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Estreia bunda e estreia boa

Já reparou que em série teen nenhum ator aparenta a idade do personagem que representa? Os adolescentes tem cara de adultos já formados na faculdade, e os pais são muito mais jovens e bem arrumados do que deveriam ser. Que eu me recorde, as exceções à regra são “Veronica Mars” (o papai da heroína era um baixinho calvo super com cara de gente) e “Joan of Arcadia” (todo mundo no núcleo da escola fazia o tipo certo, e olha que a atriz que interpretava a amiga masculinizada tinha quase 30 anos na época). Mesmo séries queridas como “Gossip Girl” e a extinta “Freaks and Geeks” pecam neste quesito (os pais da primeira mais parecem modelos de pasta de dente e alguns protagonistas da segunda já eram homens feitos). Mas nenhuma foi mais grotesca do que a “Barrados no Baile” original, onde a mocinha ainda frequentava o colegial, mas evidenciava os pés-de-galinha.

The Vampire Diaries

Então: “The Vampire Diaries”, que estreou no CW nesta semana, é mais um desses casos irritantes. Se passa numa escola onde só tem gente bonita, madura e desenvolvida demais para a faixa etária. Toda e qualquer pessoa que dá as caras neste primeiro episódio é um colírio para os olhos. Não estou brincando quando digo que acho que nunca vi tanta beleza reunida numa única série. E só assim mesmo para insistir nesta variação pobre de “Crepúsculo”, que se aproveita do crescente interesse pelos contos de vampiro (despertado também por “True Blood”, da HBO). Basta dizer a nova série está mais para os rasos romances de Stephanie Meyer do que para as metáforas espertas de Alan Ball: tem um vampiro gente fina, que deixou de se alimentar de humanos e que pode sair à luz do dia sem consequências (odeio quando dobram as convenções das lendas vampirescas para se adequar à tramas chulés). O rapaz frequenta uma high school e lá conhece uma garota fechada e introspectiva, que sobreviveu ao acidente de carro que matou seus pais. Os dois se aproximam, até porque tem em comum o fato de manterem diários (e no final do episódio a narração de ambos se sobrepõe, de acordo com o resuminho do dia que escrevem nos cadernos). Ah, a cidadezinha fica praticamente dentro de uma floresta – inclusive acontece uma festa, daquelas clandestinas com jovens irresponsáveis, literalmente no meio do mato. Numa tentativa de tornar tudo mais emocionante, inventam um antagonista, irmão do vampirinho camarada – um vampiro mais forte, poderoso e malicioso. Mas não deixa de ser água-com-açúcar, fraquinha, derivativa, desinteressante, um show de canastrice que não consegue se aproveitar dos clichês das séries teen ou chupar as influências do terror. Não vou continuar assistindo e proíbo você, leitor, de se torturar dessa maneira – embora não vá ficar surpreso se for um sucesso (a audiência do Piloto foi boa para o canal e os fãs de “Crepúsculo” não devem ser subestimados).

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Enquanto isso, na Fox, “Glee” retornou com o segundo episódio de sua história, meses depois da estreia original (o primeiro capítulo foi exibido com antecedência, numa tentativa de recrutar os fãs de “American Idol”). Afinal de contas essa é uma série com muita música, muita referência à cultura pop, e muitas sátiras (algumas até ousadas) em cima de tabus da cultura americana. Em “Showmance”, por exemplo, uma das professoras deduz que a aluna é anoréxica – leva-a até sua sala para uma conversa e lhe oferece um panfleto entitulado “Então, Você Gosta de Vomitar”! Ao lado, outros folhetos para atender à problemas recorrentes na vida do adolescente comum – como “Divórcio: Porque Seus Pais Pararam de Te Amar”, “Minha Mãe É Bipolar e Não Para de Gritar” e até mesmo “Eu Não Posso Parar de Me Tocar”! São por esses momentos ácidos e brilhantemente sarcásticos que “Glee” diferencia-se de um “High School Musical” qualquer, e nos lembra que seu criador Ryan Murphy é dado a coisas bem mais bizarras (vide “Nip/Tuck”). Ele é capaz de fazer bom uso dos seus personagens estereotipados, ainda que numa trama óbvia e previsível. Como você deve saber, a série é sobre um coral de fracassados que ganha novo status depois que um garoto popular (Cory Monteith), astro do time de futebol do colégio, demonstra talento para o canto e se junta à eles. O clube abala o sistema de castas que rege a escola e ganha antipatia especial da treinadora das cheerleaders (a comediante Jane Lynch, que rouba cada cena em que aparece). Mas um dos professores (Mathew Morrison), membro do coral em seus tempos de aluno, acredita nos garotos e os assessora para uma vitória na competição nacional. O grande diferencial é que a série traz algumas canções conhecidas interpretadas pelo próprio elenco (o problema é que as versões de estúdio tem efeitos que não convenceriam numa apresentação ao vivo, de modo que a dublagem ficou tosca, fora de sincronia). O que não muda o fato de que os jovens atores são talentosíssimos – ou que, no episódio dessa semana, Lea Michelle colocou Rihanna no chinelo com sua redenção de “Take a Bow”. Recomendo!

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Categorias:TV
  1. 14 setembro 2009 às 2:17 am

    Não me interessei ainda por nenhuma dessas séries, apesar dos ótimos comentários sobre Glee.
    Esse Vampire Diaries realmente é derivativo total dessa moda de vampiros, pelo visto.
    Ainda bem que temos True Blood, que infelizmente terá sua season finale hoje. Amanhã talvez veja o final da segunda temporada.

    • 14 setembro 2009 às 2:35 am

      Ibertson, Glee é o único que presta entre os dois. Quanto a True Blood, já umas das minhas séries favoritas, não durmo sem ver o season finale!!! 🙂

    • ana
      29 agosto 2010 às 5:55 pm

      Para quem não sabe, “Esse Vampire Diaries realmente é derivativo total dessa moda de vampiros, pelo visto.” ao contrário desta frase, pelos vistos dita sem conhecimento nenhum, Vampire Diaries, baseada numa saga chamada “Crónicas Vampíricas” foi escrito na década de 90, ou seja: não estava na moda de vampiros, mas sim, que agora com esta nova moda deu que falar. A história é fascinante, e, para minha desilusão, a saga do Crepúsculo, e para quem desconhece, a saga da Casa da Noite, da P.C.Cast, copiam inúmeras coisas das Crónicas Vampíricas. Recomendo que vejam Vampire Diaries, pode não ser uma série fabulosa, mas tem uma história encantadora, e sobretudo, original.

  2. markhewes
    14 setembro 2009 às 7:48 pm

    Eu amo o Ryan Murphy e adoro Glee, mas ainda não vi o segundo episódio.

  3. Thaís
    14 setembro 2009 às 9:43 pm

    Amei Glee, já é uma das minha séries preferidas. Quero muito ver Vampire Diaries mas desanimei um pouco pelo seus comentários.

    • 14 setembro 2009 às 9:48 pm

      Como fã de Nip/Tuck esperava que vc fosse ver a série, Mark – ainda que elas não pareçam em nada.

      Thaís, pois desista de Vampire Diaries! A menos que Crepúsculo seja a sua praia…

  4. 14 setembro 2009 às 11:30 pm

    Não assisto a nenhuma das duas séries, mas “Glee” tem sido bem falada. Beijo!

    • 15 setembro 2009 às 1:05 am

      Tanto que recomendo que acompanhe Glee quando a FOX começar a transmití-la por aqui, Ka! Beijo.

  5. Vinícius P.
    17 setembro 2009 às 6:26 am

    Confesso que achei que “The Vampire Diaries” seria pior, mas o piloto foi até assistível – nada que me deixe com muita expectativa em relação aos próximos episódios. Já “Glee” é excelente, uma das minhas novas séries favoritas. Esses folhetos (ótimos) exemplificam o tom da série, algo que muita gente não entendeu até agora – alguns disseram que é praticamente uma versão de “HSM”…

  6. Carol '
    28 outubro 2009 às 1:56 pm

    Olha, eu amo Crepúsculo e toda a saga. Mas também amo The Vampire Diaries e não acho que seja algo ruim muito pelo contrário, eu já estou viciada baixei os capitulos e tudo mais, também creio que não seja perda de tempo, está atrás de Crepúsculo? Eu acho q está um pouco, mais não vai ser por muito tempo!

    • 28 outubro 2009 às 10:22 pm

      Vinícius, eu nem esperava muita coisa de VD e ainda assim achei MT fraca. Mas Glee virou um vício instantâneo!!!! 🙂 Quem diz que é derivação de HSM tá por fora!

      Carol, acho Crepúsculo tão ruim quanto VD!

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