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Oh oh oh, filme triste que me fez chorar!

Dava para ouvir os soluços do público na sala onde assisti a “Uma Prova de Amor”, e pelo que me disseram, a reação tem sido a mesma em tudo que é lugar (só me lembro de algo parecido nas sessões de “Titanic” ou “Marley & Eu”). Não foi o meu caso – aguentei firme até o final, sem lágrimas, ainda que tenha saído do cinema cabisbaixo, como se tivesse levado uma bordoada na orelha. Não é que eu não tenha me envolvido com o filme. Achei marcante e sem dúvidas tocante. Mas todas as opções me pareceram tão friamente calculadas para provocar esse efeito na plateia que me reprimi só de marra. Choro fácil assim é covardia!

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À primeira vista a trama deste novo longa de Nick Cassavetes me lembrou a novela “Laços de Família”. O ponto de partida é um casal (Cameron Diaz e Jason Patric) que planeja ter outra filha para que esta possa salvar a vida da irmã mais velha, abatida por um tipo raro de leucemia. A salvadora da pátria (Abigail Breslin) cresce doando sangue, medula e o diabo – mas quando tem idade o suficiente para entender os riscos de cada procedimento para sua própria saúde, decide dar um basta na situação e contrata um advogado (Alec Baldwin) para lutar por sua emancipação médica. A garota com câncer é interpretada pela talentosa Sofia Vassilieva (dizem que o papel foi primeiro oferecido à Dakota Fanning, que o recusou por não topar raspar a cabeça) e o primogênito da família, para quem os pais não dão atenção frente aos dramas das irmãs, é feito pelo também eficiente Evan Ellingson. Completa o ótimo elenco Joan Cusack como a juíza do processo.

Histórias como esta tem melhor aceitação na televisão, e são frequentemente temas de telefilmes (note, porém, que não é o relato exato de um caso real, e sim levemente inspirado num fato que originou o livro de Jodi Picoult, base para o roteiro de Jeremy Leven e do próprio diretor). O que deixa “Uma Prova de Amor” com cara de cinema é a distribuição do foco da ação; eles acertaram em não colocar o julgamento no centro dos acontecimentos (e as cenas em questão escapam da cafonice dos filmes de tribunal). Voltam-se, em vez disso, para os conflitos íntimos de cada personagem – todos tem uma bagagem, relacionada à doença da protagonista ou não (a juíza perdeu uma filha num acidente, o filho mais velho tem problemas de dislexia etc.); e todos tem ainda a chance de desempenhar a função de narrador, compartilhando a sua perspectiva dos eventos. O filme vem a pecar na montagem, que soa confusa, como se tivessem feito a cena certa mas a colocado no lugar errado. Não precisavam, também, ter se estendido tanto em certas passagens (um namorinho da menina doente com um paciente que conhece na quimioterapia fica longo, redundante e mal inserido, a ponto de não nos lembrarmos mais em que pé estavam as coisas quando voltam do flashback para o presente). Mas certamente é um filme bonito, triste mas edificante, como tem se tornado recorrente na carreira de Cassavetes. Quando for assistir, não se esqueça de levar o lenço!

.:. Uma Prova de Amor (My Sister’s Keeper, 2009, dirigido por Nick Cassavetes). Cotação: B-

Categorias:Cinema
  1. 17 setembro 2009 às 4:38 am

    Ishh… vou me acabar com este ai. Histórias assim sempre me emocionam. Marley & Eu me atingiu em cheio, e ali era um cachorro. E com este filme, então?!!?!

    • 17 setembro 2009 às 6:00 am

      Wally, por isso que fiquei de marra. Filme com cachorrinho ou criancinha morrendo ou à beira da morte NÃO DÁ! É muita covardia e o choro da plateia é garantido.

  2. 17 setembro 2009 às 6:29 am

    O diretor parece ser fã de um belo drama mesmo… Eu gosto muito desses filmes que me fazem chorar, hahaha.

    • 17 setembro 2009 às 8:19 am

      Vinícius, Cassavetes é um chorão recrutando seguidores!🙂 Eu choro com muita facilidade, por isso acho até crueldade quando apelam tanto para esse resultado. Tem que ter dó da gente um pouco! hauahuahua

  3. 17 setembro 2009 às 9:40 pm

    O trailer já mostrava … CHORRA POOORRRA!
    Aqui mal passou … e já saiu …

    eheheh
    abraços

  4. 17 setembro 2009 às 11:09 pm

    Eu tenho medo de conferir esse filme porque o tipo de assunto sobre o qual ele fala me comove muito…. Mas, eu quero ver! E fico feliz de ver que, em todos os textos que eu li, ninguém fala que a obra manipula as nossas emoções. Isso é excelente! Beijo!

  5. 17 setembro 2009 às 11:51 pm

    Olá, deixei um selo no meu blog para os melhores blogs de cinema que conheço. Um dos blogs é o teu; para pegar o selo, passe no meu blog! Parabéns pelo teu trabalho! Abraço!

    • 18 setembro 2009 às 12:00 am

      JP, é mais ou menos isso. Mas com uma temática dessas não tinha como ser diferente. Vais chorar desbragadamente! rsrsrs… Abraço!

      Ka, eu também me preparei antes de ir assistir. E manipulativo é algo que o filme realmente não é! Beijo.

      Daniel, muito obrigado, pelo selo e pelos elogios. É sempre bom conhecer novos leitores e outros blogueiros! Abraço.

  6. 18 setembro 2009 às 2:49 am

    esse eu vejo em DVD, Louis. parece ser joia, mas não tenho interesse em ve-lo agora
    abraço🙂

    • 18 setembro 2009 às 3:37 am

      Jeniss, é “jóia” e merece ser visto, ainda que em DVD!🙂
      Abraço.

  7. 18 setembro 2009 às 3:52 am

    Só choro quando percebo que o filme é uma bosta e que o ingresso foi caro … eheheheh

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