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Com muito prazer!

“Jogando com Prazer” tem as cenas de nudez mais generosas que Ashton Kutcher já protagonizou, mas num resumo geral é bem dispensável. É uma comédia romântica apimentada, com atores bonitos e fotogênicos, onde até a quase coroa Anne Heche se garante frente às mocinhas mais jovens. Ganha pontos por um desfecho pouco convencional, mas também incomoda pela preguiça do roteirista (que apela para clichês óbvios, a serem abordados mais adiante) e pelas taras mal disfarçadas do diretor (basta reparar em quantas vezes os pés de Ashton aparecem para ter certeza de que estamos diante de um podólatra).

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Na trama, um garanhão (Ashton, também produtor do longa) perambula por Los Angeles seduzindo mulheres ricas e se encostando na casa delas – até elas sacarem qual é a dele a o forçarem a procurar um novo alvo. É o que acontece com a personagem de Heche, que o leva para a sua mansão – onde transam feito coelhos – e o mima com luxos e presentes. Mas ele tem seus rolos ocasionais, e um deles, com a garçonete de uma cafeteria (a insossa Margarita Levieva), começa a ficar sério. Só não contava com o fato de que a moça também é trambiqueira, e que planeja tirar vantagem dele porque desconfia que é bem de vida. A partir daí há algumas saídas criativas e outras nem tanto. Algumas das previsíveis dá para encarar com simpatia. É absurdo, por exemplo, o quanto Kutcher pende para a canastrice, mas quando temos em mente que o papel pede por uma abordagem safada, perdoamos e até desfrutamos junto dele, no que certamente foi uma experiência divertida e descontraída (alguém mais acha bacana quando fica evidente que o elenco curtiu à beça as filmagens? Eu adoro! Sinto que me dá um motivo para aproveitar o filme sem culpa).

O que eu não aguento de jeito nenhum são as soluções bocós. Vejam só o horror que é a cena em que Kutcher e Heche jogam as cartas na mesa. Ela diz: “Um dia sua beleza vai desaparecer. Você só é bonito, não é charmoso ou interessante. Você é um gigolô vazio!”. Ele escuta calado e faz uma cara de “Nossa, é mesmo. Fiquei mal. Deixe-me sozinho”. Faça-me o favor! Costumo tomar os filmes por aquilo que propõe, mas mesmo que este não se proponha a ser uma revolução do gênero, não dá pra aplaudir a falta de criatividade. Bota essa cabecinha pra funcionar, roteirista! (O nome do cara é Jason Hall, e consta em sua ficha no IMDb que este é seu roteiro de estreia – percebe-se!) Ou seja, se essas convenções bobinhas não são pra você, não insista: “Jogando com Prazer” vai te dar nos nervos. Mas se sua vontade de conferir a comissão de trás do Sr. Demi Moore é mais forte, vai lá.

.:. Jogando com Prazer (Spread, 2009, dirigido por David Mackenzie). Cotação: C+

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Categorias:Cinema
  1. 27 setembro 2009 às 4:36 pm

    taí um filme que faço questão de conferir…

    …em DVD
    🙂

  2. 28 setembro 2009 às 3:24 pm

    Não faço tanta questão de conferir!

    • 28 setembro 2009 às 5:50 pm

      Jeniss, não perde muita coisa! 🙂

      Robson, também vi mais por falta de estreias melhores na semana. Não é ofensivo, mas dá para passar sem.

  3. 28 setembro 2009 às 6:18 pm

    O poster é interessante, garanto que o filme não.

    • 28 setembro 2009 às 11:52 pm

      Sério que achou o poster interessante, Mark? A mim não tinha empolgado em nada…

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