Início > Cinema, Gente > Separados no Nascimento

Separados no Nascimento

Me peguei revendo, na noite de Sexta, o vibrante, anárquico e sensacional “Hedwig and the Angry Inch” (o título em português é horrível: “Hedwig – Rock, Amor e Traição”). É um musical biruta e autoral que John Cameron Mitchell bolou para a off-Broadway e que depois adaptou para o Cinema, dando a si próprio o papel principal (que defende com energia telúrica). Ele interpreta um alemão que mudou de sexo para poder se casar com o amante e assim deixar a Alemanha Oriental. Mas a cirurgia foi mal feita e ficou sobrando uma “polegada raivosa” do pênis. Para completar o marido o abandona, e a queda do muro de Berlim logo em seguida torna desnecessário todo o esforço. Anos depois, nos Estados Unidos, Hedwig (o nome feminino que adotou) vai compartilhar suas angústias através das músicas, escritas por ele mesmo e apresentadas em shows mirabolantes (mas um moço boa pinta rouba algumas dessas canções e se torna famoso sem lhe dar os créditos). Tudo é contado em flashbacks, numa narrativa diferente, original, ousada. Deu no que deu: um dos melhores frutos do cinema independente americano nos últimos anos.

A raison d’être deste post, contudo, é deixar registrado meu espanto ao constatar que, travestido e coberto de purpurina, John Cameron Mitchell é a cara da Rachel Griffiths, a nossa querida Sarah de “Brothers & Sisters” (também Brenda na finada “A Sete Palmos”). Igual, irmão gêmeo.

hedwigrachel-griffiths

E sim, “Hedwig” merece ser visto. Ainda mais por quem desdenha do cinema recente e da saturação de filmes convencionais, quadrados e apáticos.

.:. Hegwig – Rock Amor e Traição (Hegwig and the Angry Inch, 2000, dirigido por John Cameron Mitchell). Cotação: A+

Anúncios
Categorias:Cinema, Gente
  1. 29 agosto 2009 às 4:51 pm

    Que é isso! Acho a Rachel Griffiths muito linda. Tem uns traços, mas nada de ser “irmão gêmeo”.

    Tenho vontade de ver Hedwig, o negócio é que não acho ele em nenhum lugar.

    • 29 agosto 2009 às 5:20 pm

      HUAHUAHUA Ibertson, isso porque na foto nem dá pra notar muito. Vendo o filme fica evidente: os traços são os mesmos. É bem passível de serem gêmeos (de sexos diferentes, é claro).

      Eu tenho Hedwig em DVD, que comprei no exterior. Não sei se foi lançado no Brasil, mas sei que chegou aos cinemas daqui na época.

  2. 29 agosto 2009 às 6:01 pm

    preciso ver esse filme. são muitos os bons comentários sobre ele.

  3. 29 agosto 2009 às 7:44 pm

    De fato… há semelhanças. Alias, falando em Six Feet Under… eu realmente não curto a personagem da Rachel Griffiths na série…

    E eu tenho o mesmo problema do Ibertson, nunca consegui encontrar esse filme.

    • 29 agosto 2009 às 7:52 pm

      Jeniss, o filme merece os elogios (e o segundo do diretor, Shortbus, é igualmente interessante). Pena que seja tão difícil de achar.

      Doc, pois eu AMO a Brenda Chenowith. Era uma das minhas personagens favoritas na série, e Griffiths esteve brilhante. Mereceu o Globo de Ouro que levou e foi injustiçada pelo Emmy. Quanto ao filme, é mesmo uma pena que seja tão pouco acessível. Quem sabe recorrendo ao download?

  4. Régis
    29 agosto 2009 às 8:06 pm

    Eu não digo? Eu não digo. Revi “Hedwig” esta semana… pela nona vez (de acordo com meus cálculos), e sem pestanejar, coloco ele entre meus 10 filmes da vida. Lindo, hilário, inteligente, original, ousado, tudo isso e muito mais. Me faltam adjetivos. E a soundtrack então… não tem nem o que falar. “The origin of love” e “Wicked little town” são duas das canções mais lindas que existem. Caso não tenha ficado claro, AMO este filme com cada fibra do meu corpo.

    • 29 agosto 2009 às 8:29 pm

      Régis, como estamos sincronizados hein??? Não tenho essa paixão toda por Hedwig mas respeito o filme e concordo com os seus elogios. Vi creio que pela quarta vez. John Cameron Mitchell é uma revelação, como ator e principalmente como realizador. Tem umas sacadas que muita cobra criada do ramo não tem. E The Origin of Love é maravilhosa. Um absurdo não ter sido indicada ao Oscar na categoria naquele ano.

  5. lelacastello
    11 setembro 2009 às 3:09 am

    AHAHAHAHAHAHAHA Juro, eu ri alto dessa comparação. Eles são tão parecidos, não acredito que não vi antes. Hedwig é um dos meus filmes preferidos, e Rachel Grififiths, sei la, acho ela uma boa atriz, mas não acho ela tudo isso nos últimos anos, sinto que ela se ‘acomodou’ na atuação.

    • 11 setembro 2009 às 4:30 am

      Rafaella, só conseguia pensar em como eles são parecidos enquanto via o filme! HAUHUAHUA!

      E que bom que gosta de Hedwig – quase todo mundo com quem eu comento sobre não conhece! Quanto a Rachel, ela super prometia com Hilary & Jackie, pelo qual recebeu uma merecida indicação ao Oscar, e depois se firmou como uma das minhas personagens favoritas da TV, Brenda Chenowith em Six Feet Under. Já Brothers & Sisters, por mais legal que seja, não lhe oferece uma personagem com tantas oportunidades. Por isso concordo: anda meio acomodada, apagada!

  1. 29 setembro 2009 às 11:35 pm

Deixe um comentário

Preencha os seus dados abaixo ou clique em um ícone para log in:

Logotipo do WordPress.com

Você está comentando utilizando sua conta WordPress.com. Sair / Alterar )

Imagem do Twitter

Você está comentando utilizando sua conta Twitter. Sair / Alterar )

Foto do Facebook

Você está comentando utilizando sua conta Facebook. Sair / Alterar )

Foto do Google+

Você está comentando utilizando sua conta Google+. Sair / Alterar )

Conectando a %s

%d blogueiros gostam disto: