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Casa de Bonecas

Sou fã de longa data de Joss Whedon, criador do guilty pleasure máximo da televisão, a saudosa “Buffy – A Caça-Vampiros”. Mas confesso que pouco me animava sua nova série, “Dollhouse”, que recebeu duras críticas em sua estreia, apesar de ter se revelado um gosto adquirido. Como todos os espectadores cativos garantiam que, lá pelo quinto episódio da primeira temporada (foram treze no total), a série teria um salto criativo, resolvi dar uma chance quando sobrasse tempo – e foi o que fiz neste feriado.

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A Dollhouse é um estabelecimento do submundo de Los Angeles – lenda urbana para alguns, realidade para outros. É um lugar onde voluntários tem a memória apagada repetidas vezes, e novas personalidades inseridas onde antes habitavam seus verdadeiros eus. De certa forma é uma cadeia de prostituição disfarçada, já que grande parte dos serviços oferecidos pela casa se resume a atender às fantasias sexuais dos muito ricos, que podem bancar o aluguel de uma pessoa com os hobbys, interesses e comportamentos que lhe atraiam. A heroína é Caroline, codinome Echo, interpretada pela fraca e inexpressiva Eliza Dushku (deve ter sido inevitável escalá-la, uma vez que é produtora da série e amiga de longa data de Joss). A moça topou se submeter a essa rotina por um período de cinco anos, ao que parece para se esquecer da morte do namorado (antes disso ela era cheia de ideias revolucionárias, a ponto de alimentar a ambição de mudar o mundo). E esse foi o seu modo de fazer a diferença. Ela comparece a esses encontros sexuais, mas também pode ser manipulada por outras diretrizes (logo no primeiro episódio é implantada com a memória de uma mulher que foi sequestrada e molestada durante a infância, e por isso se especializou em ser intermediária em casos de sequestro – e ajuda a salvar a vida de uma menina que fora raptada). Existe meia dúzia de outros personagens dentro da Dollhouse e, paralelamente a isso, um investigador do FBI determinado a trazer à tona essa fábrica de sonhos secreta (o ator é Tahmoh Penikett, o Helo de “Battlestar Galactica”). Uma ficção científica inventiva, enfim.

Concordo com a maioria: as coisas só esquentam no quinto episódio, sendo que no quarto começa a querer dar sinais de vida. A trama é arrumadinha, bem elaborada, com algumas reviravoltas inesperadas e outras mais previsíveis (estava na cara, por exemplo, que a vizinha do detetive tinha algo a esconder – faltou tato, roteiristas!). A narrativa às vezes se perde, e o texto deixa passar boas oportunidades. Veja só: num dos capítulos se descobre que é possível transferir a memória de alguém que morreu para um dos “bonecos” – seria esta a solução para a vida eterna? Migrar de um corpo para o outro, tendo todas as lembranças descarregadas ao final da vida natural? São perguntas válidas e um tema riquíssimo a se explorar, que o episódio coloca em segundo plano para dar espaço a um mistério banal, no estilo whodunit (a milionária que bancava a sua pós-vida tentava descobrir a identidade de seu assassino). Ou seja, provaram que não sabem lidar com coisa séria, e que “Dollhouse” deve ser encarado, agora e sempre, como um entretenimento fácil, passageiro, inconsequente. Nada contra: dá para se divertir, ficar tenso, se surpreender. Mas certamente deixa a desejar, perto do que poderia vir a ser.

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Categorias:TV
  1. Lucas
    8 setembro 2009 às 10:09 pm

    Vi uns episódios no FX, eh massa mas nao me deu mt vontade de acompanhar. Flw

  2. 8 setembro 2009 às 11:20 pm

    Como não sou fã de Joss Whedon….. Beijo!!!

    • 9 setembro 2009 às 1:33 am

      Lucas, dependendo dos episódios que você viu não deve dar vontade de seguir mesmo. Vendo em ordem e resistindo aos péssimos primeiros episódios é, creio eu, a única maneira de viciar. Flws!

      Ka, huahuahuahua… Beijo pro Joss!!! 🙂

  3. 9 setembro 2009 às 2:38 am

    Adorava Buffy, mas também não estou animada para ver Dollhouse.

    • 9 setembro 2009 às 3:35 am

      Jô, o mesmo aconteceu comigo. Tinha ouvido comentários pouco animadores. E só acabei vendo pelo feriado. Mas fãs de Buffy como nós devem gostar!

  4. 9 setembro 2009 às 3:14 pm

    A partir do episódio 6 a série começa a entrar nos eixos, chegando ao ápice nos episódios 9, 11 e 13, que mostram porque Joss Whedon é genial.

    • 9 setembro 2009 às 3:24 pm

      Lucas, concordo. Ainda mais por você ter omitido o décimo episódio, um dos mais fracos. E adoraria se a segunda temporada continuasse da onde o décimo terceiro parou.

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