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Série-novela em crise

A intervalos que variam conforme a urgência das emissoras, a TV americana produz seriados com o mesmo escopo das novelas latinas. Não me refiro à frutos como “Ugly Betty”, que usam o formato como sátira, extraindo o seu diferencial do exagero proposital. Refiro-me à melodramas descarados como “Brothers & Sisters”, da ABC, onde a família central está sempre unida para compartilhar dramas e alegrias – e sem um pingo de privacidade. A fórmula é infalível em viciar e fidelizar o público, mas quando mal dosada, os clichês em que a série se apoia podem passar com imensa facilidade do agradável para o irritante. É uma linha tênue, que “Brothers & Sisters” cruzou em vários pontos da terceira temporada, e que continua incomodando neste quarto ano.

brothers-sisters-cast

Para quem não conhece o programa, explico melhor. Planejava-se de início dar toda a ênfase à personagem de Calista Flockhart (parceira de Harrison Ford, famosa por “Ally McBeal” e pelos traços cadavéricos). Não contavam que Sally Field, a vencedora de dois Oscars, seria escalada como a matriarca, e mudaram depois as diretrizes para que a veterana fosse bem aproveitada – abrindo caminho também para coadjuvantes notáveis como Rachel Griffiths (a Brenda de “Six Feet Under”, no papel da empresária que tem de conciliar o trabalho com os filhos pequenos e o marido) e Matthew Rhys (como o tragicômico advogado gay). Completam a prole os irregulares Dave Annable e Balthazar Getty (como o caçula que voltou da Guerra do Iraque traumatizado e o filho responsável que tenta seguir os passos do pai, falecido no primeiro episódio).

Apesar de discutível, o elenco se entende muito bem e rende que é uma beleza quando posto em conjunto. Por isso mesmo não havia a necessidade de criar antagonistas, como é o caso da amante de longa data do patriarca (Patricia Wettig) – personagens como ela são indispensáveis em toda novela que se preze, mas “Brothers & Sisters” caminharia perfeitamente sem esse elemento (que, no seu melhor, originou tramas paralelas ridículas, quase sempre envolvendo suas atitudes dissimuladas para tomar conta da firma da família). Também não carecia inventar um filho bastardo, como o birutinha que deu as caras na temporada anterior e que se infiltrou, de uma hora pra outra e cheio de malícia, no cotidiano dos irmãos. Mas o truque mais barato de todos veio agora, na leva de episódios que acaba de estrear nos Estados Unidos (como não tem previsão de chegada à TV paga brasileira não digo muito mais – saiba apenas que é uma cópia descarada do plot da Lynette, no final da terceira e começo da quarta temporada de “Desperate Housewives”). Aos roteiristas de “Brothers & Sisters”, recomendo que botem a cabeça pra funcionar. E aos interessados em premiação um adendo: a série deu o Emmy de Atriz Dramática para Sally em 2007.

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Categorias:TV
  1. Régis
    13 outubro 2009 às 3:20 am

    “Brothers & Sisters” realmente perdeu a mão… mas eu adorava… acho que a TV carece mais de séries assim… aqueles dramas modestos e centrados em personagens comuns… claro que eu amo “Damages”, “Dexter”, “Fringe”, “True Blood”, mas são todas ou sobre policiais, advogados poderosos e casos cheios de reviravoltas, vampiros caipiras e não caipiras, viagens no tempo, casos médicos da semana, assassinatos resolvidos da semana… faz falta séries sobre dramas familiares tipo “Gilmore Girls”, “B&S”, minha amada e idolatrada “Six feet under”… mesmo com os clichés, ainda to assistindo, mas que realmene perdeu muito da graça, isso perdeu.

  2. markhewes
    13 outubro 2009 às 3:07 pm

    Eu não perco tempo com séries como Brothers & Sisters, é tudo muito razo e comum. Uma ótima temporada que revi essa semana foi a primeira temporada de Weeds, a série é inteligente e tem um humor afiado. Existem tantas séries ótimas como Weeds, por isso não tenho interesse em Brothers & Sisters, confesso que já dei uma chance a série, vi os primeiros episódios e não é ruim, é apenas sem sal, queria ter continuado, mas por alguma razão não continuei e não pretendo continuar.

