Início > Cinema > A Esposa do Viajante no Tempo

A Esposa do Viajante no Tempo

Não chegou a estourar no Brasil, mas me lembro de ter visto uma porção de cópias de “The Time Traveller’s Wife” na vitrine de uma livraria canadense no começo do ano. Era uma questão de tempo até que o best-seller ganhasse sua versão cinematográfica – e esta veio numa produção bonita e caprichada, em cartaz desde Sexta-feira nos cinemas brasileiros. O problema é que escolheram um título nacional horrível, “Te Amo Para Sempre”. O pôster também não é de grande ajuda. Parece vender um romance tradicional, e ignora as pitadas de ficção científica que o título original – traduzido ao pé da letra como “A Esposa do Viajante no Tempo” – prenuncia.

time travelers wife 2 dance 75

Mas o fato é que essa habilidade extraordinária do protagonista Eric Bana (com a mesma cara de bunda de sempre) poderia ter sido melhor explorada. Como é fantasia não há finalidade em tentar explicar coisa alguma. Pois o roteiro do experiente Bruce Joel Rubin (vencedor do Oscar por “Ghost”), muito provavelmente seguindo o que foi estipulado pela autora do livro (que não li e nem faço questão), cai justamente no erro de buscar uma explicação para esses fenômenos, inventando um médico que acaba não servindo para nada. É uma falha perdoável, porém, porque todas as opções convergem para a história de amor entre Bana e a simpática Rachel McAdams. Como o herói é capaz de se locomover no tempo, voltando para o passado ou acelerando para o futuro (sem, no entanto, conseguir controlar para onde vai e quando vai), ele a encontra como um homem adulto, enquanto ela ainda é uma garotinha. No futuro dela e presente dele, os dois estarão – ou estão – casados. Logo a garota cresce tendo o “viajante” como o amor de sua vida.

E dá-lhe colheradas de açúcar nesse copo d’água! Preferiria que não tivessem apelado tanto para o melodrama em determinadas cenas, mas creio que tenha sido inevitável. Sei ainda que foi intencional manter o casal como centro das atenções, mas isso não significa que não poderiam ter se aprofundado no relacionamento complicado do viajante com o pai, já que é um fator relevante da vida do personagem central – que, no filme, tem mais ênfase do que a esposa, embora ao folhear a obra original eu tenha tido a impressão de que deveria ser o oposto (algumas compilações do diário da moça compõe o livro). Também no seu elemento diferencial a trama apresenta problemas: apesar de engenhosas, as idas e vindas no tempo não são especialmente coerentes. Mesmo o espectador menos atento será capaz de identificar alguns furos e incongruências.

Outra coisa que irrita: quando é “transportado” para outro período no tempo – sempre involuntariamente -, o cara vai e volta como veio ao mundo. Deixa para trás calça, cueca, camiseta, até a aliança de casamento. E sempre sai desesperado à procura de peças de roupa, roubando a primeira que vê pela frente, antes de dar uma explorada no lugar aonde foi parar. Além da curiosidade que os fãs podem ter em conferir o bumbum de Eric Bana – que já o exibiu antes em “Hulk”, diga-se de passagem -, não há nada a se extrair desses momentos. Só um reforço do ditado: “A ocasião faz o ladrão”. Os românticos por natureza, no entanto, devem se envolver. Até porque o diretor Robert Schwentke (de “Plano de Voo”) tem umas sacadas discretas, uns movimentos de câmera interessantes, e o auxílio de um cinematógrafo talentoso como Florian Ballhaus. Termina como um passatempo bonitinho, para ver e esquecer.

.:. Te Amo Para Sempre (The Time Traveller’s Wife, 2009, dirigido por Robert Schwentke). Cotação: C+

Anúncios
Categorias:Cinema
  1. 21 outubro 2009 às 11:50 am

    Minha mãe vai adorar esse. Me fez lembrar de Kate & Leopold. ^^ (com mais viagens no tempo e só ele viajando, mas efim…)

    • 21 outubro 2009 às 11:59 am

      Jecik, não tem muito a ver com Kate & Leopold porque não é puxado pra comédia, mas o elemento “viagem no tempo” está lá! 😉

  2. 21 outubro 2009 às 3:04 pm

    Taí um filme que eu nunca ouvi falar. E que muito provavelmente não me interessaria…
    Mas cara, eu AMO a McAdams. Amo, amo, amo.
    E Eric Bana eu dou um respeito.

  3. 21 outubro 2009 às 3:10 pm

    Eu simplesmente odeio tudo relacionado a viagem no tempo… quem sabe 1 ou 2 filmes sobre o tema que eu goste, se chegar a tanto… por isso que detestei tanto essa última temporada de LOST, e por isso também não tive muito interesse neste filme… mas man, eu amo a Rachel McAdams, e só por causa dela irei assistir… mas não tenho pressa…

    • 21 outubro 2009 às 10:52 pm

      Quéroul, também gosto muito da Rachel. Acho engraçado que da galerinha de Meninas Malvadas – uma das várias comédias teen que eu adoro – as coadjuvantes cresceram e a protagonista se afundou. Quanto ao Bana, não fede nem cheira pra mim.

      Régis, pois eu adoro!!! Não sei se isso casa bem com um romance, como tentaram fazer aqui, mas numa ficção como Lost dá um toque especial. Só fica chato se cair na mesmice.

  4. 22 outubro 2009 às 8:11 am

    Nada contra o tema Louis, desde que seja coerente… e por isso mesmo que eu achei que essa foi a desgraça de “Lost”… pior que quando fui num forum argumentar os pontos (muito) mal explicados pelos roteiristas da série, os fãs me disseram apenas: “Você já viajou no tempo pra saber como é?”. Depois de um “argumento” como este, fui obrigado a largar a discussão pela metade, huahaua…

    Aehhh eu tbém adoro “Meninas malvadas”… já vi várias vezes, e continuo achando super engraçado.

    • 22 outubro 2009 às 3:05 pm

      Régis, sério que te disseram isso??? hahahahahaha. De fato, não tem como argumentar. Mas acho que Lost tem um esquema legal. Só me irrito com o didatismo dos roteiristas quando precisam explicar essas viagens no tempo… Quanto ao Meninas Malvadas, é muito favorecido pelo elenco carismático e principalmente pelo roteiro da Tina Fey!!! 🙂

  5. 22 outubro 2009 às 5:54 pm

    Verei! Sem sombras de duvidas.. Primeiro pq acho que ela merece que a vejamos atuar, segundo pq confesso o filme faz meu tipo.
    Beijoss

  6. 22 outubro 2009 às 8:17 pm

    Eu não gosto de filmes de viagem no tempo pq eu nunca entendo. =/
    (minha mãe adora qualquer um, K&L e tbm a Casa do lago)

    ^^

    Mas fica na espera pra assistir esse.
    =*

    • 22 outubro 2009 às 9:24 pm

      Rafinha, sigo Rachel McAdams pra qualquer lugar tb! rsrsrs… Beijo!

      Jecik, bem lembrado. A Casa do Lago é outro que mistura viagens no tempo com romance, e com resultado discutível tb. Sua mãe deve adorar este aqui! Beijo.

  1. No trackbacks yet.

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: