes bons.
    Pelo seu comentario, vale a pena assistir.
    =*

    • 22 outubro 2009 às 9:31 pm

      Mark, até gosto de uma comédia mais bobinha e descompromissada, mas não suporto aquelas em que os personagens se comportam como crianças! Sai pra lá! huahua

      Rafinha, achei A Verdade Nua e Crua bem fraquinho, quase uma bomba. Katherine já escolheu melhor seus projetos – mesmo Vestida Para Casar era uma comédia bem honesta e divertida. Veja Novidades no Amor e passe aqui pra dizer o que achou. E que bom que gostou do texto! 😉 Beijão.

      Jecik, o ano carecia de comédias românticas mais humanas como esta. Vale a pena ver, com certeza.

  5. markhewes
    23 outubro 2009 às 3:07 pm

    Louis, eu também gosto das descompromissadas, mas você disse tudo, aquelas em que eles se comportam como crianças são as piores, como “What Happens in Vegas” com a Cameron Diaz e o Ashton Kutcher. Esse eu me irritei muito, queria sair do cinema no meio do filme, mas estava acompanhado e não podia fazer isso, haha.

    • 23 outubro 2009 às 9:18 pm

      Essa é boba de tudo né?? E olha que já vi muito piores! Aquela da Nia Vardalos “Eu Odeio o Dia dos Namorados” é calamitosa nesse sentido!

  6. 31 outubro 2009 às 6:30 pm

    Adorei o trailler. *-*

  7. Caroline®
    3 novembro 2009 às 2:51 pm

    Finalmente assisti ao filme, e vc (como sempre :)) tem razão, Louis. Achei muito humano, maduro, e fiquei tocada de verdade com a estória. Ainda acho que algumas ideias eram dispensáveis (a escatologia do quiropraxista foi ridícula, nivelou por baixo como “A verdade nua e crua”). Mas o resultado final foi muito bonito, e não tão óbvio. Gostei mesmo.

  8. Caroline®
    3 novembro 2009 às 2:54 pm

    E o personagem do Bartha é uma gracinha, pena que não exista na vida real um cara tão sensível e ao mesmo tempo tão encantador….

    • 3 novembro 2009 às 3:57 pm

      Jecik, veja assim que possível!

      Caroline, essa cena que vc citou é PÉSSIMA! Apaguei-a da minha memória, porque a considero um deslize inevitável. Uma baixaria perdida num filme muito sério, apesar de sua temática. E estou virando fã do Bartha! Acho que existem pessoas reais como o personagem dele. Só que devem estar muito ocupadas na África pra se relacionarem com seres egoístas como nós huahuahua!

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