  3. markhewes
    13 outubro 2009 às 3:10 pm

    Louis, já viu a primeira temporada de Entourage e Will & Grace? Tenho os DVD’s em casa, mas nunca peguei pra assistir e agora que já vi todos de Sex and the City, preciso de uma série inédita pra assistir, mas sempre vejo em DVD porque só baixo Nip/Tuck, Damages, Glee e True Blood, essas duas últimas parei de assistir por um tempo, mas preciso continuar. Então o que me diz de Entourage e Will & Grace? Ah e amanhã começa a 6ª temporada de Nip/Tuck, aguardo um “big” post seu, hahaha.

  4. Régis
    13 outubro 2009 às 3:36 pm

    Will & Grace, por favor… Entourage é tão, tão… boring.

    • 13 outubro 2009 às 3:49 pm

      Régis, entendo o que vc quer dizer. Mas entre as séries sobre pessoas comuns, dentre as atuais, acho Desperate Housewives a mais bacana – a sexta temporada está ótima, ao contrário da temporada passada.

      Mark, Brothers & Sisters demorou um pouquinho para me ganhar. Lá pelo quinto ou sexto episódio fica bem envolvente. A primeira temporada é irresistível, e a previsibilidade das histórias acaba sendo um charme extra – isso é, quando não pesam a mão e subestimam a inteligência dos espectadores. Já vi quase tudo de Will & Grace (tenho as primeiras temporadas em DVD e as outras vi na TV meio fora de ordem) e adoro! Quanto a Entourage, tem quem não goste (Régis por exemplo rsrs), mas eu acho imperdível (apesar de tb ter tido problemas nessa temporada recente).

  5. markhewes
    13 outubro 2009 às 4:08 pm

    Então vou começar as duas essa semana.

  6. Lucas
    13 outubro 2009 às 9:06 pm

    Gosto muito do seu blog. Vc tem uma forma única de escrever – divertida, mas tb séria… Ah, não sei descrever… Só sei q gosto.

    Sobre o assunto do post: NÃO TENHO COMO assistir nenhuma série, por isso só vi 2 episódios de Brothers and Sisters. Assim como quase todos, achei carregado de clichês, mas de qualquer forma gostei. Além de não acompanhar séries, eu tb não possuo conhecimento suficiente sobre tv (e afins). Então,tb não tenho como palpitar sobre B&S. Enfim, confio na sua opinião, e vou por ela.

    Agora, o blog “http://seesseoscarfossemeu.wordpress.com/” é seu? Caso seja: pq parou de escrever nele? Achei muito legal os 3 (únicos até agora) posts. Pretende retomar as atividades lá?

    Abraços! Lucas.

    • 13 outubro 2009 às 10:28 pm

      Mark, não irá se arrepender!

      Lucas, obrigado pelos elogios! Tento ser o mais sincero possível nos meus textos. E não diga que não tem conhecimento sobre TV; não é preciso ser um expert (eu não sou, só assisto e procuro passar o que sinto em relação ao que eu vi). Quanto ao outro blog, decidi trazer para cá os posts sobre premiação, não só sobre o Oscar, mas tb Emmy, Globo de Ouro etc. Volte sempre! 😉

  7. 13 outubro 2009 às 11:48 pm

    Eu tentei, mas não consigo acompanhar “Brothers & Sisters”. É muito drama pro meu gosto! rsrsrsrs

    Beijo!

  8. Régis
    14 outubro 2009 às 2:05 am

    “Desperate…” me perdeu por algum lugar da segunda temporada, e nunca mais me achou… até tenho vontade de dar mais uma chance, mas to esperando criar coragem.

    Ah, falando em dar chances… resolvi dar mais uma chance a “Mad Men”, e vi os 3 episódios que faltavam pra terminar o primeiro ano… e não é que estou atpe pensando seriamente em assistir a segunda. Quero ver como a Peggy vai se sair, agora que foi promovida, mas tem um bebê pra cuidar. Não chegou a mudar minha impressão sobre a série, mas pelo menos agora eu criei um pouquinho de interesse pela história, algo que ainda não tinha acontecido.

    • 14 outubro 2009 às 9:31 am

      Ka, para mim o artifício mais novela é a interpretação à la Regina Duarte da Sally Field! huahuahua.
      Beijo!

      Régis, a segunda temporada foi péssima, assim como a quinta! A primeira foi sensacional, a terceira e a quarta muito boas e essa sexta por enquanto está satisfatória. Levantou tramas muito boas a se explorar. Quanto a Mad Men, foi mesmo no final do primeiro ano que me ganhou de vez. A partir do segundo e do terceiro comecei a endossar os elogios unânimes! Tudo fica muito mais envolvente.

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