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Não gostaria de entrar para uma xícara de café?

O sueco “Deixa Ela Entrar” foi o filme estrangeiro mais premiado pelo círculo americano em 2008, mas como não foi a submissão oficial de seu país ao Oscar, acabou de fora da categoria onde ganharia com as duas mãos nas costas. Deu pra sentir que é um filmão? Pois é ainda melhor do que lhe disseram. Tão bom que não consigo entender porque está chegando ao Brasil com tanto atraso, ou em salas tão seletas (só o público das principais capitais terá o prazer de vê-lo). E depois reclamam que mais e mais pessoas apelam para o download caseiro…

LettheRightOneIn

Quem puder conferir e não for bobo de perder a chance vai descobrir um conto de vampiros muito diferente e original, até mesmo forte e perturbador (causou uma impressão tão contundente que já está programado um remake hollywoodiano, que nem precisamos ver para saber que não terá a mesma voltagem). O resultado atingido pelo diretor Tomas Alfredson é único, irreproduzível pela grande maioria. É preciso coragem para ir tão fundo, para fazer opções anticonvencionais, para abordar tópicos delicados e inesperados, e para colocar crianças em episódios de arrepiar os cabelos (nos cinema americano já é um escândalo botar os pequeninos proferindo palavrões, como no querido indie “Eu, Você e Todos Nós”). Aqui, Alfredson confia no taco de dois jovens estupendos, Kåre Hedebrant e Lina Leandersson. O primeiro é Oskar, um garoto introspectivo atormentado pelos colegas de escola, e a segunda é Eli, uma menina vampira que se muda para o apartamento ao lado junto de um adulto sinistro (o homem em questão sai pelo parque na calada da noite matando inocentes e coletando o sangue das vítimas para alimentar a monstrenga). E Oskar e Eli vão se aproximando perigosamente, para resoluções escabrosas advirem dessa relação.

Se você está com um pé atrás por conta dos desastres que o gênero vampiresco tem provocado, não se preocupe. Este passa longe da frivolidade e banalidade de “Crepúsculo” e suas derivações. Nem “True Blood” serve como comparação, embora também seja criativo e ocasionalmente sensacional. Se ainda não está curioso, prepare-se para a próxima frase, escrita com a maior fidelidade e talvez inédita: “Deixa Ela Entrar” é um filme europeu e não é chato! É tudo aquilo que o cinema do velho continente costuma ser – lento, frio e distanciado. Mas nunca menos que instigante em sua complexidade. Aplausos para o diretor, para o roteirista de nome difícil (também autor do texto previamente publicado que serviu de base), para o fabuloso elenco mirim, e para a fotografia, uma das mais esplendorosas do ano. Absolutamente obrigatório!

.:. Deixa Ela Entrar (Låt den rätte komma in, 2008, dirigido por Tomas Alfredson). Cotação: A+

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Categorias:Cinema
  1. Régis
    12 outubro 2009 às 12:34 pm

    Não Louis, até tu Brutus… gente, eu não consigo achar tudo isso que falam deste filme, sério. Quando eu vi ele uns meses atrás, confesso que achei ele muuuito original, tanto pela abordagem, quando pelo roteiro, em se tratando de um filme de vampiros e talz… mas nossa, todo mundo coloca o filme como o clássico absoluto da década no genero terror… eu vi uma história bem contada, com clima, relativamente bem desenvolvida, e that’s all. Preciso rever o filme é verdade, mas da primeira vez, lembro que ele não causou nenhum impacto assim tão grande.

    • 12 outubro 2009 às 1:13 pm

      Régis, não disse que é a obra-prima máxima do terror dessa década, até porque pode ser tomado como um drama. Só soube que estava diante de um filmaço. Assisti duas vezes e mantenho a opinião. O diretor sabe contar uma história com talento e criatividade – e isso é raridade hoje em dia!

  2. 12 outubro 2009 às 6:33 pm

    Para quem estava com dificuldades de escrever sobre este filme, acabou fazendo um texto excelente. Eu ainda não conferi este longa e nem sou a maior fã do gênero de terror, mas as opiniões estão tão boas que eu tenho que ver “Deixe Ela Entrar”. Beijo!

  3. 12 outubro 2009 às 10:12 pm

    esse foi um dos melhores filmes que vi esse ano. e eu nem esperava tanto, pois vi antes desse semi-hype que tá rolando.

    a direção e a fotografia são de fatos espetaculares… e marcantes. a cena da piscina vai ficar marcada em minha memória por muito tempo. o cara conseguiu transformar a violência em algo bonito. sinistro.

  4. 12 outubro 2009 às 10:13 pm

    Também não sou nenhum pouco fã do genero terror, mais tentarei dar um conferida no mesmo.

    • 12 outubro 2009 às 11:15 pm

      Ka, obrigado! Estava pouco inspirado pra escrever, mas acho que consegui botar no papel tudo o que queria! E claro que tem que ver Deixa Ela Entrar! Beijo.

      Doc, quando vi o hype não era tão grande tb. Já tinha sido exibido na Mostra de São Paulo e muitos amigos faziam elogios fervorosos, mas não fora intensamente premiado. E endosso os elogios mesmo assim!

      Cleber, veja. Este é um dos raros casos em que o gênero é transcendido!

  5. markhewes
    13 outubro 2009 às 12:56 am

    Se você indica, é bom mesmo, eu vi Anticristo depois do seu post e adorei também.

    • 13 outubro 2009 às 2:38 am

      Mark, e olha que Anticristo é um filme ainda mais particular, mais difícil de recomendar. Este é ainda mais garantido que irá gostar, ou ao menos se intrigar!

  6. markhewes
    13 outubro 2009 às 3:12 pm

    Louis, eu gostei mais do inicio de Anticristo, com aquele clima “in treatment”, haha.

    • 13 outubro 2009 às 3:45 pm

      Mark, se por início vc se refere ao prólogo, tb achei fenomenal. Mas depois o filme foi me cansando um pouco!

  7. markhewes
    13 outubro 2009 às 4:51 pm

    Louis, me refiria ao prólogo mesmo e depois cansa um pouco.

  8. 14 outubro 2009 às 1:57 am

    Pena que não vai passar por aqui (Maceió jamais se enquadraria entre as principais capitais).
    Vou tentar assistir depois. Sempre adorei vampiros, Crepúsculo me chamou atenção por isso na livraria. Foi um péssimo filme, mas foi um livro razoável pra um romance. ^^
    Mas voltando ao assunto, vampiros são sempre interessantes e é sempre bom ver filmes bem escritos e dirigidos. Vai pra lista de assitir tão breve puder.

    • 14 outubro 2009 às 9:28 am

      Mark, então assim sim! 🙂

      Jecik, tb adoro os filmes do gênero – ao menos os que conseguem brincar com as convenções com certa originalidade. Felizmente, Deixa Ela Entrar está nesse nicho. Veja assim que puder!

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