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Para todos os gostos

Mais um post de mini-resenhas. Dessa vez com três produções de 2009 – duas em cartaz nos cinemas nacionais e uma em exibição na HBO mais próxima a você.

mylifeinruins

* Falando Grego (My Life in Ruins, 2009, dirigido por Donald Petrie): Desde que “Casamento Grego” se tornou a sensação das bilheterias americanas em 2002, sua estrela e roteirista Nia Vardalos vem tentando prolongar os quinze minutos de fama com projetos parecidos em sua temática. E novamente retorna às suas origens gregas com esta comédia romântica, em cartaz nos cinemas brasileiros desde sexta-feira, desempenhando dessa vez apenas a função de atriz (ela escreveu, dirigiu e protagonizou “Eu Odeio o Dia dos Namorados”, lançado no país neste mesmo ano e até então, uma das fitas mais sem graças da temporada). O casal Rita Wilson e Tom Hanks, seus amigos habituais, apadrinharam o longa como produtores executivos (e Rita faz uma aparição como a esposa falecida de Richard Dreyfuss). Na trama, uma guia turística (Nia), amargurada por ter perdido o emprego como Professora de História, conduz um grupo de viajantes frescos pela Grécia, tentando inutilmente lhes explicar a cultura e tradição dos lugares. Mas vai se soltando quando pinta um clima com o motorista do ônibus, um grego viril, e quando se aproxima de um passageiro viúvo (Dreyfuss). Os demais turistas são ainda mais estereotipados, e a figura de um guia concorrente e pilantra é desnecessária. Todos brigam e se desentendem mas no passar dos dias acabam ficando amigos, num final meio forçado. Só que qualquer comédia romântica, por mais ordinária que seja, fica muito mais charmosa quando ambientada na Grécia, passando pelos mais legendários templos e monumentos. Com a mesma história situada no sertão brasileiro, você acha que daria certo? Ainda mais pelo tipo estranho de Nia, que não tem cara de mocinha e por quem o par romântico jamais se atrairia no mundo real. Fãs do gênero devem curtir. Cotação: C-

bandslam

* High School Band (Bandslam, 2009, dirigido por Tom Graff): É uma das poucas vezes que vejo traduzirem um título para um nome também em inglês. “Bandslam” se tornou “High School Band” numa tentativa óbvia de mamar no sucesso da série “High School Musical”, de quem pegou emprestado a estrela Vanessa Hudgens. Ou seja, fui ver com os dois pés atrás e qual não foi minha surpresa quando me peguei apreciando o resultado? Para começar, o papel de Vanessa é coadjuvante, e embora este aqui também seja focado num grupo de estudantes com talento para a música, passa longe da frivolidade da franquia da Disney. É leve, mas não pueril. O protagonista é um garoto que luta para encontrar seu lugar no mundo (ou no colegial) e para se desvencilhar de um passado amargo, envolvendo uma besteira que o pai alcoólatra fez. Muda-se para New Jersey com a mãe (a sempre interessante Lisa Kudrow) e se aproxima de alguns freaks que desejam montar uma banda e se inscrever num concurso, ajudando-os com seu vasto conhecimento musical. Conhecia alguns dos outros integrantes do elenco – o rapaz popular era o Jason Street de “Friday Night Lights”, o guitarrista gordinho é o filho do Thomas Jane em “Hung” -, mas ninguém me chamou mais atenção do que David Bowie, que faz uma ponta como ele mesmo (aliás, como o menino é um grande fã, toda a narrativa se dá através das cartas que escreve para Bowie). Também fala de algo interessante e atual: os artistas que “se fazem” pela internet, divulgando o trabalho nos MySpaces da vida. Bem recebido pela crítica, ainda que o público tenha tido mais dificuldade em embarcar na proposta. Mas é como eu sempre digo: se os fins (os clichês) justificam os meios (a mensagem), qual é o problema? Cotação: B-

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* O Retorno de Um Herói (Taking Chance, 2009, dirigido por Ross Katz): O tempo não passa, voa. E eis que o Emmy, que parece ter anunciado seus indicados na semana passada, está a poucos dias de distância (anote na agenda: é neste Domingo, com transmissão ao vivo pelo Sony a partir das 21h). Na minha tentativa de assistir ao máximo possível de séries e telefilmes nomeados, me deparei com este “Taking Chance”, da HBO, pelo qual Kevin Bacon concorre como Melhor Ator. É um drama curtinho, de cerca de 1h10, sobre um oficial da Marinha encarregado de acompanhar o corpo de um rapaz morto no Iraque até sua cidade natal, no Wyoming. A história é narrada com sobriedade, mostrando as formalidades e procedimentos para a entrega dos corpos aos familiares, e também a solidariedade dos cidadãos comuns que presenciam essas tragédias se tornarem rotineiras. Perdem a chance, contudo, de enveredar para o cenário político (não é sempre a melhor opção, mas neste caso seria oportuno e até esperado), ou de se aprofundar na figura do protagonista (e Bacon pouco faz para matizá-lo; fica o tempo todo com cara de nada, o que muitos confundem com atuação). Consequentemente, não é mais do que um telefilme razoável. O título em português é horrível, “O Retorno de Um Herói”. Cotação: B-

E amanhã… Lista final de previsões para o Emmy!

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Categorias:Cinema
  1. 18 setembro 2009 às 11:01 pm

    Só vi “Falando Grego”. A obra não é tão ruim assim, mas peca por ter uma mensagem bem parecida com a de “Up”. Por causa disso, perde em comparação e acaba perdendo seu efeito diante de nós! Beijo!

    • 19 setembro 2009 às 12:11 am

      Ka, você tem razão. A moral da história é similar e o filme não lambe as botas do concorrente da Pixar. Mas creio que os fãs de comédias românticas vão apreciar, até porque o gênero não tem tido bons representantes ultimamente. E soube ainda agora que Nia Vardalos é a atriz que mais deu prejuízo ao cinema neste ano, com seus dois filmes resultando em absolutos fracassos. Coitada…

      Beijo!

  2. 19 setembro 2009 às 4:15 am

    Ouvi dizer que esse filme da Vardalos fracassou mesmo… Vi O Retorno de Um Herói na HBO e achei bem bonito e emocionante.

    • 19 setembro 2009 às 7:49 am

      Jô, Vardalos vai penar pra ganhar a confiança da indústria de novo! Quanto a O Retorno de Um Herói, não achei fraco (minha cotação foi até bem positiva). Tem a capacidade de emocionar, mas também poderia ter ido muito além, seja na construção dos personagens, seja no lado político.

  3. Roseli Zanella
    19 setembro 2009 às 6:42 pm

    Eu geralmente gosto de comédias romanticas e detestei ‘falando grego’

    • 20 setembro 2009 às 2:28 am

      Roseli, há quanto tempo! 🙂 Confirmou a minha impressão de que o filme é irregular, mas tem fãs do gênero muito menos exigentes que devem curtir.

  4. 20 setembro 2009 às 10:07 pm

    O filme “Taking Chance” é um filme medíocre. Totalmente falhado.

    • 20 setembro 2009 às 10:23 pm

      Victor, o filme não me disse muita coisa, mas tem quem se emocione com a história, por isso não o considero uma perda total.

  5. Roseli Zanella
    21 setembro 2009 às 1:13 am

    Vc não viu ainda ‘A verdade nua e crua’?

    • 21 setembro 2009 às 3:25 am

      Fui ao cinema na Sexta-Feira, mas estava com tanto sono que dormi sem ver quase nada do filme. Vou tentar novamente no meio da semana!

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